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| Setor Papel e Celulose 04 de Janeiro de 2010 |
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O setor de celulose vem apresentando recuperação nos últimos meses, impulsionado principalmente pelas vendas à China. Os dados mais recentes divulgados pela PPPC (Aliança Internacional das associações dos produtores industriais de papel e celulose) indicam que os embarques a este país apresentaram aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2008, permanecendo estáveis em relação ao fechamento do terceiro trimestre, conforme a Corretora Brascan. Houve uma leve recuperação nas exportações para a América do Norte e Europa. Os estoques mundiais de celulose continuam em níveis baixos, alcançando em outubro 26 dias, abaixo da média histórica do setor, de 34 dias. A Corretora Brascan enumera algumas vantagens das empresas brasileiras diante do cenário competitivo mundial. Entre elas, está o fato de que o Brasil tem um baixo consumo per capita de papel, possuindo um grande potencial de expansão com o desenvolvimento econômico do país. A China tem ganhado cada vez mais importância para o setor e hoje já é o terceiro maior cliente das exportações brasileiras da fibra. Com o contínuo crescimento da economia chinesa, o Brasil poderá aumentar significativamente as suas exportações de celulose para este país. É consenso no mercado, compartilhado pela Brascan, que o movimento de substituição de fibra longa por fibra curta deve continuar, devido ao forte uso da celulose de eucalipto no mercado e ao elevado spread atual entre os preços destes dois tipos de fibras. Dados da Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa) indicam um crescimento gradual da produção desde o início do segundo semestre deste ano. No fechamento do terceiro trimestre, indicadores importantes demonstraram que o Brasil evitou a recessão, e superou os impactos da crise, assumindo papel de destaque também no setor. No entanto, a Bracelpa destaca alguns desafios na agenda brasileira para poder ultrapassar o cenário de competitividade. Alguns deles são: a modernização das políticas industriais e das relações trabalhistas, medidas para regulamentação fundiária e a necessidade de expressivos investimentos em infraestrutura e logística. A principal questão estrutural é a desoneração dos investimentos e das exportações – hoje da ordem de 17%. A receita com exportações ainda se mantém 18,3% abaixo de 2008, e os volumes, 26%.
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As ações das empresas do setor foram as que mais sofreram em 2008. Isso aconteceu porque algumas companhia de papel e celulose estiveram no centro da crise e enfrentaram problemas com derivativos. Suas cotações terminaram 2008 com perdas maiores que o Ibovespa. No entanto, até o final de novembro, haviam recuperado na mesma proporção que caíram. Esse é o caso da Klabin, que fechou novembro com valorização de 47,73%, e da Suzano, com ganho de 55,09%, de acordo com dados do Acionista.com.br. Até o dia 29/12, os mesmo papéis haviam valorizado, respectivamente, 65,3% e 73%, mas ainda abaixo do mercado, cujo ganho no mesmo período foi de 81,88%, segundo dados da Corretora SLW. O caso da Fibria é um pouco diferente, pois a empresa resulta da união entre Aracruz e Votorantim Papel e Celulose. E o papel é equivalente a ação da última empresa. Até final de novembro, conforme o Acionista.com.br, o papel havia ganho 11,15% |
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Pedro Galdi Acreditamos que o ano de 2010 será muito positivo para as empresas do setor, já que a demanda internacional continua apontando para um maior consumo de celulose de fibra curta (eucalipto), que prevalece na produção do Brasil. Os preços internacionais podem continuar a registrar valorização, dependendo em parte do comportamento do dólar em relação a outras moedas e do nível de oscilação da capacidade mundial de produção desta commodity. No caso do papel, acreditamos também em recuperação das vendas físicas e dos preços ao longo de 2010. Os executivos da Klabin, maior produtora e exportadora de papéis e cartões para embalagem, se mostram otimistas com o desempenho da empresa a partir do próximo ano. Novos produtos estão sendo desenvolvidos, o que será muito importante para a retomada da lucratividade da empresa aos níveis anteriores ao da crise global. Iniciamos recentemente cobertura da Suzano Papel e Celulose, que atua como fornecedora de celulose de mercado e de produtos da linha de papéis. Ela é a segunda maior produtora de celulose de eucalipto do mundo e em participação no Brasil em papéis não revestidos, a primeira em participação no Brasil com papéis revestidos e em papel cartão. Diferencia-se da Klabin, que também é integrada, mas que comercializa exclusivamente papéis e embalagens. Em parte também difere da Fibria, que atua com linha de papéis, mas quase a totalidade de seu faturamento ocorre com celulose. A companhia está iniciando uma nova fase de expansão de atividades, desenvolvendo florestas e implantando unidades industriais nas regiões