Incertezas quanto à sustentabilidade da demanda mundial devem
pressionar margens
A busca por mercados abundantes em matérias-primas e a consolidação da
parceria com a Petrobras no Brasil foram objetivos reafirmados pela
Braskem durante apresentação de resultados com associados da Apimec-Sul.
As margens maiores de rentabilidade em outros países, especialmente,
pela presença de fontes naturais, como de gás nos Estados Unidos e
Petróleo na Venezuela, é a principal justificativa. As aquisições e os
investimentos mais recentes da companhia foram nesta linha e devem
continuar, principalmente, diante do cenário de preços menores para os
produtos petroquímicos a partir do quarto trimestre deste ano, conforme
sinalizou a diretora de relações com investidor, Luciana Ferreira.
A entrada de novos volumes mundiais – e de plantas que estão sendo
consolidadas pela própria Braskem, o aumento do preço das
matérias-primas – diante da subida do petróleo e do nafta - e a retomada
do dólar devem fazer pressão nas cotações nos próximos dois anos. Em
2009, a volta da demanda já pode ser percebida, ainda que de forma
tímida, como na Europa, que foi de 2%, e na China, que surpreendeu com o
incremento do PIB. No entanto, esse cenário deve ficar mais claro a
partir da metade do ano de 2010, pois ainda há problemas em operações e
as altas taxas de desemprego nos EUA preocupam. A Argentina, que é o
segundo maior mercado petroquímico do mundo, também dá sinais de
melhora.
No Brasil, a demanda por resinas termoplásticas cresceu 1% no ano
passado, e atingiu 4,2 milhões de toneladas. No período, as vendas da
Braskem de resinas aumentaram 14% em relação a 2008, frente a uma
produção maior de 10% de resinas, atingindo 3,1 milhão t. As vendas de
Propileno (PP) se destacaram e tiveram incremento de 9%, influenciadas
pela maior disponibilidade do insumo na planta de Paulínia (RJ). As
vendas de PVC caíram 8%, devido a menor utilização da indústria de
construção civil.
Diante desse desempenho e influenciada por um real mais valorizado no
quarto trimestre, a Braskem apresentou resultados em linha com 2008, mas
inferiores e contribuiu para resultados negativos ou menores. Em 2009, a
empresa apresentou um Ebitda de R$ 2,4 bilhões, em linha com 2008, e com
uma margem de 16,2%. A Receita líquida diminuiu 18% na mesma relação,
ficando em R$ 15,248 bilhões. O lucro líquido foi de R$ 917 milhões, bem
acima do prejuízo de R$ 2,5 bilhão do ano anterior.
|