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De acordo com o presidente
da Associação Brasileira da indústria, a ABVCAP, Sidney Schamed, essas
características são: uma nova categoria de consumidores no país, o
crescimento esperado para a economia nos próximos anos e a segurança
macroeconômica, através de indicadores como inflação, contas públicas e o
câmbio. “Esses aspectos já vinham se mostrando evidentes, antes da crise.
No entanto, o período de maior turbulência solidificou-os”, argumenta
Schamed.
O sócio-fundador e diretor do Carlyle Group, David Rubenstein – um dos
palestrantes do evento -, chamou a atenção para a migração que ainda
haverá dos recursos desses fundos de investimentos para países os
emergentes. “Os Estados Unidos tem crescimento esperado de 2% a 3% para o
próximo ano, e os recursos investidos através da indústria diminuíram de
US$ 15 bilhões para US$ 3 bilhões no ano passado. Diante disso, espera-se
um direcionamento para países em que a taxa de crescimento gira em torno
de 10% ao ano”.
Apesar das boas expectativas, essa performance ainda não é realidade
brasileira. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, apresentada pelo
professor Cláudio Furtado, demonstrou que 60% do montante investido pelo
PC&VC ainda é nacional. Mais de 20% vem de fundos de pensão, 16% de
organizações financiadoras ou “Parent Organizations”, 10% são do fomento
bancário, 9% de fundos familiares, quase 7% de fundos de participação e
5% e 4%, respectivamente, de organizações governamentais e companhias
privadas.
A FINEP é um desses veículos financiadores. Ela é uma empresa de direito
privado, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que atua através
de diversos programas. Atualmente tem US$ 300 milhões comprometidos para
o investimento em fundos que aplicam em empresas através do Programa
Inovar. Os recursos são recebidos através do Fundo de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico e vão sendo liberados conforme a necessidade. A
atuação da FINEP acontece através do investimento em fundos que aportam
capital em projetos deste tipo e preparando as empresas que se inscrevem
no Programa Inovar.
O chefe do departamento de capital semente, André Calazans Nascimento,
conta que em dez anos, o Inovar fomentou 60 empresas. Há uma série de
exigências que as empresas devem preencher, mas especialmente devem
apresentar alguma inovação para seu setor. Existem dois tipos de fases em
que o negócio deve estar, em ambos a companhia deve estar operando. “Às
vezes, as empresas têm um faturamento pequeno, mas tem necessidade de
investimentos muito grandes. Ou, ao contrário. As empresas que já
participaram do Inovar têm uma receita bruta entre R$ 4 milhões até R$ 50
milhões ao ano”, detalha Nascimento.
Os desafios brasileiros para que os projetos de Venture Capital recebam
cada vez mais recursos foram debatidos em um painel no Fórum no Congresso
da ABVCAP, direcionado à apresentação de empresas que a FINEP prepara no
programa Inovar. “A apresentação no evento é a última etapa da
capacitação que fazemos com as empresas. Ela inicia com um processo de
seleção, segue com o resumo de plano de negócios e finalmente a
apresentação a uma banca presencial de investidores de fundos”, detalha
Nascimento. Um das constatações durante do evento é de que faltam
incentivos tributários para que o segmento cresça mais.
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