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Setor Carnes - Volta das margens


13 de Dezembro de 2010

Desempenho
 

As produtoras de carnes in natura e industrializados conseguiram retomar o crescimento que vinham tento até a crise de 2008. Isso ficou evidente novamente nos resultados reportados no terceiro trimestre, quando todas conquistaram margens iguais ou crescentes em relação ao mesmo período do ano passado. Esse fato se torna mais positivo ainda diante do aumento de custos para estas companhias observados ao longo de 2010, especialmente devido ao aumento dos preços das commodities.

A arrouba bovina teve sue preço incrementado em 30% no ano. A cotação do milho acumula alta de 24,6% no mesmo período, a da soja de 14,2%. Todas elas são insumos para estas empresas. Apesar de operacionalmente não trazerem efeitos negativos por enquanto, no mercado financeiro ainda representam um risco para o setor. Por outro lado, as expectativas para o mercado consumidor continua positiva, principalmente, no mercado brasileiro. Nos primeiros dez meses do ano, as vendas dos supermercados haviam crescido quase 4,7% e as do varejo medidas pelo IBGE tiveram expansão de 11,4% em 2010.

 
                Mercado de Ações
 

O comportamento dos ativos do setor foram divergentes no último mês, logo após a divulgação dos resultados. Entre as ações que perfomaram em azul estão Minerva, com ganho de 7,92% no mês, Brasil Foods, com 3,32% e JBS com 0,15%, frente a uma queda no Ibovespa de 4,2%. Enquanto as ações de Marfrig fecharam o mês no negativo em 15,15%. No ano, as ações da Brasil Foods estão positivas 13,3% e as da Minerva, 12%. Por outro lado, JBS e Marfrig acumulam quedas de, respectivamente, 29,4% e 29,3% em 2010.

Conforme a analista Marina Peringer, em relatório setorial divulgado no início de dezembro, os fatores que pesam negativamente para os frigoríficos e podem ter ainda um efeito em bolsa são a contínua valorização da arroba bovina, pressionando os custos das empresas; a desvalorização cambial, visto que o setor é composto por empresas essencialmente exportadoras, e as incertezas macroeconômicas, principalmente na Europa, em alta neste final de ano.
 

Opinião do Mercado

Renato Prado
Analista Fator Corretora

Em relação ao terceiro trimestre, destacaria os resultados da Minerva que foram muito positivos. O fato de ter havido a alta da arroba do boi ao longo de 2010, que representa 80% do custo da companhia, e da empresa ter conseguido repassar esse aumento para o corte da proteína vendida aqui no Brasil e lá fora na mesma velocidade, foi muito positivo, e resultou na manutenção da sua margem bruta.

Os preços dos produtos vendidos pela Minerva tiveram recuperação já a patamares pré-crise no mercado interno e no externo, de onde veio 67,5% do faturamento da companhia neste ano. No entanto, esse incremento foi anulado pela apreciação do câmbio a um patamar de 15%. Em termos de volume, a companhia conseguiu subiu suas vendas em 31% carne, que corresponde a 55% do seu faturamento. Mas outro efeito negativo que impactou a companhia foi o aumento do custo do boi aqui no Brasil, onde a empresa tem suas unidades produtivas.

Na Brasil Foods, os resultados também refletiram a recuperação dos preços e resultaram em uma margem ebitda crescente, decorrente de uma margem bruta muito forte. Outro efeito positivo foi a redução de alguns custos a partir do aproveitamento de sinergias entre as operações da Sadia e da Perdigão. Uma das ações foi a aquisição conjunta de grãos. Outros ganhos de sinergia devem vir mais para frente e devem ser precificadas no papel da companhia.  Um driver que vai contar para isso é a possibilidade de aumento do consumo de produtos processados no mercado interno. Esses produtos representam 70% da receita total da empresa conquistada através das vendas para o Brasil e 60% do faturamento de todas as operações consolidadas. Desse último percentual, 45% vêm de margarinas, pizzas congeladas, massas, frios e resfriados.

A expectativa para o setor é de continuidade da recuperação dos preços dos produtos. Um ponto muito positivo é a exposição da Brasil Foods à proteína de frango. Acreditamos que será a mais consumida no mundo daqui para frente. Outro fato é o aumento do consumo de produtos industrializados à medida que renda do brasileiro cresce, o que também beneficia a empresa.

Recomendação: COMPRA para Brasil Foods, com preço em revisão. E MANTER para Minerva, pois as ações precificadas na nossa visão. No entanto, a empresa tem perspectiva positiva, especialmente pela ideia do crescimento da massa salarial intensa, de continuidade do crescimento brasileiro e da recuperação que se observa no exterior em vários tipos de proteínas voltando a patamares pré-crise. Além disso, a empresa provavelmente não sofrerá em 2011 o impacto de apreciação do câmbio, que este ano deve fechar em 15%.


Marina Peringer
Analista do Banco do Brasil
Informações publicadas em relatórios após a divulgação dos resultados das companhias a partir da segunda quinzena de novembro/2010.

