O Portal Acionista e o IBRI, em parceria, apresentam aos seus usuários e associados um trabalho conjunto que visa apresentar a visão do profissional de relações com investidores sobre vários temas relacionados a sua atividade, tais como relacionamento com os acionistas e investidores, novas ferramentas de comunicação, aprimoramento profissional, governança corporativa, responsabilidade social, sustentabilidade e muitos outros assuntos que poderão ser acompanhados aqui. 
A cada semana você conhecerá a opinião dos participantes do debate sobre o tema específico a uma das perguntas. E a cada 60 dias um novo tema será escolhido.


Ínicio:30/11/2009

DEBATE PORTAL ACIONISTA & IBRI 

TEMA : Sustentabilidade

Participantes:
- Diogo Zinsly
- Angela Airoldi

Gerente de RI – CTEEP S/A
Gerente de RI – Sabesp S/A

A definição de empresa sustentável é, ainda, incompreensível e até mesmo um mistério para uma significativa parcela de investidores e consumidores, pelo fato de que os processos internos que distinguem uma empresa comum de uma sustentável nem sempre são transparentes ou adequadamente expostos para o mercado. Como identificar que a sustentabilidade é prática da corporação ou apenas ferramenta de marketing e propaganda? Diante deste dilema, pergunta-se ao executivo de RI:

1. Que estratégia de comunicação eficiente deve ser adotada pela companhia para divulgar a sustentabilidade como princípio de gestão?

2. Qual foco principal da sustentabilidade é o mais percebido pelos executivos de RI entre os praticados nas companhias: administrativa, ambiental ou social? E, na sua companhia?

3. Quais os indicadores geralmente utilizados pelas companhias para avaliar o resultado da política de sustentabilidade adotada?

4. Qual a estratégia é mais adequada para compatibilizar o conflito de interesses do investidor que busca o lucro e da companhia que aumenta custos para adotar princípios de sustentabilidade?

5. Como os executivos de RI podem melhor justificar para os investidores da companhia que a adoção dos princípios de sustentabilidade beneficia acionistas, consumidores, funcionários e a própria sociedade?

6. Como os executivos de RI avaliam a evolução do número de companhias que adotaram os princípios de sustentabilidade no Brasil e do valor das respectivas ações em relação ao que ocorre nos EE.UU. e na zona do euro?      

1. Que estratégia de comunicação eficiente deve ser adotada pela companhia para divulgar a sustentabilidade como princípio de gestão?

Diogo Zinsly – Gerente de RI – CTEEP S/A

Deve-se realizar um plano de comunicação interna anual cujo objetivo é disseminar aos colaboradores e demais stakeholders os principais conceitos e programas trabalhados pela organização. Além disso, utilizar seu relatório de sustentabilidade como principal ferramenta para disseminar sua atuação frente a sustentabilidade com seus grupos de interesse. 

Angela Airoldi – Gerente de RI – Sabesp S/A

A estratégia de comunicação eficiente é aquela que envolve a empresa com todos os seus públicos estratégicos, com todos os seus stakeholders.
No caso da Sabesp, o conceito de "Sustentabilidade" está consolidado na Estratégia, na “Visão” e descrita nas “Diretrizes e Objetivos Estratégicos”. A adoção de um modelo de negócio focado na sustentabilidade é divulgado aos acionistas em diferentes relatórios publicados e disponíveis no website da Empresa, ex: IAN, Form 20-F; Relatório de Administração, além da publicação do "Relatório de Sustentabilidade". A Sabesp também participa da carteira do ISE BMF&Bovespa.

2. Qual foco principal da sustentabilidade é o mais percebido pelos executivos de RI entre os praticados nas companhias: administrativa, ambiental ou social? E, na sua companhia?

Diogo Zinsly – Gerente de RI – CTEEP S/A

A urgência na solução de problemas de impacto mundial como o aquecimento global e a desigualdade social, este, principalmente nos países periféricos, torna mandatório que executivo de RI incorpore iniciativas no seu dia-a-dia e procure influenciar a Companhia participando, em conjunto com outras áreas da organização, de temas relacionados ao meio ambiente e ao bem-estar social. Adicionalmente, é importante que o executivo de RI não se resuma a abordar tão somente aspectos econômico-financeiros da Companhia com o público investidor, mas também, e não menos importante, mostrar que o relacionamento com os seus grupos de interesse faz parte de sua estratégia e que contribuirá para sua perenidade.

O conceito de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) está incorporado ao modelo de gestão da CTEEP. Tal conceito se traduz na adoção de ações éticas, em diálogos transparentes, na integridade de suas relações, na sua preocupação com o meio ambiente e nos compromissos assumidos com seus grupos de interesse: colaboradores, clientes, fornecedores, acionistas e investidores, estado e sociedade.

Angela Airoldi – Gerente de RI – Sabesp S/A

No caso da Sabesp, pela natureza do negócio, o foco principal é o ambiental. Faz parte do trabalho da área de RI mostrar o quanto a sustentabilidade ambiental é importante par a o nosso negócio.  O uso responsável da água é fundamental para a continuidade do nosso negócio.

3. Quais os indicadores geralmente utilizados pelas companhias para avaliar o resultado da política de sustentabilidade adotada?

Diogo Zinsly – Gerente de RI – CTEEP S/A

Realizamos anualmente a medição dos indicadores Ethos e ISE para avaliar a evolução da atuação da companhia frente a temática da sustentabilidade.

