Índice para outros Setores
Setor - Bens de Capital
02 de Agosto de 2010
Desempenho
 

A recuperação da capacidade de produção do setor industrial é a melhor notícia que qualquer segmento da economia poderia ter. Os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam um processo de retomada contínuo da economia produtiva e dos investimentos. A produção industrial no Brasil nos primeiros cinco meses do ano mostrou crescimento de 17,3% sobre o mesmo período de 2009. A de bens de capital de 30,6% no acumulado em relação a 2009.

Os números do setor são ressaltados nos releases de resultados do segundo trimestre de empresas representativas de um dos últimos segmentos a serem impactadas com a retomada como a Indústria Romi e a Weg. Esta tem elevado os investimentos em ativos fixos para expansão e modernização da capacidade produtiva. No primeiro semestre, o montante destinado a isso foi de R$ 135,1 milhões. Quase metade (42%) foi para parques industriais e outras instalações no Brasil. O restante, para unidades produtivas e demais subsidiárias no exterior. Até o final do ano, a companhia deve começar a operar com uma nova fábrica na Índia.

A Romi ainda não deu continuidade aos investimentos de expansão de capacidade que vinha fazendo nos anos anteriores à crise. Mas o Projeto Vulcano, iniciado há alguns anos, já receberá R$ 20 milhões este ano, do Capex total da companhia de R$ 45 milhões em 2010. Além disso, a empresa tem dado continuidade ao processo de internacionalização, que iniciou em 2008, com a aquisição da italiana Sandretto.

No final de julho esteve envolvida com a oferta de compra (que ainda não foi finalizada) da norte-americana Hardinge, fabricante de máquinas-ferramenta, também com operações na Suíça, Taiwan e China. Na divulgação dos resultados do segundo trimestre, a companhia informou um novo guindance de crescimento para este ano. Da receita líquida espera-se um incremento entre 35% a 40%, ante a meta anterior de 20% a 30%. E a margem Ebitda deverá aumentar entre 14% e 17%.

 

                Mercado de Ações
 

Os papéis das duas companhias não performaram muito diferente do Ibovespa. No acumulado do ano, o índice tem uma desvalorização de 2,4% (até 29.07). O papel da Romi valoriza 9,7%, e o da WEG cai 0,4%, de acordo com levantamento da SLW Corretora.

 
Opinião do Mercado


Victor Penna
Analista Banco do Brasil
Relatórios 06.07.2010 e 28.07

Com o forte impacto negativo da crise internacional nos investimentos, o setor de bens de capital foi um dos mais beneficiados com os incentivos governamentais na tentativa de retomar o crescimento. Para isso, o governo usou o BNDES como um dos principais indutores, reforçando seu caixa e criando o chamado PSI (Programa de Sustentação do Investimento). Acreditamos que esses fatores são fundamentais para que o setor de bens de capital continue crescendo, especialmente no nível de atividade da indústria de máquinas e equipamentos. O ano de 2010 tem sido a oportunidade para os empresários aproveitarem taxas de financiamentos que, considerando a inflação, ficam próximas a zero, e a conseqüência disso será o incremento no nível de investimentos do país como um todo.

Indústrias Romi

A atividade da Romi está diretamente ligada ao crescimento do PIB industrial, sendo que seus principais segmentos consumidores são automotivo, bens de capital e bens de consumo em geral. Como esses setores sofreram significativa redução no nível de investimentos durante a crise, a empresa chegou a apresentar prejuízo líquido no 1T09, além de margem bruta negativa no segmento de Fundidos e Usinados ao longo de todo o ano de 2009.

No entanto, a Romi tem registrado certa recuperação em seus resultados, em função principalmente (i) do aumento da participação de alguns setores como o de prestação de serviços, construção civil e embalagens, ampliando a diversificação de clientes e os setores de atuação, (ii) dos incentivos do governo, que estão propiciando o retorno do acesso ao crédito e a taxas mais baixas, (iii) e da eliminação dos estoques acumulados pelas empresas durante o período da crise, a medida que o nível de investimentos tem retomado os patamares considerados “normais”.

Como 85% a 90% da receitas da companhia vêm do mercado interno, acreditamos que o crescimento do PIB e o aumento no nível de investimentos devem contribuir para a recuperação da empresa ao longo desse ano. A extensão da desoneração do IPI para bens de capital e da redução nas taxas de financiamento através da linha Finame, até o final do ano, tem estimulado pequenas e médias empresas a retomar seus investimentos, beneficiando a Romi, pois estas constituem o principal foco de atuação da companhia.

