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Receio é que nova instrução eleve os custos dos clubes de investimentos

06 de abril  de 2010

O dia 23 de abril é o prazo máximo que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vai receber sugestões para a instrução que substituirá a de nº 40, de 7 de novembro de 1984, que regulamenta os clubes de investimento. A partir daí, entrarão em vigor as novas regras que tratam sobre a constituição, a administração, o funcionamento, a divulgação de informações e a distribuição de cotas dos clubes. Desenvolvidos principalmente para atrair novos e investidores com poucos recursos para aplicar no mercado de renda variável, os clubes podem ter características e custos alterados a partir das novas regras.

Até o início deste ano, os clubes registrados na BM&FBovespa totalizavam 2.963. A quantidade e o patrimônio líquido de mais de R$ 13 milhões são recordes, e o número total de cotistas de 142.737 alcançou poucas vezes números maiores antes da crise que atingiu o mercado financeiro em 2008. Mudanças foram propostas pela CVM com a justificativa de evitar a utilização dos clubes para “propósitos de arbitragem regulatória”, isto é, a fuga de regras mais rigorosas que são aplicadas aos fundos de investimentos. Algumas das exigências nessa linha são a constituição de balanço e assembleia anuais e a extinção da figura do cotista responsável pela gestão, cuja responsabilidade, a partir das novas regras, pode ser transferidas para as corretoras (da mesma forma que é nos fundos de investimentos).

Para Robson Queiroz, o diretor comercial da SLW, corretora que detém 105 clubes sob sua administração, as regras propostas pela CVM não devem causar muitas mudanças para o investidor. Ou seja, os clubes devem continuar sendo usados como instrumento de apresentação do mercado aos iniciantes em renda variável. No entanto, pode exigir das corretoras alguma adaptação. “A única definição pela qual estamos esperando a CVM se manifestar é como será a gestão dos clubes daqui para frente, já que a figura do cotista responsável pela gestão, não existirá mais”, afirma Queiroz.

A realização da assembleia anual não deve representar mais custos, segundo o diretor da SLW, pois, conforme a minuta da instrução que está em audiência pública, elas poderiam ser realizadas por email ou chat, e não teriam que se enquadrar na nova Instrução 481 – uma regulamentação nova que traz uma série de exigências à realização das assembleia de cotistas de empresas de capital aberto. A mesma opinião é compartilhada pelo presidente da Diferencial Corretora, Pedro Luis Szabo, que administra pouco mais de 30 clubes. No entanto, ele acredita que os custos para um clube se manter devem aumentar, se as modificações presentes na minuta em audiência forem aprovadas.

Szabo lembra que a nova instrução propõe reduzir o número máximo de cotistas de 150 para 50. Isso pode elevar os custos por cotistas, mesmo que as taxas atuais não mudem, pois os valores terão que ser diluídos por um grupo menor de pessoas. No entanto, ele acredita que essas mudanças não devem causar outras modificações para aqueles clubes formados por grupos familiares, que já tem normalmente uma formação com menos pessoas que os clubes abertos – constituídos por cotistas que não se conhecem. Na opinião do presidente da Diferencial, muitas das mudanças propostas não interessam aos investidores de clubes, por mais que a intenção da CVM seja dar mais transparência a partir de iniciativas como balanços e assembleias. “Para os investidores de clubes interessa apenas a rentabilidade do produto”, acredita Szabo.

A preocupação que o gerente de recursos de terceiros da XP Investimentos, Vasco Queiroz, tem com as possíveis mudanças é que os clubes podem vir a se descaracterizar. “O clube é ferramenta que tem por finalidade proporcionar o aprendizado e trazer o pequeno investidor para o mercado, mas com a nova instrução, ele deve ficar muito parecido com um fundo, e nem sempre, é isso que o investidor de clube quer”, argumenta. A XP administra 84 clubes (de acordo com dados disponibilizados no site da BM&FBovespa), a maioria já formado por grupos pequenos de cotistas. Por isso, Queiroz, da XP, acredita que exigências como balanços e até auditoria dos clubes podem também elevar os custos para os clubes.

CVM-Edital Audiência Pública 01/10- Regulamentação dos Clubes de Investimentos
CVM-Minuta sobre a Audiência Pública-Regulamentação dos Clubes de Investimentos
Acionista.com.br: Acesse nossa página de Opções de Investimentos: Clube de Investimentos

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
redacao@acionista.com.br 

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