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Efeitos da Crise Financeira de 2008 ou Nova Crise Mundial? |
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O comportamento atípico dos mercados nas últimas semanas renovou as preocupações com o futuro da economia internacional. A grande questão é definir se a espetacular volatilidade das bolsas, fato sempre presente em momentos de grandes crises, é fruto dos rescaldos da crise fiscal de 2008 ou se, na verdade, estamos enfrentando uma nova, de proporções semelhantes à de 1937, conhecida como segunda etapa da Grande Recessão, provocada pelo erro do governo que promoveu exagerados cortes de despesa, engessando a economia. Aliás, o Economista Nouriel Roubini, sempre ele, conhecido como Dr. Apocalipse, um dos poucos que previu a crise de 2008, em artigo recente, afirmou que os sinais de desaquecimento mundial não podem mais ser ignorados. O otimismo ilusório em torno do assunto foi riscado do mapa pelos pobres indicadores de desempenho da economia americana e pela fraqueza severa dos países da Europa. Roubini declarou, também, que um forte crescimento do PIB – coisa que pode aumentar salários e o gasto dos consumidores – requer um estímulo fiscal amplo, concordando com outro economista de primeira linha, o prêmio Nobel de economia Paul Krugman, em que, no caso dos Estados Unidos, o estímulo fiscal de US$ 786 bilhões, aprovado pelo Congresso em 2009, era pequeno demais para criar uma demanda agregada necessária para alavancar a recuperação da economia ao nível de uma auto expansão sustentável. Na falta de um estímulo fiscal adicional, ou sem esperar um forte crescimento do PIB, a única solução é uma reestruturação universal da dívida dos bancos, das famílias (essencialmente das economias familiares), e dos governos, disse Roubini. No entanto, não ocorreu tal reestruturação, comentou. O atual cenário político americano, envolvido em exacerbada disputa eleitoral entre democratas e republicanos e segundo analistas, carentes de líderes capazes de encontrar pontos comuns em suas políticas que privilegiem os interesses econômicos do país, parece indicar que, infelizmente, a esperada recuperação econômica deve mesmo demorar. Os reflexos na economia mundial dessa demorada recuperação serão impactantes para não se dizer catastróficas. O problema fiscal da zona do euro é grave porque em grande parte derivado da crise imobiliária americana, agora exacerbado pela lenta recuperação dos EUA, seu maior parceiro comercial, e pela falta de confiança do mercado internacional na liquidez de importantes países da região. Economias nacionais com características próprias e muitas vezes conflitantes, legislação e gestão fiscais individuais e moeda comum, são fatores que tornam complexa qualquer solução a curto prazo. Logo, é de se esperar que o caminho da recuperação européia seja longo e eivado de obstáculos. O Japão, por sua vez, outro importante parceiro internacional vive uma longa estagnação agravada, recentemente, por terremotos e tsunâmi de grande proporção. A China enfrenta sua própria inflação e a queda do consumo mundial com relativo desaquecimento da produção industrial, derrubando o preço das commodities e impactando a exportação de seus fornecedores, como a do Brasil, por exemplo. Afinal, o mundo enfrenta reflexos da crise de 2008 ou nova crise mundial? Pensamos, diante deste cenário, que os mercados enfrentam hoje uma nova e complexa crise de confiança, derivada da de 2008, tendo como fonte a difícil situação financeira de importantes bancos europeus e alguns americanos, grandes tomadores de títulos dos países mais endividados da região que não conseguem recuperar o equilíbrio de suas carteiras de crédito e provocam um ciclo vicioso de desconfiança interbancário. As bolsas ao redor do mundo, conseqüentemente, apresentarão alta volatilidade até que as autoridades monetárias da Europa consigam encontrar um mecanismo eficaz de controle das instituições financeiras e ferramentas capazes de assegurar liquidez do sistema bancário. |
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*Editado e Publicado em 19/08/2011 |
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