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Setor  Auto Peças - Fortes resultados
16 de Novembro de 2010
Desempenho
 

A produção de veículos no Brasil continua surpreendendo. Em doze meses encerrados no mês de outubro, ela cresceu 15,3%, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A previsão para este ano é uma expansão de 13% do indicador. Isso significa 3,62 milhões de unidades a mais no mercado. O destaque deve ficar por conta dos veículos pesados, entre ônibus e caminhões, cuja previsão é fechar o ano com incremento de 50%. A expectativa para a expansão da frota de veículos e comerciais leves é de 11%.

Dados da indústria brasileira de bens de capital mecânico divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também mostram substancial incremento em 2010. O faturamento bruto nos primeiro nove meses do ano cresceu 11,57% em relação ao mesmo período de 2009, totalizando R$ 53,158 bilhões. Assim como o nível de utilização, que subiu de 82,3% em setembro do ano passado para 84,7% neste ano.

A isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a redução de juros para as linhas de financiamento de caminhões justificam, juntamente com o cenário econômico brasileiro positivo, estes números. No entanto, margens, receita e a utilização da indústria ainda não alcançaram os mesmos patamares de 2007/2008, como pode ser observado nos resultados referentes ao terceiro trimestre divulgados recentemente pelas companhias. Além deles, pesquisa da Abimaq revela que o faturamento bruto conquistado pela indústria em 2010 ainda é 13,9% inferior a dois anos, quando a capacidade utilizada também era maior e chegava aos 86,9%. 
 

                Mercado de Ações
 

Conforme avaliação da Corretora Ativa, mesmo que positivos, os dados do setor, divulgados no início de novembro pela Anfavea, são neutros para os papéis. Nos primeiros onze dias de novembro, os papéis apresentaram variações negativas diante do Ibovespa positivo de 1,4%. A Fras-le cai 8%, a Marcopolo, 2,3% e a Plascar 2,1%. As exceçoes são Iochpe, com alta de 3% e  Randon com 0,2%. No ano, no entanto, o índice acumula ganho de 4,4% até o dia 11.11. Essas ações apresentam ganhos consideráveis, respectivamente, 51,4%, 101,9%, 54,3%, 103,4% e 40%. As recomendações e preços-alvos calculados pelos analistas abaixo dão uma idéia da direção que estas ações podem ter daqui para frente.

 
Opinião do Mercado
 

Banco Geração Futuro
Analista Cristiane Ferstenseifer

Em linhas gerais, os resultados da Randon e da Marcopolo superaram as expectativas. A Randon obteve uma receita recorde nunca antes conquistada em um trimestre na história da empresa. Suas margens também foram positivas. Elas ainda não retomaram patamares de 2008, mas, conforme a própria empresa ressaltou, são excelentes em comparação ao setor em nível mundial. Além disso, são sustentáveis no longo prazo, especialmente, os 15% de margem Ebitda.

Em termos de margens, há outros componentes importantes que influenciam a Marcopolo. O impacto maior é da variação cambial. Até porque as vendas para o exterior e o faturamento obtido com subsidiárias no exterior é maior na empresa. Por outro lado, um ponto que a Marcopolo chama a atenção e que deve aumentar participação nas suas receitas são as operações na Índia. Apesar das margens com estas vendas estarem pequenas agora, já que resultam da venda de produtos mais simples, elas devem aumentar devido ao incremento na venda de produtos premium.

Para os próximos dois trimestres, a expectativa é que as vendas do setor continuem no mesmo ritmo, ainda impactadas pelos incentivos governamentais e pelo crescimento da economia. Para 2011, esperamos uma desaceleração no crescimento dos volumes vendidos, especialmente, porque a base de comparação entre 2009 e 2010 será superior. Além disso, embora as condições facilitadas não estejam mais presentes no mercado, temos que considerar que, se o crescimento esperado para o PIB de 4,5% se concretizar, a demanda no setor vai continuar. Outro fator que deve impactar positivamente as companhias é a entrada em 2012 da norma ambiental relativa a emissões de poluentes para caminhões e ônibus – a Euro 5 –, que deve elevar o preço das unidades a partir deste ano. Portanto, muitas vendas do segundo semestre de 2011 deve ser se antecipando a isso.

