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Setor Siderúrgico : Novos formatos de preço
17 de maio de 2010
Desempenho
 

A mudança na forma de reajustar o preço do minério de ferro – principal matéria-prima da indústria siderúrgica – foi o principal causador da subida dos preços do setor siderúrgico no final do primeiro e início do segundo trimestre deste ano. A commodity será reajusta todo trimestre e baseada no valor à vista em que está sendo negociada (preço spot). Por isso, em março, os preços internacionais dos produtos siderúrgicos subiram em média 3,4% em relação a fevereiro, face às expectativas das siderúrgicas de um aumento dos custos das matérias-primas, como o minério de ferro e o carvão coque, conforme a consultoria britânica MEPS International citada em relatório da Planner Corretora. O índice de preço composto global de todos os produtos subiu para US$ 695 por tonelada.

Em termos porcentuais, os maiores aumentos foram na Ásia, seguidos pela União Europeia e América do Norte. Respectivamente, esses índices foram de 4,1%, 3,8% e 2,2%. A expectativa é que os preços continuem a subir ao longo de 2010, já que a demanda melhorou, mas a principal causa da alta do preço do aço é o aumento dos custos das matérias-primas. A recente e esperada escalada internacional dos custos das matérias-primas levou ao aumento dos preços do aço na Europa Ocidental, em um momento de estagnação da demanda, conforme destaca o relatório da Planner. O aumento dos custos das matérias-primas, particularmente a antecipação da alta dos custos do minério de ferro, está impulsionando os preços do mercado interno chinês. Esse país é o maior consumidor de minério de ferro, com cerca de 40% da demanda e tem uma expectativa de elevar a produção de aço em 20% em relação aos níveis de 2008, pré-crise.

 

                Mercado de Ações
 

O setor tem apresentado um movimento positivo em relação ao Ibovespa até a primeira quinzena de maio. A CSN apresenta uma valorização próxima de 10% em relação ao final do ano passado.  Comparado ao Índice é uma alta significativa, porque ele está com uma queda de 4,5%. A Usiminas também apresenta um potencial relevante, com ganho de 8%. Os papéis da Gerdau PN é que não estão na mesma direção, e caem 7,5% no ano. O setor siderúrgico ainda não reflete os efeitos positivos que devem ter o aumento do preço do minério de ferro e, em consequência, dos produtos siderúrgicos.

 
Opinião do Mercado


Ricardo Martins
Analista e Gerente de Pesquisa
Planner Corretora

O reajuste do minério de ferro ocorrido no início do segundo trimestre deste ano foi muito forte. Isso vai elevar os custos das siderúrgicas e de toda a cadeia. Escutam-se declarações em linha até do setor automobilístico. Como consequência, as empresas siderúrgicas estão mais expostas em relação aos seus custos, pois a previsibilidade dele em relação à produção fica mais difícil. Ou seja, é mais complicado prever como é que vai se comportar o custo do minério para as siderúrgicas após a alteração na forma de calcular o aumento do minério.

Esse reajuste, que passou a ser trimestral, vai exigir que o setor siderúrgico faça também revisões periódicas. No mercado interno, esse aumento já ocorreu nos preços de bobinas a quentes e a frio, respectivamente, de 10% e 12%, assim como também de 10% nos produtos galvanizados. Mas isso não quer dizer que para neste patamar, já que nos próximos trimestres haverá novos reajustes. Além disso, as siderúrgicas que têm minas próprias também podem tirar proveito deste aumento, como é o caso da Gerdau, da CSN, com a abertura de capital da Casa de Pedra provável de acontecer ainda este ano.

A demanda também deve retomar, assim como a margem das companhias do setor. Se a China impuser algum controle por conta da inflação, a demanda mundial pode desacelerar e isso ter algum reflexo nos preços. No entanto, a demanda no mercado brasileiro tem tudo para continuar elevada, com os projetos do setor de construção civil, de infraestrutura e os eventos que tem pela frente. Portanto, as siderúrgicas vão conseguir manter preço e margem. Isso ficou evidente nos resultados do primeiro trimestre, em que a participação do mercado externo caiu, mas o preço interno compensou.  

Recomendação: Olhamos para as três principais - CNS, Gerdau e Usiminas -, mas para cada uma de forma diferente. No início do ano, estávamos focando na Gerdau, devido ao crescimento robusto e ao assunto “Zona do Euro” não estar tão influente no mercado financeiro. Apesar do cenário externo ter piorado em razão desse assunto, recomendamos Gerdau por conta do mercado interno, o desempenho positivo e futuro para a construção civil, os eventos esportivos, e o programa “Minhas casa, minha vida”, que vai estimular ainda mais o setor imobiliário. Portanto, o interessante é ter um posicionamento mais defensivo, especialmente, apostando em empresas com operações no mercado interno e que possam se contagiar o menos possível com o atual mercado externo. Por isso, passamos a recomendar a Usiminas. Ela tem foco em chapas grossas e sai ganhando com os investimentos no Pré-Sal. A CSN também começou a ficar um pouco para traz em termos de performance em bolsa. Por isso, estamos indicando a CSN.


