Itaú promove debate sobre investimentos em florestas


Edição do Sustentabilidade em Pauta - encontro promovido periodicamente pelo banco - ocorreu com o objetivo de discutir a transição para uma economia de baixo carbono

São Paulo, 12 de novembro de 2010 - O Itaú realizou nessa quinta-feira a 7ª edição do “Sustentabilidade em Pauta”, evento que tem como objetivo levantar, debater e disseminar questões relacionadas à sustentabilidade. O tema escolhido foi Investimentos em Florestas – Cenário e Perspectivas.

O encontro reuniu Fernando Veiga, gerente de Serviços Ambientais da TNC, Thais Felipelli, gerente de negócios da Biofílica, e Paulo Corchaki, diretor de gestão de recursos do Itaú Unibanco. Abordou desde o papel do produtor rural na conservação das florestas às oportunidades de investimento privado no setor florestal, incluindo projetos de Desmatamento Evitados (REDD+) e instrumentos financeiros de financiamento.

“Diversos países e organismos têm intensificado o debate sobre a transição para uma economia de baixo carbono, marcados pelas discussões pós Copenhague. Nesse contexto, entendemos nosso papel como fomentador dessa importante discussão junto à sociedade”, afirma Denise Hills, superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco.

As apresentações realizadas no evento estão disponíveis em www.itau.com.br/imprensa, na seção “Itaú em Foco”. Os principais pontos abordados foram:

The Natural Conservancy (TNC)

Fernando Veiga, gerente de Serviços Ambientais

O especialista abriu o “Sustentabilidade em Pauta” abordando a importância do funcionamento dos ecossistemas, já que os serviços ambientais, como aqueles que envolvem polinização e produção de água, dependem deles. Nesse sentido, vale também investir no produtor rural, que pode realizar esse tipo de trabalho.  

Segundo ele, hoje temos a construção de novos mercados para os serviços ambientais, que podem ser viabilizados por meio de acordos privados (mercado voluntário de carbono), por mecanismos de troca e pagamentos realizados pelo setor público. Veiga ressaltou que entre eles temos o mercado de Carbono, atrativo por conta da neutralização, responsabilidade corporativa, marketing verde e necessidade de mercado regulado. “Nesse sentido, temos uma movimentação de projetos públicos - como o realizado em Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo - que faz com que avancem as perspectivas nesse tipo de trabalho”.

Veiga explicou que ainda estamos num

 momento de construção dos instrumentos desse mercado, mas do ponto de vista de especulação de áreas, ainda não é tão evidente. “O que existe é uma nascente percepção como negócio atrativo”.

Biofílica

Thais Felipelli, gerente de Negócios

A gerente de Negócios da Biofílica, Thais Felipelli, tratou dos desafios para solucionar a questão do carbono. As projeções são que, até 2100, as emissões tendem a continuar a registrar significativa alta. “A primeira solução proposta surgiu no Protocolo de Kyoto, porém sua execução gerou uma redução real muito pequena”. O custo, entretanto, para a troca de tecnologias é elevado e leva tempo. Aquele que representa uma solução “simples” atualmente é a redução do desmatamento, que é responsável por cerca de 15% das emissões globais. A boa notícia, segundo Thais Felipelli, é que temos oportunidades de negócio privado nas florestas. “Acreditamos que, no longo prazo, será possível também atuar em territórios públicos”.

Para Thais, existem diversas iniciativas em todo mundo para reduzir desperdício e emissões de carbono. “Entre elas estão PCHs, biocombustíveis, eficiência industrial, eletricidade de aterros sanitários, reciclagem, carros híbridos, gerenciamento de resíduos e da agricultura e isolamento térmico. Para ampliar as oportunidades, são necessários acordos globais. Apesar dessa indefinição, já há um mercado crescente para créditos de carbono”. A especialista ainda destacou a demanda por créditos por conta de empresas que fazem marketing verde ou que poupam para compensar mais tarde, bem como especulação de mercado. “Vimos o crescimento do valor do crédito de carbono. Acreditamos que, futuramente, pode se tornar commoditie, mas entendemos que agora os tipos de carbono terão valores diferentes”.

Itaú Unibanco

Paulo Corchaki, diretor de gestão de recursos do Itaú Unibanco

O executivo abordou as oportunidades de plantio de florestas no Brasil. O impacto desse tipo de investimento em nossa economia, segundo Corchaki, é extremamente relevante. Ele movimenta uma cadeia que envolve sementes e mudas, fertilizantes, agroquímicos, máquinas e equipamentos, bem como gera matéria prima para diversas indústrias, como a de Papel e Celulose, Madeira Processada e de produtos não madeireiros, como Ceras e Go

mas, Borracha e Medicinais. “Do ponto de vista de demanda, a projeção, considerando crescimento do setor de construção civil, é que a demanda de madeira crescerá. No setor de Papel e Celulose, por exemplo, deve aumentar 90% e no de Painéis, 153%. A de Carvão Vegetal será ainda mais ampliada, em torno de 250%”, ilustrou o executivo.

Nosso País deve ter uma preocupação maior em capitalizar a partir desse tipo de projeto. Já somos o 4º maior emissor de gases de efeito estufa, sendo que metade é por conta do desmatamento. “Precisamos buscar projetos para geração de crédito de carbono, já que somente 0,58% deles são relacionados a investimento em floresta. Esse número demonstra que há muito espaço para iniciativas focadas à redução da degradação das áreas verdes“, completa.

Do ponto de vista do investidor, essa é uma oportunidade de longuíssimo prazo e de baixa volatilidade. Os aportes são elevados – R$ 5 mil por hectare de eucalipto ou R$ 10 mil por hectare de mata nativa – e o período de maturação da floresta é longo. “O retorno médio, porém, é elevado: está em 14,66% ao ano no mercado americano, por exemplo”. Dentre os fatores que influenciam para esse resultado, estão a variação no preço da madeira e a apreciação no valor da terra. Outras fontes de receitas que podem influenciar o retorno do investimento são água e carbono. “Historicamente, há uma estabilidade superior a outros ativos, como ações. Ao longo do tempo, ganha-se duas vezes: pelo tamanho da reserva e pela idade da árvore”.

O executivo falou ainda sobre o Fundo Itaú Ecomudanca, que destina 30% da sua taxa de administração para o apoio de ações de organizações sem fins lucrativos que visem a redução de emissões de gases de efeito estufa. Além dos temas dos anos anteriores, esse ano o Ecomudança passa a receber projetos de recuperação de florestas nativas e desmatamento evitado. “O fundo possui R$ 238 milhões de patrimônio líquido. No ano passado, repassamos R$ 660 mil aos projetos selecionados e em 2010 esse montante subirá para R$ 880 mil”, explica.

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