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Setor Siderúrgico: Perspectivas tímidas

30 de Janeiro de 2012

 

 

Expectativas melhores para a siderurgia em 2012 não garantem retomada significativa

 

O ano que se encerrou foi mais um em que o setor siderúrgico no país não deixou para trás a crise iniciada em 2008. Dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil no final do ano, demonstram a continuidade  desse cenário em 2012, marcado principalmente pelos efeitos da concorrência dos produtos importados em toda a cadeia econômica relacionada ao aço plano. Uma conta que traduz bem as expectativas pouco animadoras da expansão da indústria brasileira e da possibilidade de voltar a atender o mercado internacional de maneira crescente é o ritmo dos investimentos previstos pelas companhias neste década.

 

De acordo com o Instituto Aço Brasil, no cenário que classifica como de incertezas, os investimentos estão sendo revistos em termos de prazos de implementação.  Isso significa que, apesar do setor ter uma previsão de capex superior a US$ 5 bilhões por ano, o efetivo início da implantação de novos projetos deve levar em conta as condições competitivas do mercado brasileiro. Como comparação, o montante anual está abaixo da média aplicada durante o período pós-privatização, em que foram investidos US$ 34,1 bilhões (1994 a 2010).

 

Para o analista da Banrisul Corretora, Fábio Gonçalves, uma boa palavra para o setor em 2012 seria “investimento”. O analista justifica que a Siderúrgica Nacional (CSN) e a Gerdau, favorecida pela oferta pública (recompra de ações) realizada em 2011  que alavancou o seu caixa, prevêem grandes investimentos para desenvolver a capacidade produtiva e fazer frente a demandas futuras de aço. “A Usiminas ainda apresenta nebulosidade quanto a política de investimentos, frente a entrada do grupo Techint no bloco de controladores da companhia”, observa Gonçalves.

No entanto, perspectivas divulgadas pelo Instituto Aço Brasil são marcadas pela força de algumas características quanto à competitividade do mercado interno que reforçam o efeito da concorrência dos importados. Durante evento realizado no final do ano, o presidente da entidade, Marco Pólo de Mello Lopes, resumiu o quadro que deve ser evidente para o futuro do setor: “o mundo pós-crise é muito mais complexo e competitivo, o que torna ainda mais importante preservar o mercado interno com a correção das assimetrias competitiva e tributárias”.

 

As condições assimétricas referidas por Lopes se traduziram em um aumento da participação dos importados no mercado brasileiro. No entanto, ela foi arrefecendo ao longo do ano. O que, de alguma forma, sinaliza expectativas melhores para 2012, apesar de discretas. O Instituto calcula que o consumo aparente de produtos siderúrgicos no Brasil cresça 7,1%, atingindo em 26,7 milhões de toneladas.  O crescimento deve ser duas vezes superior ao previsto para a economia brasileira e é importante, já que em 2011, o consumo aparente foi inferior em 4,3% a doze meses, totalizando 25 milhões de toneladas ao ano. Ainda no ano passado, as vendas internas foram 3,8% maiores, totalizando 21,5 milhões, mas ainda não haviam alcançado o patamar pré-crise de 2008.

Mesmo assim, o analista da Concórdia Corretora, Leonardo Zanfelício, é mais otimista para 2012. Ele acredita que o ano se inicia já um pouco melhor que 2011, principalmente para aços longos. Ele observa que os dados da indústria referentes ao mês de dezembro já demonstram uma melhora. No último mês do ano, a participação de importados no segmento de longos estava em 9%, seis pontos percentuais inferiores em relação ao topo do ano. “No mercado de planos também houve melhora, mas ela precisa ser mais evidente, especialmente, se o real continuar se valorizando, como se observou neste mês de janeiro”, analisa. No mês de dezembro, a participação de importados na conta das vendas de aços planos no país era de 30% frente ao pico de 35,7% que teve no ano. No entanto, esse patamar já foi de 19,7%. 

 

Para o analista, o cenário pode ser melhor neste ano devido a medidas contra os efeitos dos importados postas em prática pelo Governo Federal em 2011.  A tabela de preços mínimos, imposta ainda em 2010, o aumento do IPI para automóveis importados são alguns exemplos. De outro modo, o que ainda não deve melhorar é o patamar dos preços praticados pelas brasileiras. “A chances para reajuste é baixa”, frisou Zanfelício.

