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Setor Financeiro - Bolsa e Seguros: Crédito também é motor
30 de Agosto de 2010
Desempenho


As empresas do setor financeiro são as que mais rápido aproveitam as condições macroeconômicas favoráveis do Brasil. Além do invejável incremento do PIB em relação a outras economias, a manutenção das condições para a continuidade do crescimento do crédito impacta diretamente o segmento de seguros. Diante do cenário, o setor tem elevado sua importância e aumentado sua participação também nos bancos. O Bradesco obtém 30% de sua margem através desses produtos. O ItaúUnibanco fez uma parceria com a Porto Seguro para elevar sua participação no mercado, assim como aconteceu entre Sul América e Banco do Brasil.

A expansão do crédito também potencializa o incremento nos volumes negociados nos mercados de ações e de derivativos e operações de renda fixa, facilitando a aquisição de recursos via emissão de títulos privados. No país, isso significa mais negócios para as respectivas empresas – BM&FBovespa e Cetip. No levantamento mais recente divulgado pelo Banco Central, no dia 24 de agosto, o estoque de operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional cresceu 18,4% em doze meses e 9,4% em 2010. As operações de crédito com recursos livres acumulam alta de 7,2% no ano e de 13,8% em doze meses.
 

                Mercado de Ações
 

Os papéis da BM&FBovespa e o desempenho da bolsa brasileira de forma geral têm sido influenciados pela capitalização da Petrobras, ainda sem as definições necessárias para acontecer. Por isso, o mercado está em passo de espera. Consequentemente, isso tem acomodado grandes players, observa o analista Gustavo Sechin da Votorantim Corretora. “Isso é um ponto negativo em termos de volume. Por outro lado, após essa oferta, a bolsa deve ter espaço para novos ganhos”. Portanto, o seu papel também.

As ações das empresas de seguros não tem uma correlação direta, mas no longo prazo, são influenciadas pelos indicadores de crescimento do PIB, do crédito, de renda e do emprego. Por outro lado, são impactadas diretamente pelo movimento das taxas de juros, já que influenciam no preço cobrado por seus produtos.

No acumulado do ano até o dia 27.08, o papel da BM&FBOVESPA valorizou 8,9% e o da Cetip,7,4%. A Porto Seguro e a Sul América, respectivamente, apresentaram uma alta de 5,4% e 6,9% no mesmo período, diante de uma perda de 4,4% do Ibovespa, de acordo com dados da Corretora Ativa.

 
Opinião do Mercado
 

Aloísio Lemos
Analista Ágora Invest

Para essas companhias do setor financeiro, da mesma forma como para os bancos, vislumbram-se mercados em expansão especialmente devido ao forte incremento esperado para o PIB neste ano. A estimativa da corretora é de 6,8%. O setor financeiro tem a capacidade de se alavancar frente ao crescimento do país e se beneficiar diretamente dele. Isso é extremamente promissor no Brasil, já que aqui a economia está se expandindo cerca de duas vezes em relação ao mundo.

Entre os segmentos do setor de seguros, há um espaço visível de expansão nos mercados de saúde e vida. A Sul América é focada neles. Não podemos esquecer a importância que tem a maior oferta de crédito no país, especialmente devido ao estímulo à venda de veículos novos, no qual se concentra o foco da Porto Seguro, que até agora cresceu mais e que tem apresentado uma sinistralidade inferior à área de saúde.

O segmento de bolsa de valores também é impactado por esses fatores macroeconômicos, e a BM&FBovespa retrata isso. Além disso, ela é uma empresa extremamente sólida, capitalizada, de elevada geração de caixa e boa pagadora de dividendos. Para ela, o quadro de curto prazo continua volátil, mas é a nossa principal recomendação. Algumas justificativas são do próprio resultado do segundo trimestre. Eles refletiram o volume negociado positivo e cujo crescimento foi elevado no período. Paralelo a isso, houve o anúncio de recompra de ações, que vai elevar os dividendos de maneira indireta, já que vai diminuir a base acionária e os acionistas atuais que não venderem suas posições, vão receber um dividendo maior por ação. As parcerias internacionais da empresa também são interessantes para o aumento do volume de negócios.

A Cetip também vem apresentando resultados melhores. O papel é atrativo porque o mercado de renda fixa ainda tem muito potencial. Além disso, também tem um excelente nível de geração de caixa e vários aspectos que também demonstram sua solvência financeira.

Recomendação:
MANUTENÇÃO para as empresas de seguros, pois os papéis das duas companhias passaram por uma valorização grande recentemente. No entanto, para o longo prazo, são boas opções e têm potencial de crescimento. COMPRA para as empresas de bolsa. A preferência é pela BM&FBovespa.
 



Gustavo Sechin
Analista Votorantim Corretora


Todas as companhias do setor financeiro são impactadas positivamente e de forma particular pelos indicadores que representam o bom momento da economia brasileira. No setor de seguros, por exemplo, a Porto Seguro tem reportado um crescimento maior no número de prêmios na Azul, voltada ao nicho de veículos. O desempenho reflete ainda as medidas tomadas no ano passado de estímulo ao incremento de crédito para a compra de automóveis. O impacto positivo vem também da sinistralidade, que apresentou redução neste ano. Outro aspecto que chamou a atenção foram as sinergias vinda da parceria com o ItaúUnibanco.

