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DEBATE PORTAL ACIONISTA & IBRI |
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TEMA IBRI 2011:
O
Desafio da Educação Financeira
Início: 01/04/2011
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Participantes: |
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Carlos Yamashita |
Gerente de RI do Bradesco |
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Diego Carneiro Barreto |
Gerente de RI e Mercado de Capitais
Construtora OAS |
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João Antônio Passos Carvalho |
Mahle Metal Leve S.A.
Relações com Investidores |
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O Desafio da Educação Financeira
Com o objetivo de ser uma política pública e com a finalidade de fortalecer a
cidadania, a eficiência e solidez do sistema financeiro nacional, foi instituída
em 22 de dezembro de 2010, pelo Decreto nº. 7.397, a Estratégia Nacional de
Educação Financeira (Enef).
A Enef é uma iniciativa do Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados
Financeiros, de Capitais, de Seguros, de Previdência e Capitalização (Coremec),
formada pelo Banco Central (BC), Comissão de Valores Mobiliários (CVM),
Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e
Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Mediante projetos direcionados e ações coordenadas, a Enef visa aperfeiçoar a
compreensão dos consumidores a respeito dos conceitos e dos produtos
financeiros, promovendo uma maior segurança no processo de tomada de decisões.
Com isso, espera-se que a sociedade desenvolva habilidades financeiras que
ajudem na identificação dos riscos e oportunidades envolvidos nas decisões
econômicas.
Diante do objetivo do programa de educação financeira definido pela Enef,
pergunta-se:
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1. Como o executivo de RI avalia este programa? |
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2. No entendimento da área de RI até que ponto o programa contribuirá para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro? |
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3. A sua companhia promove ou pretende promover ações com foco na educação financeira e na formação de futuros investidores? |
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4. Há, na visão dos administradores de RI, perspectiva das companhias brasileiras investirem na implementação do programa instituído pelo referido decreto? |
5. Que alterações no projeto do governo os executivos de RI propõem sejam eventualmente feitas e que ações entendem sejam possíveis implementar a curto prazo visando atender aos objetivos do decreto.
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1. Como o executivo de RI avalia este programa? |
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Carlos Yamashita
Esta iniciativa atende aos interesses da sociedade e do mercado financeiro.
A recente ascensão de pessoas das classes D e E para a classe C no país provocou uma transformação no mercado consumidor brasileiro, tendo em vista que pessoas antes sem poder aquisitivo, passaram a ter acesso a bens de consumo e a terem o desafio de gerenciar suas finanças pessoais.
Sob o ponto de vista do mercado, o desenvolvimento das habilidades financeiras da população contribui para a inclusão da população no sistema financeiro e para uma melhor compreensão sobre os produtos e serviços oferecidos.
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Diego Carneiro Barreto
A criação de uma política pública como esta muito bem vindo para o
mercado de capitais brasileiro. Além do papel de fortalecimento da
cidadania, uma política desta dimensão possibilita a educação financeira
da população, podendo resultar em um maior fluxo de recursos para o
mercado de capitais, bem como estimulando a poupança. Ademais, esta
política torna possível que os brasileiros tenham maior conhecimento de
produtos e serviços financeiros, exigindo, de forma consciente e sábia,
seus direitos na Justiça.
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João Antônio Passos Carvalho
O profissional de RI avalia esta iniciativa de maneira muito positiva. O
IBRI já consolidou sua atuação na área de educação financeira através de
uma série de atividades. Como exemplo, podemos citar o Encontro Nacional
de RI, o MBA de Finanças, Comunicação e RI do IBRI/FIPECAFI,
participação em cursos da BM&FBovespa e APIMEC, entre muitas outras
iniciativas.
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2. No entendimento da área de
RI até que ponto o programa contribuirá para o desenvolvimento do
mercado de capitais brasileiro? |
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Carlos Yamashita
A educação financeira é um pilar importante para o desenvolvimento do mercado de
capitais no Brasil, pois influencia a demanda por regulamentação e fiscalização
e, especialmente, atrai novos investidores para o mercado de capitais: as
pessoas físicas – realidade que já vem sendo experimentada no Brasil em função
do cenário de confiança frente aos demais países do mundo.
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Diego Carneiro Barreto
Uma política desta permitirá a criação de a cultura de investidores
pessoas físicas alastre-se em maior velocidade, agregando ao mercado
mais volumes de recursos e liquidez. Ademais, em uma fuga de capitais
estrangeiros, por motivos alheios a solidez do mercado, este capital
torna-se um capital de liquidez para o Brasil.
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João Antônio Passos Carvalho
Os últimos dez a quinze anos certamente serão registrados como um dos
períodos mais ricos em transformações e avanços em relação ao mercado de
capitais brasileiro. Assistimos ao fortalecimento institucional do
mercado e a adoção dos princípios de sustentabilidade empresarial e
melhores práticas de governança corporativa. Nesse processo, a atividade
de RI ganhou relevância ainda maior, dando suporte às atividades das
companhias abertas no seu relacionamento com os agentes do mercado de
capitais e com seus públicos estratégicos. Neste contexto, qualquer
iniciativa educativa ou esclarecedora aos consumidores, em potencial
público-investidor, só pode contribuir para o aprimoramento do mercado.
O fator limitante é muito mais relacionado à capacidade de poupança da
população, para posterior alocação a investimentos.