Angela Airoldi – Gerente de RI – Sabesp S/A

A Sabesp utiliza os indicadores do Balanced Scorecard para o planejamento estratégico e a gestão os objetivos definidos. Ao participar da carteira do ISE BMF&Bovespa a Sabesp incorpora as dimensões, critérios e indicadores do ISE como uma ferramenta de comparação com outras empresas listadas na BMF&Bovespa, sob os aspectos da sustentabilidade. Além disso, os Relatórios de Sustentabilidade descrevem indicadores específicos para outros públicos de interesse da Empresa, além dos acionistas.

4. Qual a estratégia é mais adequada para compatibilizar o conflito de interesses do investidor que busca o lucro e da companhia que aumenta custos para adotar princípios de sustentabilidade?

Diogo Zinsly – Gerente de RI – CTEEP S/A

A estratégia mais adequada é demonstrar ao investidor que a curto prazo o aumento de custos para adotar princípios de sustentabilidade se refletirá em programas, projetos e ações que visam a longo prazo uma atuação que promova o desenvolvimento sustentável e a geração de valor.
A companhia deve ter uma comunicação clara e transparente para que os acionistas estejam cientes que para que os resultados sejam sustentáveis ao longo do tempo, é fundamental considerar os interesses  dos seus grupos de interesse –  colaboradores, acionistas e investidores, fornecedores, clientes, governo, sociedade, comunidades do entorne entre outros, já que estes, de certa maneira, assumem um risco, direto ou indireto, relacionada à atividade da organização.

 

Angela Airoldi – Gerente de RI – Sabesp S/A

A Sabesp não acredita que a busca pela sustentabilidade implique, necessariamente, em conflitos decorrentes de uma eventual  redução de lucros em função de aumento de custos. Ao contrário, o equilíbrio entre as dimensões econômica, social e ambiental na gestão empresarial apontam para uma melhor performance econômico-financeira e para uma redução de riscos estratégicos e operacionais e, portanto, tendem a gerar valor sustentável para acionistas e demais stakholders.

5. Como os executivos de RI podem melhor justificar para os investidores da companhia que a adoção dos princípios de sustentabilidade beneficia acionistas, consumidores, funcionários e a própria sociedade?

Diogo Zinsly – Gerente de RI – CTEEP S/A

Ao adotar princípios de sustentabilidade reforçando que a partir dos compromissos assumidos com cada um dos grupos de interesse da cia.  e com a gestão efetiva de suas práticas, ações e programas a empresa agrega valor, gera confiança e contribui para o desenvolvimento da sociedade onde está presente, garantindo também a sustentabilidade do seu negócio a longo prazo.

Angela Airoldi – Gerente de RI – Sabesp S/A

Além do que já foi exposto, os executivos de RI devem demonstrar sistematicamente aos investidores e demais stakholders, a partir das melhores práticas de governança corporativa, o conjunto de resultados da gestão empresarial em suas múltiplas dimensões.

6. Como os executivos de RI podem melhor justificar para os investidores da companhia que a adoção dos princípios de sustentabilidade beneficia acionistas, consumidores, funcionários e a própria sociedade?

Diogo Zinsly – Gerente de RI – CTEEP S/A

Acredito que no Brasil as companhias não conseguiram mensurar, ainda, o potencial de criação de valor quando da adoção de princípios de sustentabilidade vis-à-vis a melhor precificação de suas ações e, por conseguinte, do aumento do valor de mercado de suas companhias.

Percebo alguns movimentos interessantes no Brasil como é o caso da criação dos chamados “Fundos Verdes”, ou seja, aqueles que avaliam as iniciativas voltadas à sustentabilidade das companhias como um critério cada vez mais relevante quando da alocação de seus recursos. Certamente o custo de captação das empresas que não se preocupam com o tema ficará cada vez maior, bem com a pressão social sobre elas.

Angela Airoldi – Gerente de RI – Sabesp S/A

Essa evolução pode ser avaliada de diferentes formas, dependendo dos setores e do porte das empresas. Existem diferentes fundos de sustentabilidade, de responsabilidade social, fundos verdes, éticos ou de governança corporativa que podem servir como indicadores da demanda dos investidores por esse tipo de opção, além da análise das tendências dos fluxos de recursos de longo prazo em países riscos e emergentes, entre EE.UU e zona do euro. Também existem índices [ISE BMF&Bovespa Brasil] que permitem avaliações dessa natureza a exemplo do DJSI World – USD Performance and Risk, FTSE4Good Global Index, Ethibel Sustainability Index (ESI) e outros.

Acesse abaixo os debates anteriores:
1. Acionista mais participativo
2. Votos nas Assembléias
3. Governança Corporativa
4. Profissionais de RI
5. 9º Encontro Nacional de RI: Atualização, mudanças, globalização
6. Segmentação da base de acionistas
7. A importância do site de RI e da Internet na ação dos Profissionais de RI
8. O papel da Imprensa no relacionamento do Investidor com a Companhia
9. A Crescente Complexidade das funções de R.I. e os Desafios dos Executivos da Área
10. Assembléias on-line, entraves e benefícios
11. A Implantação das IFRS no Brasil
12. Relações com Investidores em momentos de crise
13. Perspectivas em RI para 2009
14. IFRS na Prática
15. A Auto-Regulação e o CODIM
16. Destaques do 11º Encontro Nacional de RI e Mercado de Capitais

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