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Empresas brasileiras chamam atenção por nova classe consumidora e saúde macroeconômica

19de abril  de 2010

O aumento de 21% no capital alocado por fundos de investimentos de Private Equity e Venture Capital (PE&VC) durante 2009 no Brasil reflete um novo cenário pós-crise. O incremento de mais de US$ 7 bilhões comprometidos por esses agentes em um ano, totalizando US$ 34 bilhões, é baseado em fatores que diferenciam o país. Os números e as potencialidades nacionais de atração destes recursos foram apresentados e debatidos durante o Congresso da ABVCAP que aconteceu nos dias 12 e 13 de abril, no Rio de Janeiro.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da indústria, a ABVCAP, Sidney Schamed, essas características são: uma nova categoria de consumidores no país, o crescimento esperado para a economia nos próximos anos e a segurança macroeconômica, através de indicadores como inflação, contas públicas e o câmbio. “Esses aspectos já vinham se mostrando evidentes, antes da crise. No entanto, o período de maior turbulência solidificou-os”, argumenta Schamed.

O sócio-fundador e diretor do Carlyle Group, David Rubenstein – um dos palestrantes do evento -, chamou a atenção para a migração que ainda haverá dos recursos desses fundos de investimentos para países os emergentes. “Os Estados Unidos tem crescimento esperado de 2% a 3% para o próximo ano, e os recursos investidos através da indústria diminuíram de US$ 15 bilhões para US$ 3 bilhões no ano passado. Diante disso, espera-se um direcionamento para países em que a taxa de crescimento gira em torno de 10% ao ano”.

Apesar das boas expectativas, essa performance ainda não é realidade brasileira. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, apresentada pelo professor Cláudio Furtado, demonstrou que 60% do montante investido pelo PC&VC ainda é nacional. Mais de 20% vem de fundos de pensão, 16% de organizações financiadoras ou “Parent Organizations”, 10% são do fomento bancário, 9% de fundos familiares, quase 7% de fundos de participação e 5% e 4%, respectivamente, de organizações governamentais e companhias privadas.

A FINEP é um desses veículos financiadores. Ela é uma empresa de direito privado, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que atua através de diversos programas. Atualmente tem US$ 300 milhões comprometidos para o investimento em fundos que aplicam em empresas através do Programa Inovar. Os recursos são recebidos através do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e vão sendo liberados conforme a necessidade. A atuação da FINEP acontece através do investimento em fundos que aportam capital em projetos deste tipo e preparando as empresas que se inscrevem no Programa Inovar.

O chefe do departamento de capital semente, André Calazans Nascimento, conta que em dez anos, o Inovar fomentou 60 empresas. Há uma série de exigências que as empresas devem preencher, mas especialmente devem apresentar alguma inovação para seu setor. Existem dois tipos de fases em que o negócio deve estar, em ambos a companhia deve estar operando. “Às vezes, as empresas têm um faturamento pequeno, mas tem necessidade de investimentos muito grandes. Ou, ao contrário. As empresas que já participaram do Inovar têm uma receita bruta entre R$ 4 milhões até R$ 50 milhões ao ano”, detalha Nascimento.

Os desafios brasileiros para que os projetos de Venture Capital recebam cada vez mais recursos foram debatidos em um painel no Fórum no Congresso da ABVCAP, direcionado à apresentação de empresas que a FINEP prepara no programa Inovar. “A apresentação no evento é a última etapa da capacitação que fazemos com as empresas. Ela inicia com um processo de seleção, segue com o resumo de plano de negócios e finalmente a apresentação a uma banca presencial de investidores de fundos”, detalha Nascimento. Um das constatações durante do evento é de que faltam incentivos tributários para que o segmento cresça mais.

Pesquisa FGV sobre Private Equity e Venture Capital: dados consolidados 2009

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
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