Recomendação: COMPRA com preço-alvo para a Indústrias Romi (ROMI3) de R$ 15,00, com potencial de valorização de 29,4% até o final do ano (em relação à cotação de 27/07).

Weg

Líder no mercado latino americano e uma das três maiores fabricantes de equipamentos eletroeletrônicos do mundo, a Weg passou por uma forte retração em 2009, especialmente para os produtos menos customizados (seriados). Desse modo, o ano foi marcado por revisões de processos visando o corte de custos e a redução de despesas. Por outro lado, a Weg tem mostrado uma recuperação gradual e consistente ao longo dos últimos trimestres, com ênfase em alguns segmentos, como o de Motores para Eletrodomésticos que, num primeiro momento, foi fortemente estimulado através dos incentivos fiscais de redução do IPI para a chamada “linha branca” e, mesmo após o fim desses incentivos, tem continuado forte devido às boas condições de crédito e ao aumento da renda disponível ao consumidor.

Acreditamos que a Weg será beneficiada pelo forte crescimento do mercado interno, porém os 30% em média do faturamento da empresa que provém do mercado externo, dos quais 20% se concentram nos EUA e Europa, devem dar uma retraída em seu crescimento. O segmento com maior participação nas receitas– Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais – ainda se encontra nos estágios iniciais de recuperação.

O segundo trimestre foi marcado por aquisições. Duas delas no exterior (Zest Group, na Àfrica do Sul, e Voltran, no México), e uma no Brasil (Instrutech). Para os próximos trimestres, esperamos que a Weg apresente resultados mais consistentes, especialmente no 4T10, com a entrada em produção do novo parque fabril de motores elétricos de Linhares (ES), além do novo parque fabril na Índia, em Hosur, especializado em motores de média e alta tensão e geradores.

Recomendação: MANTER, com o preço-alvo para WEGE3 de R$ 21,00. Nosso preço potencial para dezembro de 2010 representa um upside de 19,7% (em relação à cotação de 27/07).
 


 

Artur Delorme
Analista Ativa Corretora
Relatórios 21.07.2010 e 28.07


Weg

As perspectivas para o setor de bens capital são positivas, dado que a expansão do consumo, bem como a necessidade de investimentos em infraestrutura nos próximos anos, deverão levar à ampliação da capacidade instalada por parte das indústrias. Neste sentido, com a confiança do empresariado em níveis recordes, atrelada ao elevado nível de utilização da capacidade instalada da indústria (85,5%) e à disponibilidade de funding através do BNDES, ratificam a expectativa de expansão dos investimentos.

Considerando o crescimento do PIB esperado de 5% ao ano (a.a), e após registrar crescimento de 14% a.a. no período entre 2005 e 2009, estimamos que a receita bruta da WEG poderá atingir R$ 8,3 bilhões em 2014 apresentando uma taxa de crescimento de 10% até lá. Em função da expansão da demanda e da conseqüente diluição dos custos e despesas fixas, esperamos um aumento da rentabilidade no médio e longo prazo, com as margens bruta e EBITDA, retomando aos patamares verificados no período pré-crise, convergindo para 35% e 23%, respectivamente;

Os principais riscos que identificamos para WEG são: (i) concorrência com players globais, principalmente de países asiáticos; (ii) incertezas quanto à recuperação da atividade econômica na Europa; (iii) apreciação dos preços das commodities metálicas, principalmente cobre e aço; (iv) valorização do real; (v) elevação dos juros e queda da oferta de crédito.

Recomendação: COMPRA para companhia com Target Price de R$ 21,66/ação para jun/11, o que representa upside de 23% em relação a 28.07.

Indústrias Romi

Os resultados no 2T10 ratificam o cenário de expansão da demanda por bens de capital, demonstrando a tendência de aumento dos investimentos em ampliação da capacidade instalada e renovação do maquinário industrial. Isso é ilustrado pela constante elevação da carteira de pedidos, que no período, apresentou crescimento de 133,4% em relação há doze meses e 7,7% ao 2T09, atingindo R$ 225 milhões.

As perspectivas para o setor são positivas, tendo em vista os sinais claros de melhoria das expectativas das empresas com relação à necessidade de realização de investimentos no médio prazo, em decorrência da (i) confiança do empresariado em alta e (ii) do elevado nível de utilização da capacidade instalada da indústria, beneficiados ainda pela disponibilidade de financiamento com custos atrativos para as empresas (BNDES-PSI). Cabe destacar que a recuperação da demanda foi verificada no decorrer do ano de 2009 e está sendo mantida agora, com satisfatória expansão frente aos trimestres anteriores.

