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Setor Petróleo e Gás: Perspectivas

23 de Janeiro de 2012

 

 

Expectativa é que 2012 seja ano de retomada de definições e início de projetos para o setor

 

O Brasil é um dos países mais bem posicionados no mercado global de petróleo e gás. Além das descobertas das reservas do Pré-Sal e dos números de exploração e produção da Petrobras, cada vez maiores, o país faz parte do grupo de emergentes que está ditando o rumo da demanda do setor. Por isso,e passada a pior fase da crise européia, é esperado que 2012 seja um ano decisivo para que etapas relevantes dos planos que as empresas brasileiras do setor têm para longo prazo saiam do papel. Além de decisões esperadas quanto à nova regulamentação, como a divisão dos royalties, há expectativas de que os resultados operacionais das companhias evoluam, principalmente, devido ao início operacional de algumas unidades.

 

Na visão¹ do analista da Fator Corretora, Rodrigo Fernandes, no ano que começa, o setor será ainda mais influenciado pelo desempenho doméstico. Ele lembra que em 2011 as empresas brasileiras foram diversamente impactadas pelo cenário de redução mundial de consumo, devido ao agravamento da crise européia, e, de outro modo, pelo aumento de demanda nos países emergentes, seguido do crescimento dessas economias. “Enquanto as cotações do barril tipo WTI espelhavam esse panorama, as do Brent embutiam os efeitos sobre a oferta de petróleo da instabilidade política no Oriente Médio”, contextualizou Fernandes.

 

No mercado brasileiro, isso resultou em uma estabilidade dos preços de venda dos principais derivados e a maior importação reflexo da menor oferta de etanol no mercado internoe foi negativo à Petrobras. Os maiores preços de aquisição de gás, atrelados aos preços internacionais, também não foram bons para a  Comgás. Esse cenário refletiu de forma diferente em cada companhia, inclusive nas respectivas ações listadas na BM&FBOVESPA. De acordo com cotação do último pregão de 2011, as ações PN da Petrobras caíram 18,3% e as ON da Comgás subiram 18,7%. A Ultrapar, uma das líderes em distribuição, se beneficiou do maior volume de vendas no mercado interno e teve valorização de 24,2%, enquanto o Ibovespa caiu 18,1%. De maneira geral, os papeis do setor acabaram o ano com perdas. A HRT teve desvalorização de 64,28%, a OGX, baixa de 31,40%, a OSX caiu 40,48% e a queda da Queiroz Galvão foi de 23,93%.

 

Os fatores que formaram esse quadro devem permanecer ao longo de 2012. Mesmo com a recuperação da economia mundial esperada, ela será lenta e influenciará a demanda e a oferta do setor. Essa trajetória também será marcada pelo ritmo de recuperação da economia norte-americana. Diante disso, a conjuntura internacional ainda é o pano de fundo de toda análise que se pode fazer do setor de petróleo e gás e das suas cadeias de derivados e prestadores de serviço, segundo a sócia da MaxiQuim Assessoria de Mercado, Solange Stumpf.

 

Por isso, a insegurança que ainda traz a economia européia deve continuar gerando retração nos investimentos mundiais e pressão pelo lado da oferta no setor. Por isso, Solange acredita que o preço do barril de petróleo deve se manter em patamares elevados como os atuais, por volta dos US$ 100,00. E devido aos mesmos fatores, o analista da Fator Corretora acredita que os preços do setor serão mais voláteis em 2012.  

 

A incerteza quanto à retomada da oferta de petróleo, especialmente em regiões tradicionalmente produtoras, como a Nigéria e de integrantes do bloco da OPEP, está sendo responsável pelo rearranjo estrutural desta indústria. Isso deve ficar mais evidente ao longo dos anos, destaca Solange Stumpf. “Países como China, Índia e Rússia devem passar a ter maior relevância para o setor, não só na demanda, mas também na produção e no desenvolvimento de novas tecnologias”, acredita a executiva, que também aponta a volta dos Estados Unidos nessa equação.

 

No Brasil, esses movimentos apontados pela consultora podem ser observados no esforço que as companhias vêm fazendo para se posicionar. A capitalização para fortalecer a estrutura financeira da Lupatech, importante fornecedora de soluções para o setor, é um exemplo recente disso. E por conta de alguns movimentos no final de 2011 acumulou uma perda de 76,92% no ano. A presença do capital estrangeiro é outro sinal da atual configuração do mercado de petróleo e gás no Brasil. O esforço do Governo Federal em nacionalizar um espaço considerável do setor fica evidente. Na opinião de Solange, da MaxiQuim, é visível um trabalho de fortalecer as empresas brasileiras, que elas têm a vantagem de estarem inseridas na cadeia do setor. A finalização da revisão da regulamentação, dessa forma, é relacionada a esse processo e não deve passar deste ano.

 

Diante desse quadro, as expectativas para as companhias acompanhadas pela Fator Corretora são positivas. Segundo o analista Rodrigo Fernandas, a Petrobras deve apresentar um crescimento de receitas e margens no consolidado do ano. Mas durante os primeiros trimestre, deve manter os patamares de 2011 estáveis. Diante disso, a recomendação é de COMPRA para as ações. Para as demais companhias cobertas, Comgás e Ultrapar, a recomendação é de MANUNTEÇÃO. Mesmo assim, a expectativa é de contínuo aumento de vendas e receitas para as companhias.  

 

¹Informações publicadas em relatório (Book 2012 - Perspectivas) assinado pelo analista e enviado pela assessoria de imprensa para esta matéria. 

 

Empresas

Periodicidade Dividendos/ano

Dividendos (%) LL

Tag Along
(On) e (PN)

Conselheiros Independentes

Comgás 25%+10% PN Anual Não Não
HRT (NM) 0,001% Anual 100% Sim
Lupatech (NM) 25% Anual 100% Sim
OGX (NM) 0,001% Anual 100% Sim
OSX (NM) 0,001% Anual 100% Sim
Petrobras 25% Anual Não Sim
Ultrapar 50% Anual 100% Sim
 
OBS: A Queiroz Galvão/QGEP (NM) não libera livremente o acesso a algumas informações no seu site de RI. A reportagem do Acionista.com.br. enviou dois e-mails para pedir os dados da tabela acima. A resposta do primeiro foi a seguinte: Este site é dedicado apenas a investidores e analistas do mercado de capitais de dívida, sendo assim não poderemos liberar o seu acesso no momento.Caso necessite de alguma informação adicional sobre a nossa Companhia, entre em contato conosco. informações e o retorno que obteve foi de que o acesso não seria liberado para ela. A resposta ao segundo, em que justificada o pedido dos dados, não veio.
   

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

      redacao@acionista.com.br


 

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