norte e nordeste do país. A empresa pretende ampliar sua capacidade de produção de celulose de 1,8 milhões de toneladas em 2009 para 6 milhões de toneladas até meados de 2015. Acreditamos que se estes projetos forem finalizados dentro do prazo estipulado, a Suzano poderá ganhar grande vantagem sobre a Fibria, que foi constituída recentemente através da fusão da VCP e Aracruz, e nasceu como a maior empresa produtora de celulose do mundo. A líder tem 5,5 milhões de toneladas de capacidade de produção anual. Em decorrência de seu elevado endividamento oneroso, acreditamos que a Fibria deve postergar novos investimentos por pelo menos por dois anos, o que nos leva a entender que a Suzano possa ocupar uma posição mais representativa no ranking mundial de produção de celulose até meados de 2015. Recomendação: Estamos iniciando a cobertura da Suzano Papel e Celulose com recomendação de COMPRA e preço justo de R$ 25,39 para suas ações PNA, o que significa um potencial de 15,9% referente a 24/dez. Acreditamos que o posicionamento nas ações da empresa é uma ótima oportunidade para o investidor que queira assumir posição em empresas que atuam no segmento de papel, mas também com participação nas atividades de celulose para exportação. Também temos recomendação de COMPRA para a Klabin PN, com um preço justo de R$ 6,30, o que significa um up side de R$ 20,7% em relação a cotação de 24/dez. Para a Fibria, o consenso do mercado é de R$ 28,79 (Pesquisa Bloomberg). Ou seja, uma desvalorização de 27,79% do patamar atual. Denise Messer Diante do cenário de crescimento das vendas à China e recuperação dos demais mercados mundiais, aliado ao balanço ainda apertado entre oferta e demanda da fibra, acreditamos em novos aumentos de preços da celulose a partir do ano que vem. Os preços da fibra, que atingiram o seu piso em abril desse ano, já apresentam alta de 45% em dólar. Atualmente, o preço da celulose fibra curta na Europa está em US$ 700/ton. Vale destacar que outro fator que vem estimulando a alta dos preços em dólar é a depreciação desta moeda, já que muitos compradores de celulose situam-se em países que vêm observando apreciação de suas moedas contra o dólar. Para 2010, acreditamos que os preços de celulose de fibra curta (eucalipto) devem atingir uma média anual de US$ 720/ton, um leve crescimento em relação ao preço verificado no final de 2009, estimulado pelo aumento da demanda pela fibra em um cenário de baixa oferta. No médio prazo, as cotações continuarão em ritmo de alta, atingindo o pico de US$ 760/ton em 2012. Esperamos crescimento especialmente para demanda da fibra curta, estimulada pela construção de novas fábricas de papel na China. Adicionalmente, acreditamos que oferta de celulose continuará reduzida nos próximos três anos, devido ao adiamento de projetos de expansão de diversos produtores mundiais, como a Fibria, estimulando ainda mais os aumentos de preços. A partir de 2013, com a entrada de novas capacidades no mercado, decorrentes do início de alguns projetos de expansão, projetamos uma curva descendente para os preços no mercado internacional. Para o longo prazo, alteramos a nossa estimativa de US$ 610/ton para US$ 700/ton para o preço da celulose fibra curta no mercado europeu, em função da nova curva futura de preços e da taxa de câmbio. Recomendação: Inclusão da Suzano Papel e Celulose ao portfólio de ações. O balanço apertado entre oferta e demanda da commodity deve estimular novos aumentos de preços, beneficiando os resultados da empresa. Em relação às vendas de papel, estimamos crescimento nos próximos meses com a intensificação das compras do Governo destinadas ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Lembramos que, segundo os dados da Bracelpa, o consumo aparente de papéis no Brasil em outubro cresceu 4,8% em relação ao mês anterior, a quinta alta consecutiva do indicador. Adicionalmente, a Suzano está sendo negociada a um múltiplo EV/EBITDA 2010 de 7,5x, um desconto de 12% em relação aos seus pares nacionais, o que corrobora a nossa visão otimista para a empresa. Nosso preço-alvo para dez/2010 é de R$ 21,25, representando um up side de 13% em relação ao início de dezembro. Nosso novo preço-alvo para a Fibria é de R$ 37,50 por ação (o preço-alvo anterior para dezembro de 2009 era de R$ 30,00 por ação) para dezembro de 2010, oferecendo, portanto, um upside de 4,9% sobre a cotação de fechamento de 11/dez. Apesar das perspectivas positivas para o setor de celulose, visualizamos ainda como principal desafio de curto prazo para a Fibria equacionar a sua situação financeira, devido ao alto nível de endividamento da companhia. Grande parte do caixa gerado pela companhia no curto e médio prazo será destinada ao pagamento de dívidas, podendo comprometer novos planos de investimentos Diante dos desafios a serem enfrentados e da recente alta observada nas ações da empresa (+38% no último mês), indicamos a nossa recomendação MARKETPERFORM (em linha com o mercado) para FIBR3.
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| Governança Corporativa
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