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Setor Agronegócio - Atenção ao curto prazo


06 de Dezembro de 2010

Desempenho
 

O terceiro trimestre foi marcado pelo final da colheita de algodão (primeira e segunda safra) e da segunda safra do milho. No período, também iniciou o calendário agrícola 2010/11, com o plantio de soja. Ainda recentemente, houve um aumento maior das cotações dos grãos, mas logo sua posterior realização. Esse último movimento ainda não influenciou os ganhos das companhias. Os resultados divulgados após o fechamento do terceiro trimestre se justificam em parte nas altas das commodities no acumulado de 2010, que parece ser a tendência de longo prazo. O mesmo caso se aplica aos fertilizantes, que têm perspectiva de continuidade de crescimento nas vendas, acompanhando a demanda por grãos. 

Conforme relatório do analista Marco Saravelle da Corretora Coinvalores, alguns fatores deverão contribuir para a manutenção dos preços em níveis confortáveis para os produtores de alimentos, impactando diretamente e positivamente a demanda por fertilizantes. Entre eles estão problemas na oferta de alimentos, (causados principalmente por adversidades climáticas restringindo a produção); a forte demanda mundial por alimentos; e a desvalorização mundial do dólar, que contribui com o aumento das commodities. 

 
                Mercado de Ações
 

De maneira geral, as empresas do setor refletem o aumento da demanda e dos ganhos das companhias produtoras de grãos e de fertilizantes. A Vale Fertilizantes, que adquiriu a Fosfértil (e incorporou seu código FFTL4 na BM&FBOVESPA) subiu 11,5% em 2010 no fechamento de novembro. A SLC Agrícola acumula alta de 15,7%. O Ibovespa permanece com perda, e terminou o mês com menos 1,3%. Esses incrementos refletem a valorização de 39,3% do preço do milho e da soja, de 21,7% na Bolsa de Mercadorias de Chicago – CBOT nos onze meses decorridos do ano.
 

Opinião do Mercado

Mariana Peringer
Analista Banco do Brasil

Informações publicadas no relatório setorial publicado dia 02.12

As Commodities agrícolas realizam parte da alta de 2010 nos últimos meses. No mês de outubro, os preços médios do milho, segundo o indicador ESALQ/BM&F, apresentaram queda de 2%, enquanto no comparativo anual acumulam alta de 24,6%. Os preços médios da soja também registraram queda de 3,7% no comparativo mensal, enquanto que comparado ao mesmo mês de 2009, as cotações acumulam valorização de 14,2%. Por isso, o mercado acionário neste final do ano ainda é uma incógnita.

Analisando pela perspectiva da demanda, sazonalmente, o último mês do ano costuma favorecer o varejo. Acreditamos que, internamente, as vendas devem superar o mesmo período do ano passado, uma vez que a renda da população encontra-se superior em relação ao mesmo período do ano passado, e o avanço do crédito corrobora esta expectativa. Portanto, a situação do Brasil não preocupa no curto prazo – mercado interno avança e as exportações demonstram sucesso com a estratégia do país de ganhar espaço no mercado mundial.

Ainda que a demanda global permaneça aquecida, puxada pelos países emergentes, as adversidades climáticas em importantes países provocaram baixas na expectativa de oferta de grãos e, consequentemente, um certo estresse no mercado de commodities. Outros fatores presentes atualmente que geram incertezas são o câmbio e a inflação. O câmbio desvalorizado resulta em menores receitas em reais para as empresas do setor, uma vez que são essencialmente exportadoras. A inflação de alimentos, por sua vez, nos traz uma certa dúvida quanto a como o mercado absorverá ou se terá impacto nas quantidades vendidas, no médio prazo. Preferimos observar como fechará este ano, pois atualmente os pontos negativos têm pesado mais na visão do investidor.

Relatório publicado dia 11.11 referente aos resultados da SLC Agrícola.

O desempenho da SLC foi impactado pelo aumento das vendas de algodão, a marcação a mercado de estoques de algodão, que trouxe impacto positivo os custos, e a venda da fazenda Palmeira, que gerou ganho de capital. Outro fator positivo e que deve ter continuidade foi o aumento da produtividade dos grãos. De acordo com a empresa, a do algodão deve ser superior 4,6% à safra anterior. A soja e o milho alcançaram rendimentos 13,4% e 14,4% maiores. A empresa também deve se beneficiar deste aumento dos preços das commodities, uma vez que a política monetária expansionista norte-americana deva dar sustentação à subida das cotações.

