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Setor Aéreo : Aposta no mercado interno
14 de junho de 2010
Desempenho
 

No primeiro trimestre, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) distribuiu 202 dos 355 slots (horários de pouso e decolagem) ociosos em Congonhas. As empresas NHT (do Rio Grande do Sul) passou a operar com 28 horários, a Webjet, com 18, e a Azul, com 8. A OceanAir, que já operava em Congonhas, ganhou a permissão de ampliar em quase 30% sua participação naquele aeroporto: serão 38 novos slots , totalizando 132 pousos e decolagens no aeroporto paulistano. A TAM vai somar 54 slots aos atuais 1.404 horários (crescimento inferior a 4%) e a Gol, que opera hoje 1.448 pousos e decolagens em Congonhas, terá mais 56 (aumento também menor do que 4%).

Essa é a sinalização de que o mercado interno está crescendo. No primeiro trimestre, o incremento na demanda foi de 35% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, a taxa média de ocupação das aeronaves cresceu 7,9 pontos percentuais para 71,6%. Apesar de representar maior concorrência para GOL e TAM, é exatamente essa expansão que tem dado força às expectativas positivas do mercado em relação ao mercado de aviação civil. Para não perder espaço, nem comprometer suas rentabilidades – que vêm de anos ruins –, elas têm anunciado alianças e reestruturado operações. No caso da TAM, a empresa abriu o capital da Multiplus, na qual reuniu diversas fontes de receitas, uma delas, o cartão fidelidade e de milhas. E para garantir a posição no mercado externo, fez aliança com a maior rede internacional, a Star Alliance, que reúne 27 companhias, presentes em quase 200 países.

Por outro lado, o mercado internacional continua apresentando uma retomada lenta. No primeiro trimestre – ainda não atingido pela crise europeia – a demanda nos slots ocupados pelas companhias aéreas brasileiras cresceu 12%. A oferta de assentos, no entanto, não foi elevada pelas companhias. Com isso, Embraer, fabricante de aviões, entregou cinco aeronaves abaixo do trimestre anterior, totalizando 21, conforme destaca a empresa em relatório. O mesmo ritmo se observa na aviação executiva. Por isso a companhia também está se voltado ao mercado brasileiro. Ela deve começar a direcionar as suas forças de vendas para o Brasil, com novos entrantes e com uma demanda cada vez mais crescente, impulsionada pelas próprias empresas aéreas, que têm criado alternativas e atrativos aos consumidores.

 

                Mercado de Ações
 

A GOL e a TAM estão apresentando números, especialmente de assentos ocupados, a cada mês melhores e bem acima das expectativas do mercado, o que tem beneficiado os papéis. No entanto, essas ações ainda não retomaram aos níveis pré-crise de 2008, especialmente, no caso da TAM. O mesmo acontece com a Embraer. Conforme observa a Prosper Corretora, a fabricante de aeronaves chegou a ter o papel valendo R$17,00, baixou até R$5,30 no pior da crise, e vem recuperando, mais ainda está na faixa de R$9,00 ,ou seja, metade do que valia.

Para a Prosper, o endividamento menor da GOL em relação à TAM é uma vantagem que fica explícita no preço dos papéis. Segundo levantamento da SLW Corretora, a GOL perde 17,7%, a TAM, 35,6%, e a Embraer 1,3% do fechamento do dia 09.06 em relação ao início do ano. Os potenciais de valorização até o mês de dezembro ficam, respectivamente, 52,8%, 62,2% e 38,3%. Diante deles, a recomendação da SLW é de Compra para as duas primeiras e Manutenção para Embraer.

 
Opinião do Mercado


Simone Escudêro
Diretora de Projetos da All Consulting

As previsões das companhias do setor eram otimistas no início do ano, em função do cenário econômico, que acabou favorecendo o mercado de maneira geral. Isso ficou claro, pois até então não se viu espaço para guerra tarifária entre elas, como antigamente. As empresas estão conseguindo ter uma taxa de ocupação maior que antes. No decorrer do ano, no entanto, devemos observar um aumento de competitividade em São Paulo, por causa da abertura de Congonhas para mais três companhias. Talvez decorrente desse fato, podemos ver uma queda de rentabilidade dos vôos que saem desse aeroporto.

No entanto, as companhias estão sendo muito agressivas nas suas estratégias, e estão conseguindo manter a rentabilidade em outras fontes de receitas. Os acordos que elas vêm fazendo, as parcerias, o cartão fidelidade são algumas delas. Então, hoje, o consumidor tem se beneficiado disso, e essas ações tem incluído outras classes econômicas. O parcelamento de passagens é uma das vantagens. Todas essas facilidades proporcionaram que o transporte aéreo não concorresse mais com o rodoviário.

Diante disso, as empresas devem continuar crescendo em escala, apesar de não conseguirem elevar a margem. Com toda essa concorrência, onde as empresas puderam enxugar custos e despesas, elas estão e continuarão fazendo, e estão conseguindo maximizar os resultados. Por isso, acho que o cenário este ano é mais favorável que de 2009, apesar do setor ser muito vulnerável a qualquer abalo. A distribuição de mais slots em São Paulo pode causar impactos. O aumento do petróleo e a valorização do dólar também elevam os custos. E o agravamento do cenário na Europa não deixa de ser um ponto negativo à vida de turistas.