 

Relatório distribuído pela Ativa na metade do mês de janeiro, demonstra que esse movimento pode já ter começado, pelo menos na cadeia menos prejudicada do setor, ligada aos aços longos. Segundo a empresa especializada em informações sobre o setor, a Steel Business Briefing (SBB), a Gerdau estaria estabelecendo aumento entre 5% e 7% nos preços dos aços longos para os seus clientes brasileiros. O reajuste deveria valer já a partir deste mês, e teve como motivador o aumento de preço do vergalhão na Turquia e da sucata.

 

Ao contrário dessa boa notícia, a Corretora Ativa divulgou outra ainda no mês de dezembro. Segundo a mesma consultoria SBB, centros de serviços e fornecedores ao segmento automotivos, as produtoras de aços planos CSN, Usiminas e ArcelorMittal, pelo contrário, estariam concedendo descontos de 4% a 10% em seus produtos planos desde o começo de Novembro do ano passado. A tentativa era de reduzir os seus altos estoques, elevar as vendas e assim evitar cortes na produção. As fontes de mercado consultadas pela SBB acreditavam que os descontos devem permanecer até o próximo trimestre, para que usinas ajustem estoques e produção. De acordo com a corretora, essa prática só confirma a fraqueza da demanda do mercado siderúrgico brasileiro, que, considerando a apreciação do dólar que houve no final do ano passado, resultava em um aço vendido pelas brasileiras próximo dos patamares internacionais.

 

Diante disso e mesmo frente a melhora nos números da indústria no final de 2011, a visão da Corretora Ativa, que divulgou um relatório com estratégias de investimento para 2012 no dia 17 de janeiro, não é positiva . Após um ano bastante conturbado no cenário externo, em função principalmente da desaceleração da economia global, o ano que começa é considerado de poucas expectativas de alguma melhora sensível nesse aspecto, especialmente, que possam alterar a trajetória de queda dos preços das ações que pôde ser observada no setor no ano passado, que caiu 38,1% na BM&FBOVESPA, bem acima dos 18,1% do Ibovespa. A pouca efetividade das medidas européias para tentar solucionar a situação econômica é apontada como um importante fator ao cenário setorial também brasileiro.

 

Já o analista Leonardo Zanfelício, da Corretora Concórdia, espera que a Gerdau apresente resultados bem melhores. Mas que CSN e Usiminas, que atuam no segmento de planos também apresentem evolução. Isso deve ser possível especialmente devido a esforços de eficiência, que não vem de agora. Fábio Gonçalves, analista da Banrisul Corretora, também aponta como ponto positivo os esforços dessas companhias em diminuir seus custos operacionais e administrativos, buscando serem auto-suficientes na produção do minério de ferro e carvão e ampliando seu mix de produtos. “Esses fatores nos deixam otimistas para o setor no longo prazo, principalmente pela diminuição da exposição à oscilação dos preços do minério de ferro e carvão e da melhora de sua eficiência operacional”, justifica o analista.

Por isso e pelo potencial do setor de longo prazo no Brasil, com a realização de eventos esportivos e as necessidades de infraestrutura, a recomendação da Concórdia é de COMPRA para os três papeis (com preços-alvo de R$23,46 para a CSN; R$24,65 para Gerdau e R$14,83 para a Usiminas. O analista da Banrisul Corretora vê possibilidade ainda de evolução do setor em bolsa acima do Ibovespa. No entanto, o primeiro semestre deve ser marcado por grande volatilidade. “O fraco crescimento mundial e as incertezas frente a demanda devem ocasionar forte oscilação nos preços das ações em bolsa”.

 

Empresas

Periodicidade Dividendos/ano

Dividendos (%) LL

Tag Along
(On) e (PN)

Conselheiros Independentes

CSN* 70% Anual Não Sim
Ferbasa (N1) 25% Anual Não Não
Gerdau (N1) 30% Anual 100% ON / PN Sim
Gerdau Met. (N1) 30% Anual 100% ON / PN Sim
Usiminas (N1) 25% e +10% (PN) Anual Não Sim
 
OBS: *No site de RI da empresa, estas informações não ficam claras. Elas informadas por telefone ao Acionista.com.br há um ano.
   

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

      redacao@acionista.com.br


 

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