Comentário Econômico 

Juros parados a vista

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Comentário Econômico
Segunda-feira, 30/07/2010




A ata do COPOM de julho procurou esclarecer os motivos da redução do ritmo de alta de juros na última reunião. Com um viés diferente dos comunicados até então divulgados, o comitê se mostrou menos preocupado com o descompasso entre as condições de oferta e demanda da economia doméstica. Além, disso, mostrou maior preocupação com a situação da economia mundial e seus impactos sobre o cenário local.

No campo doméstico, o COPOM avalia que “o dinamismo da atividade doméstica continuará a ser favorecido, entre outros fatores, pelos efeitos remanescentes dos estímulos fiscais, pelas políticas dos bancos oficiais”, sugerindo, portanto, certa artificialidade no descompasso atual entre oferta e demanda, que tenderia a ser atenuado à medida que os efeitos dos estímulos se dissipem. No campo externo, o BC procurou destacar sua reticência quanto à situação da economia mundial, afirmando que “aumentou a probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo sobre a inflação doméstica”.

Apesar de o comitê reafirmar que “a análise de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar, necessariamente, no cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes e passados para essa variável”, aparentemente os dados correntes mais fracos tanto de atividade quanto de inflação foram determinantes em sua última decisão. Isso sinaliza que o Banco Central entende como estrutural, e não conjuntural, o desempenho mais fraco da economia brasileira no segundo trimestre, diferentemente de nosso cenário.

Além disso, a ata revela maior preocupação da autoridade monetária com os riscos provenientes do exterior e seus impactos sobre a economia doméstica. O comunicado afirma que “se elevou a probabilidade de desaceleração do já lento processo de recuperação em que se encontram as economias do G3. Por conseguinte, a influência do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica passou a revelar um viés desinflacionário”.

Dessa forma, entendemos que a opção do Comitê em alterar o ritmo do ajuste monetário em curso não pode ser classificada somente como um ajuste fino, mas sim, como uma conseqüência da mudança de percepção do BC quanto ao estágio de recuperação da economia mundial e brasileira. Sendo assim, acreditamos que muito provavelmente o BC optará por parar o ciclo de alta dos juros já na reunião de setembro.
 

Maristella Ansanelli
Gustavo Arruda
*Economista-chefe do banco Fibra
maristella.ansanelli@bancofibra.com.br
Comentário Econômico: 02/07/2009
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