 

Rafael Weber
Analista Geração Futuro

No início do segundo trimestre acompanhamos o anuncio do aumento do preço de aço vendido pela CSN. Isso já é fruto do reajuste do minério de ferro em abril. No mercado internacional já estamos observando a mesma tendência. Esses incrementos também devem ocorrer no mercado interno no segmento de aços planos em que atua, além da CSN, a Usiminas, especialmente, porque se espera que ainda no segundo trimestre ocorra um novo aumento de preço do minério de ferro e do carvão, já que esta correção passa a ser trimestral.

Essas matérias-primas do setor siderúrgico estão com preços 50% acima em relação ao início do ano, quando a precificação era ainda anual e não baseada no mercado à vista. Em 2009, o minério de ferro teve redução de 30% em relação a 2008, devido à redução da demanda decorrente do cenário de crise. Portanto, já estamos vendo preços muito próximos a 2008 no setor siderúrgico, se excluirmos os valores dos fretes, há dois anos estava muito alto. Este ano ele tem se mostrado menor, devido a um número maior de navios para transporte dessas cargas.

Até 2013 não devemos ver entradas de ofertas no mercado mundial de produtos siderúrgicos. As economias não estão totalmente recuperadas. Durante a crise, observamos postergação e cancelamentos de novas capacidades das grandes empresas e das novas entrantes.
Esse aumento considerável na produção deve voltar em dois ou três anos, quando observaremos um equilíbrio entre oferta e demanda.

Recomendação: Em carteira, a Geração Futuro possui as três principais, especialmente no segmento de aços planos. A Usiminas há mais tempo, e em março, compramos nos posicionamos na CSN.  Também tempos ações da Gerdau, mas um pouco menos que as duas outras.  

Para saber mais sobre a Gerdau, leia a matéria publicada no dia 10 de maio na editoria de Setor&Cias do Acionista.com.br .


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Indicadores
Empresa ► CSN Ferbasa Usiminas
  Dados▼ CSN3 FSA4 USIM5
Nível Gov. Corporativa - - N1
PL 1tr09 R$ MM 6.907,59 864,74 14.717,39
PL 1tr10 R$ MM 6.014,63 985,30 15.577,98
LL 1tr09 R$ MM 368,82 22,62 (111,88)
LL 1tr10 R$ MM 481,57 17,537 308,59
Variacao LL 1tr10(%) 30,57 (22,48) (375,83)
ROE 1tr10 (%) 8,00 1,77 1,98
Índices Bovespa      
Ibovespa . . .
IBRX-50 . . .
IBRX .. . ..
IGC . . .
Itag . . .
ISE . . .        .
IVBX2 . .
MLCX . .       √.
SMLL . .
ICON . .
INDX . ..          ..

Informações Relevantes:
NE - Não existe
ROE - Retorno sobre o Patrimônio Líquido (LL/PL consolidados), calculado pelo Acionista.com.br
Obs. Apesar de listada na BM&Fbovespa, a Vicunha não tem mais ativos negociados no mercado à vista.
Fonte: Relatório das Empresas e Bovespa

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                Governança Corporativa
Empresas Periodicidade Dividendos/ano %Dividendo LL Tag Along (On) e (PN) Conselheiros Independentes
CSN Anual

70%

Não Sim
Ferbasa* Anual 25% Não Não
Usiminas Anual 25% e +10% (PN) Não Sim


Informações Relevantes:
*As informações da Ferbasa não foram confirmadas pela área de relações com investidor. No entanto, as que estão apresentadas acima estao contidas no Estatuto.
Para as empresas que não especificamos o direito ou não de tag along para as ações preferenciais, significa que elas têm somente uma classe de ação.
As informações citadas acima são determinadas em estatuto e, no caso dos dois primeiros itens, podem ser feitos diferentemente na prática. Os dados da CSN dizem respeito à prática da companhia nos últimos anos.
Definição de Conselheiro Independente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): O Conselho da organização deve, preferencialmente, ter maioria de conselheiros independentes. O conselheiro independente se caracteriza por: Não ter qualquer vínculo com a organização, exceto eventual participação de capital; não ser acionista controlador, membro do grupo de controle, cônjuge ou parente até segundo grau destes, ou ser vinculado a organizações relacionadas ao acionista controlador;não ter sido empregado ou diretor da organização ou de alguma de suas subsidiárias; não estar fornecendo ou comprando, direta ou indiretamente, serviços ou produtos à organização;não ser funcionário ou diretor de entidade que esteja oferecendo serviços ou produtos à organização;não ser cônjuge ou parente até segundo grau de algum diretor ou gerente da organização;não receber outra remuneração da organização além dos honorários de conselheiro (dividendos oriundos de eventual participação no capital estão excluídos desta restrição)No Novo Mercado é obrigatório que 20% dos conselheiros sejam independentes.
Fonte: site das companhias e Bovespa (Tag Along)
 

Acesse a Agenda de Resultados 1T10  &  Acesse Cotações Cias participantes do Novo Mercado de Gov. Corporativa

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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