Índice para outras matérias sobre Investimentos

Volume para investir e taxa de administração devem orientar aplicação em renda fixa

22 de março  de 2010

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada no dia 17/03 provavelmente foi última na qual a ata divulgada informa a manutenção dos juros básicos (Selic) a 8,75% ao ano. A expectativa – que já está sendo precificada nos negócios futuros da BM&F – é de elevação da taxa no decorrer de 2010. Conforme o diretor financeiro do Banrisul, Ricardo Hingel, as perspectivas de crescimento para o PIB brasileiro entre 5% e 5,5% neste ano e o deslocamento da inflação, que está em 5%, do centro da meta de 4,5%, já estão impactando a política monetária do Governo. Uma das medidas foi a redução de dinheiro em circulação, através do aumento do recolhimento compulsório dos bancos. A próxima deve ser o aumento da Selic.

Diante do incremento dos juros, uma situação de recuperação ainda incerta nos EUA e na Europa e da Bovespa com rentabilidade em alta e com níveis recuperados em relação às perdas da crise de 2008, a redução da exposição em renda variável é iminente. O diretor do Banrisul também lembra que todo o investimento em renda fixa é correlacionado à variação da Selic, o que indica que com a taxa subindo, os investimentos atrelados a ela devem apresentar retornos mais altos. De acordo com o economista da MW Investimentos, Advaldo de Campos, no entanto, o cenário não altera muito as aplicações de investidores conservadores. “Normalmente, o investidor com esse perfil direciona entre 80% e 90% do portfólio para renda fixa. O moderado, no entanto, já pode pensar em dividir a carteira entre renda fixa e variável. E o agressivo tem uma oportunidade maior de ganhar com a alta dos juros, considerando também a boa recuperação que teve a Bovespa após a crise”, detalha.

O economista da MW observa que existem mais produtos diferenciados de renda fixa no Brasil. Um deles são os fundos e produtos focados no setor imobiliário, como os Certificados de Recebíveis (CRI). O investimento em títulos públicos é a melhor opção para quem conhece um pouco o mercado, na visão de Campos. Não fica a dúvida de que o pós-fixado deverá ser a escolha, visto que acompanhará a subida da taxa de juros. Ele também deve estar atrelado a índices de inflação.

Os fundos em renda fixa são vistos com cautela pelo economista, devido às taxas de administração. Os títulos públicos, comprados diretamente do Tesouro Direto e a poupança não trazem esses custos e exigem valores menores para serem investidores do que os fundos. Em relação a isso, o gerente executivo da diretoria de varejo do Banco do Brasil, Antônio Cássio Segura, destaca que para investidores que tem valores inferiores a R$ 10 mil para aplicar, a poupança e o CDB (Certificado de Depósito Bancário) continuam sendo mais atrativos, mesmo com a subida dos juros. “Não vale à pena para o investidor diversificar um carteira desse tamanho, já que ele vai acabar perdendo rentabilidade, especialmente, os fundos de investimentos, cobram taxas maiores para valores menores”. Dividir uma carteira de R$ 10 mil em três produtos, significa ter três aplicações com taxa de administração maior, ao invés de ter uma de valor maior, com taxa inferior.

Ricardo Hingel, do Banrisul, também faz alusão ao cuidado com a taxa de administração. No entanto, observa que o aumento da Selic, que na opinião do banco deve acontecer toda em 2010, chegar a 11%, e o manter o patamar do final do ano em 2011. A partir daí, a rentabilidade da poupança será inferior durante todo esse período. “Hoje boa parte dos fundos em DI tem dificuldade de atingir um retorno maior da poupança, já que cobram taxa de administração. A partir do aumento da Selic, uma carteira que carrega um título público LFT pós-fixado passará a render mais”, explica o diretor financeiro.

Segundo o gerente do Banco do Brasil, o cenário aponta para duas tendências de investimentos para quem tem um volume superior a R$ 20 mil para investir. Uma parte disso deve ficar em 40% em um título atrelado à inflação, 40% em pré-fixados, e 20% em pós-fixados. Com a Selic ao patamar atual de 8,75%, a alocação que até agora tem apresentado melhor retorno seria 60% da carteira em pós, 20% em pré e 20% em inflação.

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br 

Advertência: As informações econômico financeiras apresentadas no Acionista.com.br são extraídas de fontes de domínio público, consideradas confiáveis. Entretanto, estas informações estão sujeitas a imprecisões e erros pelos quais não nos responsabilizamos.

As opiniões de analistas, assim como os dados e informações de empresas aqui publicadas são de responsabilidade única de seus autores e suas fontes.

O objetivo deste portal é suprir o mercado e seus clientes de dados e informações bem como conteúdos sobre mercado financeiro, acionário e de empresas. As decisões sobre investimentos são pessoais, não podendo ser imputado ao acionista.com.br nenhuma responsabilização por prejuízos que eventualmente investidores ou internautas, venham a sofrer.

O acionista.com.br procura identificar e divulgar endereços na Internet voltados ao mercado de informação, visando manter informado seus usuários mais exigentes com uma seleção criteriosa de endereços eletrônicos. Essa divulgação é de forma única, e os domínios divulgados são direcionados a todos os internautas por serem de domínio público. Contudo, enfatizamos que não oferecemos nenhuma garantia a sua integralidade e exatidão, não gerando portanto qualquer feito legal.