Recomendação: não tem.

 


voltar ao topo

Indicadores
Empresa ►

Romi

Weg

  Dados▼

ROMI3

WEGE3

Nível Gov. Corporativa

NM

NM

PL 2tr09 R$ MM

675,49

2.216,16

PL 2tr10 R$ MM

688,32

2.507,10

LL 2tr09 R$ MM

300,00

129,67

LL 2tr10 R$ MM

15,22

116,00

Variacao LL 1tr10(%)

(94,93)

(10,54)

ROE 1tr10 (%)

2,21

4,62

Índices Bovespa    
Ibovespa .. ..
IBRX-50 . .
IBRX . ...
IGC .. ...
Itag .. ...
ISE .. .
IVBX2 . .
MLCX . ...
SMLL .
ICON .
INDX . .
IEE
IMOB
ITEL
IFNC . .
Acesse os Resultados 2T10 Completos : Indústrias Romi e WEG

Informações Relevantes:
NE - Não existe
Fonte: Relatório das Empresas e Bovespa

voltar ao topo
                Governança Corporativa
Empresas

Payoyt

Periodicidade

Tag Along ON PN Conselheiros Independentes
Romi 33%

Anual

100% Sim
Weg 25% Semestral 100% Sim


Informações Relevantes:
Payout é o percentual pago do lucro líquido em forma de dividendos e juros sobre capital.
Conselheiro Independente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): O Conselho da organização deve, preferencialmente, ter maioria de conselheiros independentes. O conselheiro independente se caracteriza por: Não ter qualquer vínculo com a organização, exceto eventual participação de capital; não ser acionista controlador, membro do grupo de controle, cônjuge ou parente até segundo grau destes, ou ser vinculado a organizações relacionadas ao acionista controlador;não ter sido empregado ou diretor da organização ou de alguma de suas subsidiárias; não estar fornecendo ou comprando, direta ou indiretamente, serviços ou produtos à organização;não ser funcionário ou diretor de entidade que esteja oferecendo serviços ou produtos à organização;não ser cônjuge ou parente até segundo grau de algum diretor ou gerente da organização;não receber outra remuneração da organização além dos honorários de conselheiro (dividendos oriundos de eventual participação no capital estão excluídos desta restrição)No Novo Mercado é obrigatório que 20% dos conselheiros sejam independentes.
Para as empresas que não especificamos o direito ou não de Tag Along para as ações preferenciais, significa que elas têm somente uma classe de ação, a Ordinária (ON).
As informações citadas acima são determinadas em estatuto e, no caso dos dois primeiros itens, podem ser feitos diferentemente na prática. Os dados da CSN dizem respeito à prática
da companhia nos últimos anos.
Fonte: site das companhias e BM&FBovespa (Tag Along)
 

voltar ao topo


Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Acionista.com.br
Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo Acionista.com.br está vinculado, quando for o caso, bem como os fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários por ela administrados não possui participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social de quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou está envolvida na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente, de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua análise, que representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
V – O analista entrevistado pelo Acionista.com.br ou instituição à qual esteja vinculado não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com qualquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou pessoa natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse desta companhia; e
VI – A remuneração do analista entrevistado ou esquema de compensação do qual é integrante não está atrelada à precificação de quaisquer dos valores mobiliários emitidos por companhias analisadas no relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela instituição a qual está vinculado, se for o caso.


Advertência: As informações econômico financeiras apresentadas no Acionista.com.br são extraídas de fontes de domínio público, consideradas confiáveis. Entretanto, estas informações estão sujeitas a imprecisões e erros pelos quais não nos responsabilizamos.
As opiniões de analistas, assim como os dados e informações de empresas aqui publicadas são de responsabilidade única de seus autores e suas fontes.
O objetivo deste portal é suprir o mercado e seus clientes de dados e informações bem como conteúdos sobre mercado financeiro, acionário e de empresas. As decisões sobre investimentos são pessoais, não podendo ser imputado ao acionista.com.br nenhuma responsabilização por prejuízos que eventualmente investidores ou internautas, venham a sofrer.
O acionista.com.br procura identificar e divulgar endereços na Internet voltados ao mercado de informação, visando manter informado seus usuários mais exigentes com uma seleção criteriosa de endereços eletrônicos. Essa divulgação é de forma única, e os domínios divulgados são direcionados a todos os internautas por serem de domínio público. Contudo, enfatizamos que não oferecemos nenhuma garantia a sua integralidade e exatidão, não gerando portanto qualquer feito legal.