A SLC registrou uma receita operacional bruta de R$ 159,2 milhões no trimestre, 7,5% superior ao ano anterior. As culturas de algodão e soja representaram 53,7% e 18,4% do total do faturamento, respectivamente.O algodão em pluma comercializado no terceiro trimestre é referente à produção do ano-safra 2009/10. No comparativo anual, houve aumento de 61,9% no volume comercializado, em função da antecipação da safra 2009/10 e de 15,6% no preço médio de venda, o que resultou em receitas 86,8% superiores.

Por outro lado, a receita proveniente da soja diminuiu 46,5% em função da redução de 31,2% no volume e preços 21,5% inferiores, devido à variação dos preços aliado à apreciação do real frente ao dólar. Em relação ao milho, este apresentou diminuição de 26,6% da receita, conjunção de volume 30% menor e preços 3,2% superiores, devido à variação das cotações no mercado interno.

A receita líquida, no mesmo período de comparação, apresentou aumento de 9,5%, enquanto os custos recuaram 20,2%, fatores que propiciaram um lucro bruto de R$ 26,3 milhões e uma margem bruta de 17,8%. O algodão e a soja foram responsáveis por 53,2% e 30% do CPV (custo por produto vendido) do período. O custo do algodão apresentou redução de 8,4%, em função do ajuste do estoque a valores de mercado. Sem esse ajuste, o custo da pluma teria aumentado 64,6%.

Recomendação: preço em revisão.

Relatório publicado dia 12.11 referente aos resultados do terceiro trimestre da Fertilizantes Heringer

A Fertilizantes Heringer apresentou um bom desempenho operacional. Destaca-se: (i) o crescimento do volume de vendas em 9,1% enquanto o crescimento do mercado foi de 4,6%; (ii) o aumento da participação de produtos especiais nas vendas totais que passou de 29% no 3T09 para 37% em 3T10 e (iii) o crescimento do market share para 16,8% (+0,7 pp).

A Heringer obteve um bom desempenho operacional quando comparado ao mercado de fertilizantes no Brasil. Entretanto, a desvalorização atual do dólar impediu uma melhor perfomance, ainda que este mesmo fator tenha trazido um impacto positivo nos resultados financeiros da empresa. Quanto à instalação da unidade de produção de SSP, localizada em Paranaguá (PR), esta permanece bloqueada devido a questões ambientais. A paralisação das atividades da unidade teve um impacto negativo de R $ 7,1 milhões no CPV do trimestre. A empresa tem negociado um acordo com os órgãos governamentais. Acreditamos que as ações da empresa devem permanecer pressionadas.

Recomendação: não publicada.


Marco Saravalle
Analista Corretora Coinvalores

Relatório publicado no dia 08.11 referente aos resultados da VALE Fertilizantes 

A estratégia de ampliação dos ativos da Vale, visando o potencial do setor de fertilizantes provou-se eficiente, e a Vale Fertilizantes apresentou bons resultados neste trimestre. Com balanço apertado entre oferta e demanda global por grãos no mundo, os preços das commodities sofreram reajustes, aumentando a rentabilidade dos produtores e incentivando a expansão do volume de produção e uso de fertilizantes. No Brasil, o movimento é similar, proporcionando aumento no volume de vendas e captura dos reajustes de preços internacionais pela Vale Fertilizantes.

A receita operacional liquida totalizou R$ 830 milhões, representando expansão de 67% sobre o trimestre anterior, refletindo crescimento dos preços e volume vendido. Destacamos as receitas de fosfatados de alta concentração que aumentaram 2,5% na mesma base de comparação e representaram 64% do total da receita liquida. Apesar da melhora na receita, os custos também aumentaram em 68,5% comparando-se com o segundo trimestre deste ano, dado o maior volume de vendas. Contudo, a geração de caixa medida pelo EBITDA foi de R$ 145 milhões (83,5% maior do que o EBITDA do trimestre imediatamente anterior). O resultado desse bom momento para o setor e para o desempenho da companhia foi um lucro liquido de R$ 69 milhões (130% maior que o lucro do trim. anterior).

