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O que fazer com a poupança diante do aumento da Selic?

28 de junho  de 2010

A expectativa do mercado é que a Selic tenha mais três aumentos de 0,75 pontos percentuais ao longo do ano. Isso significaria uma taxa básica de juros na ordem de 12,50%, próxima da projeção de 12% do último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, resultando na volta a um patamar de segurança para a inflação, já que em 2010 o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve ficar em torno dos 5,6%, bem acima da meta de 4,5%. Conforme o relatório, esse patamar poderia ser alcançado nos próximos dois anos.


A partir dessa conquista, o país deve continuar a crescer em níveis mais civilizados, ou seja, sem pressão da demanda, observa Marco Antonio Martins, sócio-diretor da JMInvestimentos. “Talvez a grande diferença desse aumento de juros para os outros que o Brasil teve no passado tem relação com essa forma da retomada de crescimento e com o tamanho do aumento dos juros”, explica o gestor. Ou seja, o brasileiro não vai voltar a ver a Selic em torno dos 17%, mas também não apresentará um incremento no PIB por volta dos 9%, que pode provocar algum desequilíbrio na demanda como no início desta década

É exatamente este cenário e o horizonte de mais longo prazo que sinalizam oportunidades diferenciadas para o brasileiro além da taxa de juros e do ganho proporcionado pela poupança, na opinião do gerente de investimentos da Fundação BRDE de Previdência Complementar (Isbre), Carlos Salami. “O movimento que tenho visto entre os investidores institucionais e profissionais é uma tentativa de ganhar mais arbitrando a curva de juros. Ou seja, através das oscilações dos juros dentro de um prazo mais curto”, informa o gestor. Juntamente com isso, eles estão montando pequena posição em bolsa, pois há eventos que indicam que ainda vai entrar mais dinheiro no país, mesmo diante do cenário externo, como a capitalização da Petrobras e a emissão de ações do Banco do Brasil.

De acordo com Martins, a bolsa brasileira permanece atrativa mesmo diante desse aumento de juros, pois ele próprio é um sinal de que o governo está tentando manter a inflação controlada. “O estrangeiro gosta de comprometimento com a inflação e de responsabilidade fiscal e de saber que o Brasil está preocupado em manter a estabilidade econômica. E esse é um dos fatores de atração de capital internacional”. No entanto, isso não deveria sinalizar nenhuma mudança na estratégia do investidor mais conservador, como aquele que tem recursos na caderneta de poupança, na visão do diretor da JMInvestimentos. “É razoável esperarmos mais volatilidade nos mercado este ano. A questão da Europa ainda não está resolvida, e a eleição em outubro deve estimulá-la também”.

Para Salami, a pessoa física deve pensar em instrumentos diferenciados, com o objetivo de, não só manter o patrimônio, mas montar uma estratégia de longo prazo para proteger o poder de compra desse montante. Isto é, obter um retorno, no mínimo, maior que a inflação. Por isso, o gestor do Isbre destaca os títulos do tesouro nacional lastreados em inflação (NTN-B). “Além de proteção, eles dão mais os juros do período investido. Por isso, recomendaria investir mais de 70% de um portifólio de investimentos nesses papéis”, avalia.

O gestor da JMInvestimentos chama a atenção para os custos desses produtos no Brasil. “As taxas de custódia e administração (no link abaixo) inviabilizam os investimentos de pequenos investidores. Nem para quem tem um montante de R$ 50mil tem opção mais adequada na relação retorno e proteção do que a poupança”, argumenta. O mesmo vale para os fundos DI e multimercado, na visão de Martins, alternativas que para Salami, deveriam fazer parte de uma carteira de investimentos, mesmo que de pequena parcela dela. Além disso, Martins destaca a isenção do Imposto de Renda (IR) que o investidor tem com o investimento na poupança. Mas o gestor do Isbre observa que instrumentos mais sofisticados de renda fixa, como os fundos e os certificados em direitos creditórios, especialmente aqueles atrelados a ativos no mercado imobiliário (FIDC e CRI), também possibilitam a isenção do RI.
Confira as taxas cobradas pelas operações com Tesouro Direto:
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/download/ranking/ranking_taxas.pdf

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br 

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