23/08/2010

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Preços maiores e volumes ainda em recuperação contextualizam cenário das commodities

A continuidade da retomada da economia e da demanda em todos os mercados é o principal sinalizador para os negócios com commodities. Diante disso, a tendência dos preços da maioria delas é de alta para este ano, e de estabilidade para algumas nos próximos anos. Em alguns desses mercados, essas cotações já voltaram aos níveis do primeiro semestre de 2008, antes da crise. Outras ainda não atingiram os mesmos patamares, especialmente nos negócios no mercado futuro. De maneira geral, a recuperação deve continuar ao longo deste e do próximo ano, e influenciar positivamente os negócios e os setores dependentes delas.


No caso das commodities metálicas, a volta de demanda de empresas de todo o mundo se somou ao volume que continuou sendo importado pela China durante a crise. Esse movimento está sendo responsável também pela volta dos investimentos das principais siderúrgicas mundiais. No entanto, isso ainda não tem se traduzido em margens maiores para essas empresas, observa o analista chefe da Corretora SLW Pedro Galdi. “O preço do aço não recuperou aos níveis do minério de ferro, portanto, o incremento na margem tem ficado somente com as mineradoras. Por isso, as siderúrgicas não têm conseguido repassar totalmente para o preço essa melhora de cenário”, explica o analista. A expectativa é que no ano que vem o setor siderúrgico volte a ter margens tão boas quanto antes da crise.

Para ilustrar o cenário, Galdi lembra que a tonelada do minério de ferro atingiu uma das maiores altas entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2008. De acordo com os preços negociados pela VALE, no início daquele ano, o valor era de US$ 47,00 a tonelada (t). E dois trimestre depois, a empresa chegou a fechar contratos de até US$ 77,61/t. No pior momento da crise, a cotação dessa commodity desceu aos US$ 50,19/t. Porém, já em 2010, chegou a atingir o pico de US$ 188,00/t no mercado à vista, e agora está sendo negociada a US$ 142,00/t. Para o final do ano, o analista trabalha com US$ 130/t. E para os próximos anos, com preços um pouco menores, entre US$ 119,00/t e US$ 109,24/t.

Do outro lado, a variação do preço da bobina quente, um dos produtos siderúrgicos mais representativos, demonstra ainda o caminho que as siderúrgicas tem pela frente para a recomposição dos preços e margens. Antes da crise, a cotação chegou aos US$ 1.000,00/t, abaixo dos US$ 450,00/t em dezembro de 2008. Em junho de 2009, voltou aos US$600,00/t. Segundo Galdi, no curto prazo, esses preços não devem voltar ao patamar anterior à crise de 2008. A expectativa é que o valores negociado pela tonelada da bobina a quente fique em US$ 700/t este ano.

Essa diferença na retomada também acontece entre as commodities agrícolas, apesar da boa recuperação da demanda de todas elas e de condições climáticas que favorecem a alta do preço. De acordo com o trader da Severa Investimentos, Alexandre Mourani, o mercado chamado de “soft”, representado principalmente por açúcar e café, deve continuar com uma tendência de alta ao longo do ano, dando continuidade ao movimento verificado durante o primeiro semestre. Uma possível seca, especialmente em grandes regiões produtoras, como a Índia, pressiona a cotação do açúcar para cima.

O contrário acontece com os mercados de grãos. Eles entraram em uma tendência de baixa, conforme Mourani. “No caso do milho, houve uma pressão muito grande nos preços após os estímulos ao etanol nos EUA. E acredito que não há mais espaço para um aumento na cotação”, conclui. No caso de outros grãos, como a soja, que junto com o milho, é o mais importante para a safra e para os negócios na BM&FBovespa, a oferta está bem acentuada, e Mourani não vê esse volume sendo ultrapassado pela demanda.

No caso dos negócios com boi no mercado futuro*, o trader da Severa não vê pressão nos preços, justificado por uma expectativa de estabilidade na demanda pela carne. “Pelo contrário, o consumo da carne de boi pode ser até substituído por outras carnes. Por isso, a cotação e o preço no mercado à vista devem se manter estáveis”, argumenta Mourani.

Confira a variação (%) dos preços das cotações nos principais mercados em que são negociadas em 2010:
  Até 19/08 Até 04/02*

Metais (LMEX)

(1,7)

(12,1)

Milho (CBOT)

(2,6)

(14,6)

Soja (CBOT)

(0,2)

(12,8)

Açúcar (NYBOT)

(27,7)

2,6

Café (Liffe)

(9,3)

(6,8)

Ibovespa

(2,5)

(6,8)

* Variações publicadas na matéria anterior no Acionista.com.br sobre o tema.
Fonte: Relatório corretora Ativa

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br 

*ERRATA:A pedido do trader  da Severa Investimentos, Alexandre Mourani a frase correta é "No caso dos negócios com mercado de boi" e não como está acima redigido.

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