A intenção de unir os ativos de fertilizantes numa única estrutura, bem como a estratégia de expansão no setor sugere boas perspectivas. Com a possibilidade de um futuro IPO, a Vale sinaliza o desejo de se posicionar fortemente no mercado de fertilizantes. Além da intenção de concentrar os ativos, a companhia tem estratégia de ampliação de market share amparada nos planos de investimentos, que visam aquisições de ativos no Brasil e em outros lugares. Os investimentos destinados a projetos de fertilizantes representam 10,4% do plano anual de investimentos, correspondendo a US$ 2,5 bilhões para 2011.

 Recomendação COMPRA para as ações da Vale Fertilizantes (FFTL4)  para acionistas que visam o longo prazo já que apesar da sólida estratégia, os múltiplos de curto prazo (2010) encontram-se acima da média de mercado. O preço-alvo para novembro de 2011 e R$ 24,50. 

 

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Indicadores
Empresa ► Fertilizantes Heringer Nutriplant Rasip Renar Maças SLC Vale Fertilizantes Yara
  Dados▼ FHRE3 NUTR3M RSIP4 RNAR3 SLCE3 FFTL4 ILMD4
Nível Gov. Corporativa NM MA - NM NM - -
PL 3T09 R$ MM 331,97 18,68 54,30 716,34 807,04 1,872,366 219,88
PL 3T10 R$ MM 245,05 10,52 53,72 813,87 861,81 1,910,676 564,30
LL 3T09 R$ MM 29,77 (7,29) 0,34 44,61 (22,12) (121,92) 44,56
LL 3T10 R$ MM 17,14 (1,86) 0,736 11,233 4,39 68,621 15,687
Variacao LL  3T10 (%) (42,42) (74,56) 113,95 (74,82) (119,85) (156,29) (64,79)
ROE  3T10(%) 6,99 NE 1,36 NE 0,50 3,59 2,77
Índices Bovespa              
Ibovespa
IBRX-50
IBRX .
IGC . . .
Itag . . .
ISE
IVBX2 .
MLCX .
SMLL . .
ICON .
INDX . .
IEE .
IMOB .
ITEL . .
IFNC . .

Informações Relevantes:
ROE - Retorno - lucro líquido sobre patrimônio líquido consolidados
NE - Não Existe
Fonte: Bovespa

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                Governança Corporativa
Empresas Periodicidade Dividendos/ano

%Dividendo LL

Tag Along (On) e (PN) Conselheiros Independentes
Fertilizantes Heringer 25% Anual 100% Sim
Nutriplant 25% Anual 100% ON e PN Não
Rasip* - - Não -
Renar Maças 30% Anual 100% Sim
SLC Agrícola 25% Anual 100% Sim
Vale Fertilizantes 25% Anual Não Não
Yara Fertilizantes 25%+10%PN Anual Não Não


Informações Relevantes:
*A empresa não tem ainda projetos nesta área é a informação divulgada no espaço destinado à GC na página da empresa na BM&FBOVESPA.
As informações citadas acima são determinadas em estatuto e, no caso dos dois primeiros itens, podem ser feitos diferentemente na prática.
Definição de Conselheiro Independente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): O Conselho da organização deve, preferencialmente, ter maioria de conselheiros independentes. O conselheiro independente se caracteriza por: Não ter qualquer vínculo com a organização, exceto eventual participação de capital; não ser acionista controlador, membro do grupo de controle, cônjuge ou parente até segundo grau destes, ou ser vinculado a organizações relacionadas ao acionista controlador;não ter sido empregado ou diretor da organização ou de alguma de suas subsidiárias; não estar fornecendo ou comprando, direta ou indiretamente, serviços ou produtos à organização;não ser funcionário ou diretor de entidade que esteja oferecendo serviços ou produtos à organização;não ser cônjuge ou parente até segundo grau de algum diretor ou gerente da organização;não receber outra remuneração da organização além dos honorários de conselheiro (dividendos oriundos de eventual participação no capital estão excluídos desta restrição)No Novo Mercado é obrigatório que 20% dos conselheiros sejam independentes.
Fonte: site das companhias e Bovespa (Tag Along)
 

Acesse a Agenda de Resultados 3T10

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Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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