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3. A sua companhia promove ou pretende promover ações com foco na educação financeira e na formação de futuros investidores? |
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Carlos Yamashita
O Bradesco tradicionalmente é um banco de portas abertas e tem na sua essência uma vocação para a inclusão bancária. Desde 2009, está presente em todos os 5.565 municípios brasileiros, atuando inclusive em comunidades como a da Rocinha, no Rio de Janeiro, e de Heliópolis e Paraisópolis, em São Paulo.
Acreditamos que a inclusão bancária nessas comunidades desencadeia um círculo virtuoso. Munidas de cartões de débito e de crédito, as pessoas buscam usá-los no comércio local, gerando oportunidades para os comerciantes formalizarem suas atividades, consolidando-se como pessoas jurídicas. Com o apoio do Bradesco, obtêm crédito para investir em seus negócios e geram mais empregos, ofertam melhores produtos e conquistam novos clientes.
A educação financeira no Bradesco viabiliza este relacionamento virtuoso, uma vez que está apoiada em uma série de iniciativas, tais como: (i) fóruns sobre crédito nas comunidades onde está inserido, a fim de estabelecer um diálogo com clientes e não clientes e tecer esclarecimentos sobre os produtos e serviços oferecidos, (ii) hot site (disponível em www.bradesco.com.br) direcionado a clientes e não clientes com orientações quanto à forma de administrar seus recursos, conhecer as linhas de crédito que o Bradesco possuí, dicas de como usar cada produto de crédito e, para quem possui dívidas, orientações para conseguir sair delas,e (iii) cursos gratuitos on-line de matemática financeira e finanças pessoais disponíveis no site institucional (www.bradesco.com.br), proporcionam o conhecimento e o desenvolvimento do controle financeiro e de investimento das finanças pessoais. Também o site direcionado a universitários (www.bradescouniversitarios.com.br) possui informações voltadas ao público jovem sobre como investir e utilizar corretamente os recursos.
Além destas ações, faz parte da estratégia de democratização da informação e formação dos investidores, a realização dos Encontros Apimec/INI, que em 2010 contou em suas 18 apresentações com a participação de mais de 4 mil investidores presentes e mais de 22 mil internautas do Brasil e do Exterior.
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Diego Carneiro Barreto
Como Coordenador de Desenvolvimento Profissional do IBRI, estamos sempre apoiando a educação financeira e formação de futuros investidores, seja por meio da capacitação dos profissionais de RI ou pelo apoio a projetos de entidades que promovam ações neste sentido.
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João Antônio Passos Carvalho
Até o momento, a companhia promoveu ações com foco na educação financeira de seus colaboradores. Em relação à formação de futuros investidores, há outros participantes do mercado mais estruturados e que poderão adotar ações mais efetivas.
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4. Há, na visão dos administradores de RI, perspectiva das companhias brasileiras investirem na implementação do programa instituído pelo referido decreto? |
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Carlos Yamashita
Acreditamos que as empresas brasileiras têm grande interesse nos resultados da
implementação do programa, o que nos leva a crêr que têm apetite para investir
nas ações de implementação. Especialmente, a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN)
já apóia a iniciativa.
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Diego Carneiro Barreto
As companhias que tiveram um pensamento estratégico, devem investirem na
implementação do programa. É um ciclo virtuoso no qual todas entidades são
beneficiadas diretamente.
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João Antônio Passos Carvalho
As áreas de RI estão focadas nas melhorias de seus processos de comunicação com
seus públicos estratégicos. Neste sentido, o conteúdo do website de RI provém
informações diferentes a públicos diferentes, sejam investidores institucionais
ou pessoas-físicas, visando adequar o interesse de seus públicos às suas
expectativas na obtenção de informações. Deste modo, as companhias vêm
implementando atividades visando à educação de seus públicos estratégicos.
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5
Que alterações no projeto do governo os executivos de RI propõem
sejam eventualmente feitas e que ações entendem sejam possíveis
implementar a curto prazo visando atender aos objetivos do decreto. |
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Carlos Yamashita
O Bradesco está em processo de avaliação das ações e dos instrumentos
necessários para a implementação do programa ENEF, por meio de um grupo de
trabalho que conta com diferentes Áreas da Organização, acompanhado pelo Comitê
de Sustentabilidade, a fim de maximizar esse Programa.
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Diego Carneiro Barreto
Um alteração saudável seria o maior envolvimento de entidades de classe da
iniciativa privada. O decreto prevê esta possibilidade e não o necessário
envolvimento. Trabalhos desenvolvidos por uma série de entidades poderia agregar
substancialmente nas discussões e decisões. Outra sugestão é incentivar as
companhias brasileiras divulgarem tal iniciativa, em função da sua capilaridade
junto ao público investidor.
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João Antônio Passos Carvalho
As alterações no projeto do governo têm que definir claramente os papéis,
responsabilidades e estratégias a serem adotadas para cada novo participante do
mercado poder atuar neste projeto. Por outro lado, via de regra, a estrutura das
áreas de RI é muito pequena, e aliada ao fato dos avanços institucionais,
regulamentares e contábeis dos últimos anos, a área já se encontra
sobrecarregada para atuar em outras frentes. O profissional de RI sempre atuou
para melhorar o grau de entendimento de seus públicos em relação às companhias
abertas, e poderá colaborar ainda mais. Mas isso irá depender de ações
planejadas e coordenadas.
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