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A cada semana você conhecerá a opinião dos participantes do debate sobre o tema específico a uma das perguntas. E a cada 60 dias um novo tema será escolhido.

 Ínicio: 13/05/2009

DEBATE PORTAL ACIONI$TA & IBRI 

                  TEMA : IFRS na Prática

Participantes:
Vania Borgerth

Marc Grossmann
Roberto Listik


Chefe do Departamento de RI e Contadora Chefe do BNDES

Gerente de RI da São Carlos Empreendimentos S/A
Gerente de RI da Drogasil S/A

 

O Brasil adotará a partir de 2010 os princípios contábeis definidos pela IFRS (International Financial Reporting Standards), conforme se noticia, entre outras razões, para possibilitar a comparação mais adequada de ativos dos principais mercados que adotam estes princípios. Uma das características mais importante dessa metodologia é o registro do valor dos ativos não mais pelo valor histórico, como até agora praticado no Brasil, mas pelo seu valor de mercado ou marcação a mercado no jargão dos profissionais da área.

Considerando os efeitos negativos da crise financeira internacional no valor das empresas, tanto no exterior como no país, pergunta-se:

 

1. Seria este o momento mais adequado para a adoção desta nova metodologia contábil, considerando a crise financeira  internacional, na opinião dos executivos de RI?

2. Os executivos de RI entendem que de um modo geral as companhias brasileiras já estão preparadas para aplicar os princípios contábeis da IFRS?

3. Quais os efeitos positivos e negativos mais importantes decorrentes da implantação dos princípios da IFRS?

4. Quais as principais recomendações que os executivos de RI fazem às companhias antes da adoção desses princípios?

5. Qual a política de comunicação com os acionistas que o executivo de RI recomenda seja adotada considerando o impacto que a implantação desses princípios pode causar no valor dos ativos e no resultado da companhia?    

 

1. Seria este o momento mais adequado para a adoção desta nova metodologia contábil, considerando a crise financeira internacional, na opinião dos executivos de RI?

 

Vania Borgerth  -  Chefe do Departamento de RI e Contadora Chefe do BNDES
Eu particularmente acredito que longe de atrapalhar, a adoção do IFRS constitui um dos pontos fortes para se acalmar a crise.  O estopim desta crise foi exatamente o momento em que papéis antes tidos como sólidos e confiáveis, ao serem valorizados a preços de mercado, se revelaram com pouco ou nenhum valor.  A última coisa que um investidor precisa neste momento de crise é ficar se perguntando sobre o que mais está sendo escondido dele.  Neste sentido, um padrão reconhecidamente transparente como o IFRS é a resposta.

 
 
Marc Grossmann  -  Gerente de RI da São Carlos Empreendimentos S/A
Sim. Este momento de crise internacional, com restrições de crédito, redução nas atividades de negócio e atraso nos investimentos, pode até ser visto como uma boa oportunidade para as empresas se atentarem mais para a sua estrutura e processos internos, inclusive os da contabilidade. O processo de adoção do IFRS no Brasil está em linha com demanda do mercado financeiro por mais transparência e mais informações das empresas, principalmente neste momento de crise.
 
 

Roberto Listik  -  Gerente de RI da Drogasil S/A
Considero o momento apropriado ao estabelecimento da nova metodologia contábil. Em primeiro lugar, o princípio que norteia o IFRS ser o valor de uso/mercado/função utilitária. Já neste particular, observamos a vantagem da adoção desta nova sistemática contábil. Títulos e valores mobiliários registrados à valor histórico, quando sua natureza operacional (financeira) traduzidas ao valor de mercado, tornam-se títulos sem valor, é o reflexo real da operação financeira. De forma análoga, marcas e patentes, que não se traduziram em investimentos em serviços, renovação de logos, comunicação visual et al, o valor histórico não reflete o valor operacional da marca ou patente. 
Constitui o momento mais adequado, pois permitirá comparabilidade entre empresas do mesmo segmento com seus pares internacionais, em todas as linhas de balanço e demonstração de resultado, independente das diferenças de moedas.   

