03/09/2010

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Setores relacionados ao consumo e à oferta de crédito são preferidos para 2010

As empresas incluídas no setor financeiro, de consumo e de construção civil foram as que melhores resultados apresentaram no segundo trimestre de 2010. Elas também fazem parte do topo da lista de preferidas pelos analistas para o segundo semestre deste ano. Um estudo produzido pelo departamento de economia da Austin Ranting (publicada no dia 14 de agosto) analisou 230 empresas com ações listadas na BM&FBOVESPA de 29 setores diferentes, e conclui que o lucro líquido obtido por elas durante o segundo trimestre deste ano foi quase 30% superior ao mesmo período de 2009.


A justificativa para esse desempenho é o cenário interno, conforme destaca o relatório: o vigoroso crescimento econômico brasileiro em 2010 que, em grande parte, foi fomentado pela atividade doméstica, resultou de ações de estímulos do governo federal, como a redução do IPI para setores chave da economia, além de terem sido impactadas pelo aumento de liquidez promovida pelo Tesouro Nacional e pelo equilíbrio monetário exercido pelo Banco Central.

Esses pontos são chaves para explicar o setor que ficou em primeiro lugar em termos de lucro e rentabilidade (analisando o indicador Lucro Líquido sobre o Patrimônio Líquido), que foi o de bancos. Analisando o segundo índice, as empresas do setor financeiro, excluindo bancos, e as de varejo e energia ficaram entre os primeiros lugares com os maiores incrementos nas rentabilidades, em relação há doze meses, respectivamente, de 171%, 24,5% e 17,67%.

Essa visão também é contemplada na análise da XP Investimentos, segundo o seu analista-chefe Rossano Oltramari, e pelo analista da UM Investimentos, Gustavo Hon. Ambos destacaram o setor de varejo como um dos destaques no segundo trimestre. Nesse segmento, o analista da XP destaca os resultados das Lojas Renner e das Lojas Americanas (operação física da B2W).

Outro setor que chamou a atenção desses analistas foi o de construção civil. Os destaques da XP e da UM foram as mesmas companhias: PDG e Rossi. De acordo com Gustavo Hon, o que mais impressionou no desempenho delas foi a eficiência em reduzir custos e despesas, o que contribuiu para que os níveis de margens (líquida e ebitda) obtidos fossem acima da média do setor, que foi muito bem e impactados pelo bom nível de vendas.

Perspectivas

No segundo semestre, esses setores devem continuar chamando a atenção. Conforme Oltramari, da XP, o setor de consumo continuará sendo beneficiado pela entrada de consumidores da base da pirâmide, das classes C e D. As empresas de construção civil, têm pela frente a continuidade da expansão do crédito para o setor, além dos eventos esportivos como Copa e Olimpíadas no Brasil. Os bancos também são empresas diretamente impulsionadas por esse cenário, devido à necessidade de crédito. Os papéis que mais devem ganhar no segundo semestre são as construtoras PDG e Brookfield e a BrMalls, administradora de Shopping Center, na visão da XP. “Outra grande oportunidade é a OGX, no setor de petróleo e gás”, observa Oltramari.

Entre as empresas do setor de consumo apontadas pela UM está o Pão de Açúcar, que ainda tem sinergias para capturar das últimas aquisições, especialmente, com as Casa Bahia. “A Braskem também é considerada por nós como beneficiária do cenário positivo do setor de consumo, já que produz a matéria-prima para todos os tipos de embalagem”, explica Hon. Outros setores que têm perspectivas positivas, na análise da Um, é o de Açúcar e Álcool, através da São Martinho e da Cosan; o setor financeiro, através de ItaúUnibanco, que ainda tem sinergias para capturar da fusão, Banco do Brasil e BM&FBovespa.

O que também fundamenta essas preferências é a expectativa de alta dos papéis em bolsa. Conforme a análise da Austin, esses bons resultados ainda não estão precificados nas cotações no mercado financeiro. “As ações dessas empresas não apresentaram o mesmo desempenho, muito pelo contrário, foram registradas perdas de 8,0% e 10,3% na média no segundo trimestre e no primeiro semestre de 2010, respectivamente. O Ibovespa, por sua vez, registrou perdas de 12,9% e 11,2% no mesmo período”, destaca o relatório.

Esse movimento de recuperação é esperado para o segundo semestre pelos analistas, especialmente, após as definições do processo de capitalização da Petrobras. A XP calcula um preço-justo para o Ibovespa de 80 mil pontos. A Um tem uma expectativa de que o índice possa chegar a 75 mil no final do ano. Junto com esse cenário, é esperada uma taxa de básica de juros (Selic) estável até o final do ano, ou com uma pequena elevação, o que contribui para a volta do fluxo para a BM&FBovespa. A XP trabalha com uma Selic de 11,75%, e a Um, com manutenção do atual patamar de 10,75% durante os próximos cinco meses.


Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
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