Recomendação: Marcopolo e Randon estão nas nossas carteiras, mas estamos revisando os preços em função dos resultados.


Artur Delorme
Analista Ativa Corretora

Informações divulgadas em relatórios nos dias 08,09 e 11.11.

Merece destaque o elevado patamar da produção de veículos pesados no mercado interno. De qualquer forma, acreditamos que as perspectivas continuam positivas para a indústria automobilística nacional, beneficiada pelo aquecimento da atividade econômica, aliado aos estímulos do governo federal (isenção do IPI até dez/10 e extensão do Finame até mar/11), contribuindo para o crescimento da demanda por veículos pesados no mercado interno.

A Randon vem apresentando excelente crescimento do faturamento líquido mensalmente, o que confirma o cenário de forte expansão da demanda no segmento de veículos pesados, ratificando as perspectivas positivas para a companhia. Esperamos uma receita líquida de
R$ 3,61 bilhões para o ano de 2010, montante 46% maior que o resultado em
2009 e 6,1% superior ao guidance de R$ 3,4 bilhões da companhia. Considerando a receita mensal média dos últimos dois trimestres (R$ 317 milhões), e extrapolando-a para o último trimestre deste ano, encontraremos um faturamento de aproximadamente 3,64 bilhões, acima, inclusive, das nossas estimativas.

Por outro lado, os resultados da Marcopolo vieram em linha com o esperado, o que nos parece uma visão Neutra. No entanto, ratificaram o cenário de forte demanda por ônibus no mercado interno, tendência que deverá ser mantida no médio e longo prazo. Acreditamos que as perspectivas são positivas para a companhia, tendo como principais drivers a necessidade de renovação da envelhecida frota nacional, com vista a atender o Decreto das Concessões das linhas estaduais e internacionais, a ser realizada pela ANTT em 2011 através de licitações públicas, bem como a possibilidade de expansão dos mercados de atuação no exterior, principalmente, Índia e Egito.

Quanto à Iochpe Maxion, apesar do resultado apresentado no 3T10 estar em linha com as nossas estimativas, ele é positivo no sentido em que ratifica o cenário favorável para companhia, em função da forte expansão das vendas, aliado ao elevado patamar de rentabilidade das operações. Acreditamos que a Iochpe também se beneficia das perspectivas positivas para o setor automobilístico nacional, que está atrelado aos bons fundamentos da economia brasileira, que proporcionam a expansão da demanda e da produção de veículos pesados e a manutenção dos investimentos em transporte ferroviário de carga, beneficiando os segmentos de atuação da companhia.

Recomendação: COMPRA para Randon (RAPT4), considerada nossa top pick para o setor, com target price de R$ 15,95/ação para jun/11. Após a atualização do nosso target price de jun/11 para dez/11, este ficou em R$ 7,33/ação. Por outro lado, estamos alterando nossa recomendação para Marcopolo (POMO4) de compra para NEUTRA, em função da forte valorização apresentada pelos papéis este ano e do baixo upside encontrado, sinalizando que as boas perspectivas para a empresa já estão em grande parte precificadas. E recomendamos VENDA para Iochpe (MYPK3), após a atualização do nosso target price de jun/11 para dez/11, este ficou em R$ 26,15/ação, em função da forte valorização apresentada pelos papéis neste ano, e do baixo upside encontrado, sinalizando que as boas perspectivas para a empresa também já estão precificadas.


