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Setor Varejo: Perspectivas para Varejo

09 de Janeiro de 2012

 

 

Segmentos varejistas menos dependentes do crédito devem ser os mais beneficiados com o aumento do salário mínimo e queda dos juros

 

Em 2012, o setor varejista continuará sendo o mais beneficiado pelo novo padrão de consumo que o país atingiu e estímulos macroeconômicos como o reajuste do salário mínimo e a queda dos juros. Por isso, continuará sendo apontado como o motor da economia interna. Segundo a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), a expansão do setor deve ser maior que o crescimento esperado para o PIB nacional. Respectivamente, os indicadores de incremento deverão ser em torno de 4,5% e 3,5% em relação a 2011.

 

A redução dos juros básicos, medido pela taxa Selic, iniciada na metade do ano passado, segue como estímulo ao setor, que terá mais um aliado: o aumento do salário mínimo nacional, que foi de quase 15%. Esse percentual a mais no bolso do brasileiro deve injetar R$47 bilhões na economia interna no ano que começa, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 

Para o consultor da Planning & Management, Haroldo Monteiro, o segmento de supermercados será o mais beneficiado com o aumento do salário mínimo no curto prazo. Outro mercado que veio tendo bom desempenho, ainda na passagem de 2011 para 2012, é o de produtos de linha branca. Isso deve ficar evidente nos resultados referentes ao quarto trimestre do ano passado, ainda não divulgados. O segmento foi o grande beneficiado pela nova rodada de estímulos fiscais aplicada durante o segundo semestre pelo Governo Federal como resposta à continuidade do cenário de crise internacional, puxada pelos países do Euro.

 

Junto a esses facilitadores do setor, como se refere o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Júnior, há, no entanto, alguns complicadores que afetam de forma diferenciada os diversos subsetores do varejo ao longo deste ano. Um desses obstáculos ao bom desempenho do setor é o nível de endividamento do brasileiro. O indicador foi aumentando ao longo de 2011 e o dado mais recente, que é relativo ao mês de novembro, mostra um incremento da ordem de 17,4% em doze meses, segundo dados da Serasa Experian.

 

Na outra ponta da equação que permite traçar uma perspectiva para o setor está o volume de crédito destinado para pessoas físicas no país. Conforme a Serasa Experian, durante o mesmo período, os valores disponíveis para empréstimos caíram 7,4%. O montante menor disponível para empréstimos em relação a outros anos deve permanecer em 2012. Segundo o consultor Haroldo Monteiro, há dois motivos mais evidentes para a estabilização do crescimento do crédito no Brasil: os bancos estão mais restritivos e o alto índice de inadimplência do brasileiro. 

 

Diante de todos esses sinais, o especialista acredita que a expansão no setor será mais moderada durante todo o ano. Mas durante o primeiro trimestre, ela deve ficar mais evidente. “As varejistas ficaram com estoques altos e devem tentar reduzi-los durante os primeiros meses”. Com isso, as margens referentes aos resultados desse período também virão mais apertadas. A expectativa é que durante o segundo semestre haja uma melhora no setor, especialmente, devido ao efeito da queda dos juros.

 

O presidente da CNDL observa que os setores que não conseguem assimilar um aumento na inadimplência devem sofrer mais ao longo do ano. Entre eles estão as vendedoras de linha branca e móveis. Outros segmentos, como vestuários e calçados, já conseguirão lidar melhor com esta combinação de fatores que afetará o varejo durante o período. No entanto, entre as empresas desses últimos segmentos, as menos dependentes de crédito deve ter um desempenho melhor ainda. Segundo Monteiro, Planning & Management , companhias de capital aberto  como Arezzo, Hering e Le Lis Blanc, que crescem via modelo de franquia, são bons exemplos. De outro modo, empresas como Lojas Renner e Marisa  têm os resultados mais dependentes do crédito. Diante disso, a expansão via abertura de novas lojas também deve ser menor.   

 

Empresas

Periodicidade Dividendos/ano

Dividendos (%) LL

Tag Along
(On) e (PN)

Conselheiros Independentes

Alpagartas 25% Ano Não Não
Ambev 25% Ano Não Não
Arezzo 25% Ano 100% Sim
B2W 25% Ano 100% Sim
Cambuci - - 80%ON/PN -
Cia Hering 25% Ano 100% Sim
Globex 25% Ano Não Não
Grazziotin 25% Ano 100%ON/PN Não
Guararapes 25%+10%PN Ano Não Não
Grendene 25% Ano 100% Sim
Hypermarcas 25% Ano 100% Sim
Le Lis Blanc 25% Ano 100% Sim
Lojas Americanas - - 100%ON/PN -
Lojas Renner 50% Ano 100% Não
Magazine Luiza 15% Ano 100% Sim
Marisa 25% Ano 100% Sim
Marisol - - 80% ON/PN -
Mundial 30% Ano Não Não
Nadir Figueiredo - - 80% ON/PN -
Natura 45% Ano 100% Sim
Pão de Açúcar 25% Trimestre Não Sim
Saraiva 25% Ano 100%90% Não
Technos 25% Ano - Sim
Vulcabras/Azaléia 25% Ano Não Sim
 

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

      redacao@acionista.com.br


 

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