 

Equipe do Departamento de Pesquisa
Prosper Corretora

A questão macroeconômica difere a GOL e a TAM da Embraer. Esta última é exportadora. E as receitas das primeiras provêm predominantemente do mercado interno. A TAM tem uma pequena receita que vem de fora. Por isso, a Embraer está sofrendo com o baixo crescimento dos países desenvolvidos. Até abril desde ano, houve uma forte queda de encomendas de avião, e a questão cambial também não ajuda. Nos últimos sete anos, o real vem se apreciando mais que o dólar. E mesmo depois da valorização nesse ano, ainda está muito baixo em termos de reais. A companhia também vem sendo afetada pela recessão europeia, que é grande compradora de aviões, além de ter perdido mercado com a crise de 2008 nos EUA.

Olhando pra frente, além de GOL e TAM estarem apresentando números melhores, especialmente de assentos ocupados, elas tem potencial de crescimento – inclusive na bolsa de valores -, em função do mercado interno. O contrário acontece com a Embraer, já que tem boa parte de suas receitas dependentes do mercado externo. Por isso, a Embraer está tentando descolar suas vendas para o mercado interno. No entanto, isso não é tão rápido. Ela está revendo seu plano estratégico e desenvolvendo um planejamento para aproveitar a entrada de novas empresas (e estrangeiras) no mercado interno de avião, ou seja, suas possíveis clientes. No entanto, para 2010, acredito que o seu desempenho continua defasado.

 


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Indicadores
Empresa ► Embraer Gol Tam
  Dados▼ EMBR3 GOLL4 TAMM4
Nível Gov. Corporativa NM N2 N2
PL 1tr09 R$ MM 5.946,16 1.478,17 689,65
PL 1tr10 R$ MM 5.167,41 2.637,96 940,58
LL 1tr09 R$ MM 38,26 61,43 25,71
LL 1tr10 R$ MM 44,09 83,92 (58,10)
Variacao LL 1tr10(%) 15,24  36,61 (325,95)
ROE 1tr10 (%) 0,85 3,18 NE
Índices Bovespa      
Ibovespa . ... .
IBRX-50 . ... .
IBRX .. ... ..
IGC .. ... .
Itag .. ... ...       .
ISE .. . .   .
IVBX2 . ...      ..   .
MLCX . ...      .
SMLL . .    ..    .
ICON . .
INDX .
IEE
IMOB
ITEL
IFNC . .      .

Informações Relevantes:
As ações da S.A Viação Aérea-Riograndense e da Varig Participações, resultantes da divisão da companhia Varig após a aquisição da Gol, ainda são negociadas no mercado à vista. No entanto, as companhias estão em fase final de recuperação judicial, e desde 2006 não apresentam seus resultados à BM&FBovespa.
NE - Não existe
ROE - Retorno sobre o Patrimônio Líquido (LL/PL consolidados), calculado pelo Acionista.com.br
Obs. Apesar de listada na BM&Fbovespa, a Vicunha não tem mais ativos negociados no mercado à vista.
Fonte: Relatório das Empresas e Bovespa

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                Governança Corporativa
Empresas Periodicidade Dividendos/ano %Dividendo LL Tag Along (On) e (PN) Conselheiros Independentes
Embraer Anual

25%

100% Sim
Gol Anual 25% 100% ON e PN Sim
Tam Anual 25% 100% ON e PN Sim


Informações Relevantes:
Definição de Conselheiro Independente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): O Conselho da organização deve, preferencialmente, ter maioria de conselheiros independentes. O conselheiro independente se caracteriza por: Não ter qualquer vínculo com a organização, exceto eventual participação de capital; não ser acionista controlador, membro do grupo de controle, cônjuge ou parente até segundo grau destes, ou ser vinculado a organizações relacionadas ao acionista controlador;não ter sido empregado ou diretor da organização ou de alguma de suas subsidiárias; não estar fornecendo ou comprando, direta ou indiretamente, serviços ou produtos à organização;não ser funcionário ou diretor de entidade que esteja oferecendo serviços ou produtos à organização;não ser cônjuge ou parente até segundo grau de algum diretor ou gerente da organização;não receber outra remuneração da organização além dos honorários de conselheiro (dividendos oriundos de eventual participação no capital estão excluídos desta restrição)No Novo Mercado é obrigatório que 20% dos conselheiros sejam independentes.
Para as empresas que não especificamos o direito ou não de tag along para as ações preferenciais, significa que elas têm somente uma classe de ação.
As informações citadas acima são determinadas em estatuto e, no caso dos dois primeiros itens, podem ser feitos diferentemente na prática. Os dados da CSN dizem respeito à prática da companhia nos últimos anos. Fonte: site das companhias e BM&FBovespa (Tag Along)
 

  Acesse Cotações Cias participantes do Novo Mercado de Gov. Corporativa

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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