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Indicadores
Empresa ► Fras-le Iochpe-Maxion Mahle Metal Leve Marcopolo Plascar Randon Part. Recrusul Riosulense Tupy
  Dados▼ FRAS4 MYPK3 LEVE4 POMO4 PLAS3 RPT4 RCSL4 RSUL4 TUPY3
Nível Gov. Corporativa N1 MN - N2 - N1 - - -
PL 3tr09 R$ MM 227,85 461,18 542,89 728,41 286,09 871,68 - (19,96) 831,18
PL 3tr10 R$ MM 264,72 813,71 646,44 919,19 259,42 1.028,76 0,34 31,25 991,93
LL 3tr09 R$ MM 12,44 11,59 32,23 20,87 9,76 26,99 (1,65) (1,85) 9,30
LL 3tr10 R$ MM 9,81 58,60 37,56 68,71 8,96 66,77 (296,00) (0,72) 58,75
Variacao LL 2T10(%) (21,12) 405,76 16,54 229,27 (8,14) 147,38 17850,27 (61,08) 532,10
ROE 2T10(%) 3,70 7,20 5,81 7,47 3,45 6,49 NE NE 5,92
Índices Bovespa                  
Ibovespa
IBRX-50 ..
IBRX ... ..
IGC .. .. .. ..
Itag .. .. ..
ISE
IVBX2
MLCX                  
SMLL .. .. .. ..
INDX . .. .. .. ..

Informações Relevantes:
ROE - Retorno - lucro líquido sobre patrimônio líquido consolidados
NE - Não Existe
Resultados da Marcopolo e Recrusul não são consolidados.
Resultados da Riosulense estão em IFRS.
Fonte: Resultados Consolidados disponibilizados na BM&FBOVESPA seguindo a Legislação Societária.

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                Governança Corporativa
Empresas

Payoyt

Periodicidade

Tag Along ON PN Conselheiros Independentes
Fras-le 25% +10%PN Anual Não* Sim
Iochpe-Maxion 37% Anual 100% Sim
Metal-Level Payout não fixado* Anual Não Não
Marcopolo 25% +10% PN Anual 100%ON/80%PN Sim
Plascar 25%ON/ 10%PN Anual Não Não
Randon 30% Anual 80% Sim
Recrusul - - Não -
Riosulense - - Não -
Tupy 25% Anual 80% Sim


Informações Relevantes
Metal-Leve - não tem % do lucro líquido fixado a ser pago em forma de dividendos, no entanto, atribuiu um % superior a 10% do valor pago às ações ON para as PN.
Mahle Metal Leve e Plascar não especifica se existe algum conselheiro considerada independente, assim como não detalha esta possibilidade no Estatuto.
Recrusul não especifica informações devido ao período em recuperação judicial.
Riosulense não disponibiliza informações no seu site, nem dá detalhes na parte de GC no site da BM&FBOVESPA.

Payout é o percentual pago do lucro líquido em forma de dividendos e juros sobre capital.
Conselheiro Independente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): O Conselho da organização deve, preferencialmente, ter maioria de conselheiros independentes. O conselheiro independente se caracteriza por: Não ter qualquer vínculo com a organização, exceto eventual participação de capital; não ser acionista controlador, membro do grupo de controle, cônjuge ou parente até segundo grau destes, ou ser vinculado a organizações relacionadas ao acionista controlador;não ter sido empregado ou diretor da organização ou de alguma de suas subsidiárias; não estar fornecendo ou comprando, direta ou indiretamente, serviços ou produtos à organização;não ser funcionário ou diretor de entidade que esteja oferecendo serviços ou produtos à organização;não ser cônjuge ou parente até segundo grau de algum diretor ou gerente da organização;não receber outra remuneração da organização além dos honorários de conselheiro (dividendos oriundos de eventual participação no capital estão excluídos desta restrição)No Novo Mercado é obrigatório que 20% dos conselheiros sejam independentes.
Para as empresas que não especificamos o direito ou não de Tag Along para as ações preferenciais, significa que elas têm somente uma classe de ação, a Ordinária (ON).
As informações citadas acima são determinadas em estatuto e, no caso dos dois primeiros itens, podem ser feitos diferentemente na prática.
Fonte: site das companhias e BM&FBovespa (Tag Along)

 

Mais informações: Agenda de resultados, teleconferências e resultados já divulgados 3T10.

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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