O trimestre foi operacionalmente positivo para a Marfrig. Ainda assim a empresa registrou um prejuízo contábil de R$ 31milhões, em função do aumento de despesas financeiras e de juros provisionados em operações contratadas para compra de Keystone. O prejuízo líquido não era previsto, o que pode gerar alguma pressão de curto prazo nos papéis da companhia. Em suma, apresentou aumento dos volumes vendidos e foi beneficiada pela redução dos preços das commodities agrícolas (soja e milho), o que refletiu o aumento na sua margem bruta. Entretanto, pesaram negativamente a volatilidade dos custos de aquisição de gado e o aumento de despesas operacionais em função de gastos extraordinários das empresas adquiridas. Para os próximos resultados, o desafio da empresa é integrar esses negócios.

Operacionalmente, a JBS também apresentou um bom resultado. Os destaques foram os segmentos de carne suína e de frango nos EUA, que compensaram o fraco resultado de carne bovina naquele país, diferentemente no Brasil, onde a empresa conseguiu repassar os custos para o produto final e ainda ganhar margens com esse segmento.

Existem pontos de atenção para os próximos resultados e riscos a serem monitorados. Um deles é a pressão de custos em função do preço a arroba bovina. Outro é a necessidade de capital de giro crescente que a empresa tem apresentado em função dos aumentos expressivos nas exportações e necessidades das empresas adquiridas. A desvalorização atual do dólar também é ruim, uma vez que 74% das suas receitas vêm do exterior. Portanto, é justificável a pressão baixista nas ações da JBS.

Recomendação: COMPRA para Marfrig, com preço potencial de R$ 29,40 para dez/2011. Destacamos nossa expectativa de aumento na lucratividade em cada um dos segmentos com a captura de sinergias. E COMPRA para JBS, com preço potencial de R$13,18 para dez/2011.  

 

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Indicadores
Empresa ► Brasil Foods Excelsior JBS Marfrig Minerva Minupar
  Dados▼ PRGA3 BAUH4 JBSS3 MRFG3 BEEF3 MNPR3
Nível Gov. Corporativa NM - NM NM NM -
PL 3T09 R$ MM 13.171,71 7,16 4.942,72 2.821,65 529,76 (176,34)
PL 3T10 R$ MM 13.562,29 1,77 18.912,51 6.690,64 496,54 (98,75)
LL 3T09 R$ MM 211,36 (0,14) 184,51 200,50 5,95 (137,38)
LL 3T10 R$ MM 189,68 (0,41) 133,488 (30,93) 19,84 (7,10)
Variacao LL  3T10 (%) (10,26) 194,93 (27,65) (115,43) 233,55 (94,83)
ROE  3T10(%) 1,39 NE 0,70 NE 3,99 NE
Índices Bovespa            
Ibovespa . .
IBRX-50 . .
IBRX . . .
IGC . . . .
Itag . . . .
ISE .
IVBX2 . .
MLCX . . .
SMLL . .
ICON . . .
INDX . . . . .
IEE .
IMOB .
ITEL . .
IFNC . .

Informações Relevantes:
ROE - Retorno - lucro líquido sobre patrimônio líquido consolidados
NE - Não Existe
Fonte: Bovespa

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                Governança Corporativa

Empresas

Periodicidade Dividendos/ano

% Dividendo LL

Tag Along
(On) e (PN)

Conselheiros Independentes

Brasil Foods 25% Anual 100% Sim
Excelsior* - Anual Não -
JBS 25% Anual 100% Sim
Marfrig 25% Anual 100% Sim
Minerva 25% Anual 100% Sim
Minupar 25% Não Não -


Informações Relevantes:

*De acordo com página de Governança Corporativa da Empresa na BM&FBOVESPA: "A empresa ainda não possui instrumentos de governança corporativa". A companhia também não possui site de Relações com Investidor. Informações sobre a empresa podem ser acessada no site http://www.excelsior.ind.br.
*A empresa não tem ainda projetos nesta área é a informação divulgada no espaço destinado à GC na página da empresa na BM&FBOVESPA.
As informações citadas acima são determinadas em estatuto e, no caso dos dois primeiros itens, podem ser feitos diferentemente na prática.
Definição de Conselheiro Independente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): O Conselho da organização deve, preferencialmente, ter maioria de conselheiros independentes. O conselheiro independente se caracteriza por: Não ter qualquer vínculo com a organização, exceto eventual participação de capital; não ser acionista controlador, membro do grupo de controle, cônjuge ou parente até segundo grau destes, ou ser vinculado a organizações relacionadas ao acionista controlador;não ter sido empregado ou diretor da organização ou de alguma de suas subsidiárias; não estar fornecendo ou comprando, direta ou indiretamente, serviços ou produtos à organização;não ser funcionário ou diretor de entidade que esteja oferecendo serviços ou produtos à organização;não ser cônjuge ou parente até segundo grau de algum diretor ou gerente da organização;não receber outra remuneração da organização além dos honorários de conselheiro (dividendos oriundos de eventual participação no capital estão excluídos desta restrição)No Novo Mercado é obrigatório que 20% dos conselheiros sejam independentes.
Fonte: site das companhias e Bovespa (Tag Along)
 

Acesse a Agenda de Resultados 3T10

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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