O segmento de seguros de veículos ainda tem bom potencial, mas depende muito da continuidade de cenário macroeconômico favorável. A frota assegurada hoje por seguro é da ordem de 35%, portanto, ainda há um espaço de expansão. Mas esse incremento vai acontecer especialmente fora dos grandes centros. Ou seja, nas cidades do interior do Brasil.

O potencial dos seguros patrimoniais e de saúde é maior. Mas os resultados da Sul América, focada nesses mercados, não foram tão bons. O lado positivo é a forte expansão dos prêmios, especialmente do seguro saúde, com destaque para a carteira de Pequenas e Médias Empresas, que tem um potencial maior. Por outro lado, a empresa apresentou um forte aumento da sinistralidade neste segmento, tanto nas carteiras individuais, como coletivas. No segundo trimestre, o incremento nesse indicador é sazonal, devido especialmente ao inverno, mas o aumento veio acima do esperado.

No mercado de bolsa, e principalmente na BM&FBovespa, os resultados demonstraram forte crescimento, com destaque para as margens. Ele foi impactado pela retomada de volume, como no segmento BM&F, cuja expansão foi de 50% no segundo trimestre contra o primeiro. Em relação ao mesmo semestre de 2009, o aumento foi de 55%. No segmento Bovespa, o incremento em doze meses foi de 28%. O que contribuiu também foi a aprovação recente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a negociação via DMA (por roteamento de ordens via acesso direto ao mercado), que já estava liberada na BM&F desde o ano passado. Conforme observado nos mercado futuros, isso deve contribuir também com o aumento dos negócios à vista.

Para a Cetip, o viés de curto prazo é negativo. Suas receitas ainda são muito dependentes do registro e custódia de derivativos de balcão, que também é influenciado pela oferta de crédito. Por isso, dado como foi concebida no passado, ela ainda está amarrada a instituições financeiras e as suas operações. Além disso, tem os preços cobrados por essas operações também definidos.

Portanto, mesmo que haja incremento no volume, os preços praticados continuam os mesmos. Por isso, acredito que ela precisa desenvolver novos produtos e serviços para elevar o potencial de retorno. Algumas sinalizações ela já está dando neste sentido.

Recomendação: COMPRA para Porto Seguro e Sul América. VENDA para Cetip. Estamos revisando a BM&FBovespa.


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Indicadores
Empresa ► BM&FBOVESPA Cetip Porto Seguro Sul América
  Dados▼ BVMF3 CTIP3 PSSA3 SULA11
Nível Gov. Corporativa NM NM NM N2
PL 2tr09 R$ MM 19.557,98 - 2.100.297 2.475.231
PL 2tr10 R$ MM 19.846,27 362,40 3.393,53 2.642.557
LL 2tr09 R$ MM 188,13 1,95 66,98 83,41
LL 2tr10 R$ MM 305,71 29,55 136,32 93,08 
Variacao LL 2T10(%) 62,50 1.415,54 103,51 11,60
ROE 2T10(%) 1,54 8,15 4,01 3,50
Índices Bovespa        
Ibovespa ..
IBRX-50 ..
IBRX .. ..
IGC .. .. .. ..
Itag .. .. ..
ISE
IVBX2
MLCX ..      
SMLL . .. ..
ICON ..
INDX
IEE
IMOB
ITEL
IFNC .. . .. ..

Informações Relevantes:
Resultados da Cetip não são consolidados e Pl do segundo trimestre de 2009 não disponível.
Fonte: Relatório das Empresas e Bovespa

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                Governança Corporativa
Empresas

Pay out

Periodicidade

Tag Along ON PN Conselheiros Independentes
BM&FBOVESPA 25% trimestral 100% Sim
Cetip 25% Duas vezes ano 100% Sim
Porto Seguro 25% Anual 100% Sim
Sul América

25%*

Anual 100% ON e PN Sim


Informações Relevantes:

*
Os dividendos atribuídos a cada ação preferencial serão iguais aos atribuídos a cada ação ordinária, sendo certo que as ações preferenciais não têm direito a dividendos mínimos ou fixos.

Payout é o percentual pago do lucro líquido em forma de dividendos e juros sobre capital.
Conselheiro Independente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): O Conselho da organização deve, preferencialmente, ter maioria de conselheiros independentes. O conselheiro independente se caracteriza por: Não ter qualquer vínculo com a organização, exceto eventual participação de capital; não ser acionista controlador, membro do grupo de controle, cônjuge ou parente até segundo grau destes, ou ser vinculado a organizações relacionadas ao acionista controlador;não ter sido empregado ou diretor da organização ou de alguma de suas subsidiárias; não estar fornecendo ou comprando, direta ou indiretamente, serviços ou produtos à organização;não ser funcionário ou diretor de entidade que esteja oferecendo serviços ou produtos à organização;não ser cônjuge ou parente até segundo grau de algum diretor ou gerente da organização;não receber outra remuneração da organização além dos honorários de conselheiro (dividendos oriundos de eventual participação no capital estão excluídos desta restrição)No Novo Mercado é obrigatório que 20% dos conselheiros sejam independentes.
Para as empresas que não especificamos o direito ou não de Tag Along para as ações preferenciais, significa que elas têm somente uma classe de ação, a Ordinária (ON).

Fonte: site das companhias e BM&FBovespa (Tag Along)
 

Acesse também Agenda dos Resultados 2T10 & Cotações GC

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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