 
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2. Os executivos de RI entendem que de um modo geral as companhias brasileiras já estão preparadas para aplicar os princípios contábeis da IFRS?

 

Vania Borgerth  -  Chefe do Departamento de RI e Contadora Chefe do BNDES
Não, afirmar que as companhias brasileiras já estão preparadas para aplicar os IFRS seria muito ambicioso.  Há muito a ser feito, principalmente do que diz respeito a treinamento, e muitas empresas ainda, sequer, deram o passo inicial.

 
 
Marc Grossmann  -  Gerente de RI da São Carlos Empreendimentos S/A
Ainda não. Hoje, o desafio na contabilidade das empresas é assimilar e acompanhar o processo de conversão do BR GAAP em IFRS, adequar os sistemas de contabilização e controle e treinar a equipe. Muitos tiveram que correr neste começo de ano, para adequar os demonstrativos financeiros às regras definidas nos Pronunciamentos do CPC e Instruções CVM que impactaram os resultados de 2007 e 2008. A expectativa é que o processo de mudança na contabilidade das empresas fique cada vez mais previsível e tranqüilo ao longo de 2009.
 
 

Roberto Listik  -  Gerente de RI da Drogasil S/A
Os sistemas contábeis, ou ERP, deverão ser adaptados ao novo plano de contas ou apresentação do IFRS. Dependendo do segmento de atuação da organização, isto pode implicar, complexas alterações nos ajustes à valor presente (financeiras ou varejistas com operação expressiva de cartão de crédito), operações de arrendamento mercantil (cálculos de depreciação e reconhecimento da despesa de leasing); amortização dos investimentos em marcas e patentes et al,, operações de tesouraria e investimentos. 

 
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3. Quais os efeitos positivos e negativos mais importantes decorrentes da implantação dos princípios da IFRS?

 

Vania Borgerth  -  Chefe do Departamento de RI e Contadora Chefe do BNDES
Como principais vantagens, temos a maior integração da contabilidade com a alta gestão da empresa, a redução dos custos de controle e captação, melhor possibilidade de comunicação entre os profissionais de RI e os investidores, menor necessidade de conciliação de resultados, etc. Eu não colocaria como pontos negativos, mas como grande desafio: o maior investimento em treinamento profissional a fim de garantir um profissional que além de meramente executar, saiba exercer sua liberdade de julgamento e defender suas escolhas.

 
 
Marc Grossmann  -  Gerente de RI da São Carlos Empreendimentos S/A
Os principais efeitos positivos são a maior facilidade para analistas e investidores entenderem os resultados das empresas brasileiras, e compará-los aos das empresas sediadas em outros países, e a maior facilidade para as empresas captarem recursos no exterior. Os principais aspectos negativos são o custo inicial de implantação e o maior nível de subjetividade na contabilização que o método IFRS permite, em determinados casos, o que pode eventualmente prejudicar a interpretação.
 
 

Roberto Listik  -  Gerente de RI da Drogasil S/A
Os efeitos positivos: Demonstrativos financeiros que permitem comparações com organizações similares em outros Países onde adota-se o IFRS. No caso Brasileiro, ocorre o estímulo pela alteração do padrão contábil, pois isolou-se os impactos para apuração do IRPJ e Contribuição Social.  Portanto teremos demonstrativos financeiros que traduzem mais fielmente o contexto das operações da empresa.
Os efeitos negativos: implicam num primeiro momento, um relatório contábil adicional á ser realizado em paralelo aos sistemas contábeis. Apuração para fins de contabilidade fiscal seguirá no padrão antigo.  Implicará em despesas de treinamento a funcionários dos departamentos fiscal, contabilidade, controladoria, tesouraria sobre  a nova metodologia e seus impactos na organização. Demandará relatórios manuais em paralelo aos sistemas de contabilidade em uso. Demandará recursos do departamento de TI. 

