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Setor Papel e Celulose: Mais um ano difícil

06 de Fevereiro de 2012

 

 

Ano de 2012 tem indicadores desanimadores para as produtoras brasileiras de celulose

 

O cenário de curto prazo, ou seja, para o ano 2012, não é positivo para as companhias atuantes no setor, especialmente para as produtoras de celulose. O ano passado terminou com indicadores considerados satisfatórios pela Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), especialmente diante do difícil cenário internacional, e pelo setor ter mantidos os níveis de produção do ano de 2010 e aumentado as exportações em 6,4%. Mas para este ano, os fatores determinantes para o mercado de celulose não têm perspectivas melhores. Diante deles, as projeções para os preços da celulose de fibra curta e longa são de queda em relação a 2011. Esse quadro deve continuar refletindo nas ações da empresas negociadas na BM&FBOVESPA. Os papeis mais líquidos, Fibria (NM) e Suzano Papel e Celulose (N1), terminaram o ano com queda de, respectivamente, 46,44% e 52,57%, bem superiores aos 18% de desvalorização que teve do Ibovespa    

 

A expectativa da Bracelpa para o cenário de 2012, divulgadas em evento realizado pela entidade no final do mês de dezembro, é que as empresas de papel e celulose brasileiras continuem sendo influenciadas pela instabilidade dos principais mercados mundiais. A crise na Europa é um dos principais fatores para essa perspectiva. A região foi o principal destino da celulose exportada do Brasil no ano passado representando 46% das vendas ao exterior. A notícia de que a China deve postergar o início das operações de fábricas de papel, que demandariam mais celulose brasileira, é apontado pelo analista Victor Penna em relatório do Banco do Brasil como aspecto importante para delinear o quadro do setor. A China comprou do Brasil um quarto da produção nacional vendida ao exterior em 2011.

 

O desempenho do mercado internacional de papel esteve na mesma linha do ambiente descrito para a celulose, porém, não de forma tão intensa. As expectativas também seguem nessa direção. No final do ano passado, o preço do papel apresentou queda em relação ao mês anterior na ordem de 6%. A quantidade em volume e valores vendida ao exterior manteve a mesma queda. Esse retrato se refletiu nos resultados mais recentes divulgados pela Klabin (do 3T11), líder latino-americana no segmento. No entanto, no decorrer de 2011, que deve ser confirmado na divulgação dos resultados consolidados e do 4T11 no início do mês de março, a empresa deve apresentar um ótimo resultado, na visão da Corretora Coinvalores. Segundo destacado em relatório de perspectivas divulgado pela corretora na segunda quinzena de janeiro isso foi possível devido ao ganho de eficiência de suas fábricas e a implementação de um programa de redução de custos ao longo do ano.

 

Para 2012, pelo menos no curtíssimo prazo, não sinais de reversão da tendência de queda dos preços da celulose e do papel. Os últimos dados reforçam essas expectativas, especialmente diante do cenário internacional. Os preços da fibra curta (especialidade das empresas brasileiras) recuou 21% em dezembro relação ao mês anterior, e o da fibra longa, caiu quase 8,3%. A Coinvalores aponta uma queda de 5,5% para o valor negociado pela fibra curta no mercado europeu e de 7,8% para a fibra longa ainda neste ano

 

Em relatório publicado no final do ano passado, a presidente da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhes, afirmou acreditar  que a postura das companhias brasileiras diante do cenário esperado para 2012 será a adoção de medidas austeras com a finalidade de conteção do caixa A pespectivas para a Klabin seguem essa linha.   Os resultados divulgados pela Fibria referentes ao 4T11, no entanto, ainda não vão nessa direção. Conforme destacou a Corretora Coinvalores em relatório, o desempenho do período continuou severamente afetado pelos constantes resultados financeiros negativos da Fibria, que apresenta alto volume de endividamento e incômoda exposição cambial.  

 

Portanto, para este ano, o que deve ficar evidente são os esforços das empresas para melhorar sua estrutura financeira, já que não dá para contar com a melhora do cenário. A Klabin é a empresa melhor posicionada para retomar o crescimento, não só pelos programas de redução de custos já implantados, mas também porque boa parte do seu produto é voltado ao mercado interno. Além disso, é neste ano que começam a preparação para um período de forte investimentos¹. Na Klabin, a Corretora Coinvalores destaca que há  obras previstas para este ano, diferentemente de Fibria e Suzano Papel e Celulose, que têm seus programas de investimento voltados para um período de até dez anos.

 

¹A Klabin deve inicar a construção de uma nova caldeira de biomassa em Correia Pinto (Santa Catarina), a instalação de um sistema de fracionamento de fibras para melhorias na qualidade da produção do papel sack kraft e a ampliação da capacidade de branqueamento em Monte Alegre (Paraná) com melhorias na caustificação, evaporação e no pátio de madeira para reduçaõ de custos variáveis.

A Fibria pretende aumentar a produção para 10 milhões de toneladas até 2025, com investimento estimado de R$ 15 bilhões. A companhia ainda mantém para o final de 2014 a entrada em operação do projeto de expansão da unidade de Três Lagoas (MS). O equacionamento das restrições financeiras surgidas à época da crise econômica mundial possibilita a revisão do cronograma dos projetos por parte da empresa.

 

E a equipe de relações com investidores da Suzano Papel e Celulose destacou que dará andamento ao projeto voltado a 2024. A empresa anunciou a construção de duas novas fábricas dea celulose branqueada de eucalipto, com investimentos de US$ 4,6 bilhões (sem considerar o orçamento para a área florestal), e também confirmou a compra da totalidade do Conpacel e ficou com os 50% que eram da Fibria, por R$ 1,45 bilhão, e da distribuidora de papéis KSR.

 

Fonte: Relatório de Perspectivas - Corretora Coinvalores – divulgado ao dia 17.01.2012.   

 

 

Empresas

Periodicidade Dividendos/ano

Dividendos (%) LL

Tag Along
(On) e (PN)

Conselheiros Independentes

Fibria (NM) 25% Anual 100% Sim
Irani Celulose 25% + 10% PN Anual Não tem Não
Klabin (NM) 25% ON e + 10% PN Anual 80% e 70% Sim
Suzano Papel e Celulose (N1) 25%ON + 10% PNA e B Anual Não tem Sim
OBS: Melhoramentos e Santher não disponibilizam informações referentes à tabela no site.
   
   

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

      redacao@acionista.com.br


 

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