|
De acordo com o economista e analista da Wintrade, José Góes, em 2010
dificilmente os preços das commodities não subirão, devido à expansão da
economia e ao baixo nível de juros no Brasil. “Isso continuará atraindo
investidores estrangeiros para cá e especialmente para esta classe de
ativos”, considera. No entanto, existem os riscos da haver uma percepção
de piora do cenário exterior, especialmente, devido aos altos déficits
fiscais, como nos EUA, lembra Goes.
Parte dessa retomada é explicada pela queda na demanda desencadeada por
essas commodities e consequentemente suas cotações com a crise de 2008. O
posterior aumento dos estoques reduziu os preços das commodities. As
companhias venderam seus produtos a valores mais baixos, no caso dos
grãos, e renegociaram os contratos e em alguns casos, não muito raros,
pararam unidades, como as mineradoras, que recentemente começaram a
religar fornos e voltar a operar máquinas. As empresas agrícolas amargaram
perdas consideráveis, pois tinham contraído insumos, como os
fertilizantes, a preços mais elevados, ou grãos, como no caso das
criadoras de gados, aves e suínos, para a utilização na ração dos animais
(empresas do setor de alimentos como Perdigão, Sadia, Minerva, JBS).
Conforme o economista da Wintrade, o aperto dos estoques e a situação dos
negócios das metálicas é mais complicada e, por isso, a volatilidade delas
normalmente é maior do que das cotações dos grãos. Empresas que atuam com
aqueles produtos precisam lidar com desafios como a escassez dos recursos
naturais e com o custo disso. Quanto às agrícolas, Goes esclarece que os
preços são até influenciados pelas questões climáticas, mas investimentos
em tecnologia e pesquisa têm sido os caminhos para diminuir as
dificuldades advindas desses fatores.
Perspectivas 2010
Considerando esse cenário e as variáveis citadas, os analistas da
Corretora Brascan, Pedro Montenegro e Rodrigo Ferraz, observaram, em
relatório do dia 02.02, que os números mais recentes divulgados Secretaria
de Comércio Exterior (SECEX) demonstram que as exportações de minério de
ferro para a China diminuíram 12,8% em relação a dezembro e 20,4% em doze
meses. No mesmo ritmo, ficou o preço negociado pela commodity. Apesar da
leve alta em janeiro em relação a dezembro de 2009, a queda foi de 22,3%
em 1 ano, ficando em US$ 45,6/ton no primeiro mês de 2010. Com isso, a
participação brasileira no mercado chinês – que é o terceiro maior
parceiro comercial do Brasil neste mercado -, caiu de 27,5% em nov/09 para
21,6% em dez/09, após ter apresentado uma boa evolução durante o ano de
2009.
Os números negativos poderiam sustentar uma estabilidade dos preços ou até
queda. No entanto, os analistas acreditam no aumento dos preços dessa
commodity baseado nos bons fundamentos do segmento de minério de ferro,
pelos elevados prêmios no mercado à vista chinês sobre a média mundial,
pela manutenção de altos volumes de importação, pelos baixos estoques nos
portos, e pela forte produção siderúrgica por lá. Além disso, as três
maiores mineradoras já estão operando a plena capacidade (principalmente
BHP e Rio Tinto), e há baixa capacidade de expansão da oferta até 2011 por
lá. A isso se soma a solicitação de aumento de 40% nos valores dos
contratos das mineradoras australianas com clientes como Japão e Coréia do
Sul. Segundo a Corretora Atvia, isso é positivo para a Vale, que deve
ganhar espaço para negociar seus preços, especialmente com os compradores
chineses, onde a commodity chega a ser negociada com um preço 30%
superior.
A expectativa e a recuperação que teve a cotação do
petróleo em 2009
também é positiva para o faturamento da Petrobras e dos seus papéis. Foi
exatamente a retomada da economia e a continuidade da demanda chinesa por
commodities as responsáveis pela disparada do Petróleo no mercado
internacional. A Corretora Ativa destaca outros fatores que contribuem
para a contínua subida do preço do barril: a movimentação dos investidores
financeiros no mercado futuro de petróleo, influenciada pela queda da
aversão ao risco e ao câmbio, que, com a desvalorização frente a várias
moedas, permitiu um ajuste em dólar nos preços das commodities de forma
mais acelerada.
Outro fator estimulante – mas que pode ser entendido como de risco - são
as economias desenvolvidas, que representam 54% da demanda mundial de
petróleo. Será que elas vão conseguir retomar trajetória crescente de
demanda por petróleo em 2010? Se esse ritmo não for tão vagaroso como em
2009, é possível que tenhamos uma leve alta no preço médio do petróleo no
próximo ano, acredita a Corretora Ativa. Da mesma forma, conta a demanda
por petróleo dos mercados em desenvolvimento, que continua em níveis quase
oito vezes superiores a média mundial.
A expectativa para os preços dos grãos deveria seguir o mesmo raciocínio
das outras commodities, ainda mais que leva vantagens, conforme lembrou
José Góes da Wintrade. No entanto, o professor de Economia da FEA-USP e
pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas (FIPE), Fernando Homem de
Melo, destaca algumas questões que chama de preocupações em estudo
divulgado no final de 2009, baseando-se em dados divulgados pelo
Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
O pesquisador observa que, apesar de alguns fatores que deveriam indicar a
continuidade da alta dos preços em 2010, não parece ser essa a tendência.
Melo observa que boa parte dos grãos já reduziu os altos estoques durante
2009. Em boa medida, isso foi possibilitado pela produção adicional de
biocombustíveis e ao bom desempenho da economia mundial. O professor
destaca que aparentemente o fundo do poço foi o quarto trimestre de 2008.
“Em setembro último os preços de algodão e soja foram maiores que os do
quarto trimestre de 2008, mas os de trigo e milho foram menores. Todavia,
o preço da soja teve uma substancial queda relativamente a agosto”,
especifica.
No entanto, baseado em dados da Bolsa de Chicago e Nova York, estimativas
feitas em outubro do ano passado e incorporando o câmbio nesta conta, os
principais grãos terão queda de preços no primeiro semestre de 2010.
Excetuando-se o algodão, que deve ser maior em 8,6%, respectivamente as
cotações da soja, do trigo e do milhão cairão 29,4%, 30,2% e 24,0% em
relação a 2009 (com base nos números conhecidos até os primeiros nove
meses de 2009). No total, soja, trigo e milho representam 40% do valor da
produção total brasileira (composta de 20 produtos vegetais) do ano
passado. Evidentemente, ressalta Melo, a apreciação prevista do real em
torno de 20% afetará negativamente os preços dos produtos exportados do
país e, em consequência, o valor da produção total. No entanto, este ano
deve ser um pouco melhor em função de um maior preço internacional. Soja e
milho, entretanto, deverão ter preços bem menores aos produtores no
momento da comercialização no primeiro semestre de 2010.
Variação dos preços das
Commodities em 2010
|
Metais (LMEX) |
(12,1) % |
|
Milho (CBOT) |
(14,6) % |
|
Soja (CBOT) |
(12,8) % |
|
Açúcar (NYBOT) |
2,6% |
|
Café (Liffe) |
(6,8) % |
|
Petróleo (WTI e
Brent) |
(7,8)% |
|
Ibovespa |
(6,8) % |
Fonte: Corretora Ativa até
04.02
Para saber mais sobre a commodity celulose acesse
o
link da matéria setorial publicada em janeiro de 2010.
|