 
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4. Quais as principais recomendações que os executivos de RI fazem às companhias antes da adoção desses princípios?

 

Vania Borgerth  -  Chefe do Departamento de RI e Contadora Chefe do BNDES
Não trate a migração para os IFRS como um problema restrito ao departamento de contabilidade, toda a empresa precisa estar envolvida no processo, principalmente a alta administração da empresa; e nunca é cedo demais para começar... aqueles que se adiantaram têm chances de concluir o processo a tempo.  Os que não o fizeram certamente não o conseguirão.

 
 
Marc Grossmann  -  Gerente de RI da São Carlos Empreendimentos S/A
Entender claramente os impactos que a nova forma de contabilização terá nos demonstrativos financeiros da sua empresa; não deixar a adequação da estrutura da sua empresa, em termos de sistema e pessoal, para a última hora; e sempre apresentar de modo claro e transparente, nas notas explicativas, no release e demais materiais de comunicação, as alterações que foram promovidas na contabilização dos ativos, passivos e resultados.
 
 

Roberto Listik  -  Gerente de RI da Drogasil S/A
No contexto operacional da organização, discriminar os eventos que devem ser contemplados com classificações contábeis adaptadas à nova metodologia do IFRS. 

 
 

5. Qual a política de comunicação com os acionistas que o executivo de RI recomenda seja adotada considerando o impacto que a implantação desses princípios pode causar no valor dos ativos e no resultado da companhia?

 

Vania Borgerth  -  Chefe do Departamento de RI e Contadora Chefe do BNDES
O executivo de RI recomenda uma liguagem direta e clara, mostrando onde a empresa ganha e onde ela perde com o processo de migração. Pois, parafraseando W. Buffet, o problema não é dizer ao acionista o quanto ele perdeu, é deixá-lo na incerteza sobre quanto ainda perderá.

 
 
Marc Grossmann  -  Gerente de RI da São Carlos Empreendimentos S/A
A política deve continuar sendo a de divulgar e oferecer muita explicação e transparência ao mercado. É interessante notar que muitos analistas também estão neste momento aprendendo a ler e entender os demonstrativos financeiros elaborados em IFRS. Então faz sentido que durante este processo de mudança do BR GAAP para IFRS, com a Lei 11.638/07, Pronunciamentos do CPC e Instruções CVM que alteram as regras contábeis, as companhias listadas também divulguem nos releases, e demais materiais de comunicação, a conciliação dos resultados com e sem os efeitos da nova regra, explicando as diferenças.
 
 

Roberto Listik  -  Gerente de RI da Drogasil S/A
A comunicação num primeiro momento deverá ser amplamente didática, explicando as principais variações e alterações ocorridas.  No contexto operacional da empresa, as contas contábeis que tiveram mais relevância e alteração em função da introdução do IFRS, devem receber destaque.  Explicações deverão ser segmentadas aos analistas, investidor pessoa física  e investidor institucional.  Para o investidor pessoa física, um roteiro de Perguntas e Respostas, demonstrando as principais contas contábeis que foram afetadas na empresa com a adoção do IFRS deve ser considerado.

 
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      Acesse abaixo os debates anteriores:
      1. Acionista mais participativo
      2. Votos nas Assembléias
      3. Governança Corporativa
      4. Profissionais de RI
      5. 9º Encontro Nacional de RI: Atualização, mudanças, globalização
        6. Segmentação da base de acionistas
      7. A importância do site de RI e da Internet na ação dos Profissionais de RI
       8. O papel da Imprensa no relacionamento do Investidor com a Companhia
       9. A Crescente Complexidade das funções de R.I. e os Desafios dos Executivos da Área
    10. Assembléias on-line, entraves e benefícios
    11. A Implantação das IFRS no Brasil
    12. Relações com Investidores em momentos de crise
    13. Perspectivas em RI para 2009

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