|
|
|
|
|
A Tragédia Grega Ameaça a Estabilidade da Europa |
|
A situação econômica da Grécia não se resume nos efeitos deletérios da sua astronômica dívida pública e no grave desequilíbrio fiscal cujas receitas não conseguem atender as despesas correntes públicas sem considerar a parcelas da dívida. O que mais preocupa a comunidade financeira internacional e assombra seus parceiros do euro é absoluta falta de confiança que suas desastradas decisões na área política e econômica atraíram para o país. A Grécia foi o primeiro país da região a solicitar ajuda externa para implantar um projeto de reestruturação da sua dívida. No curto período de maio a dezembro de 2010 o país conseguiu a notável proeza de reduzir sua divida em 5% do PIB. Mas, esta proeza, não foi suficiente para mudar a sua economia. A competitividade se manteve inerte; não melhoraram a eficiência e a produtividade; os mecanismos de melhoria da competitividade não foram adotados; e, mantiveram-se os nefastos efeitos financeiros dos famosos direitos adquiridos. São razões suficientes para explicar o colapso da economia. A consolidação fiscal não foi acompanhada do necessário crescimento da atividade produtiva que amenizasse os efeitos do apertar dos cintos. Desde o início do corrente ano a Grécia granjeou a desconfiança da comunidade internacional aumentando a dúvida sobre a real capacidade de pagar sua dívida, afastando investidores e credores internacionais e dificultando o diálogo tão necessário nesses momentos. Até os processos de privatização que poderiam ter amenizado a situação nos primeiros meses se tornaram hoje um grande problema porque as condições financeiras do país mudou para pior. A estratégia adotada pelo governo grego resumiu-se, portanto, em um passageiro ajuste orçamentário sem atentar para mudanças mais profundas na estrutura da economia, possibilitando uma recuperação econômica em menor prazo. Mesmo depois da proposta de perdão de 50% da sua dívida e da adoção de um rígido programa de ajuste orçamentário, formulada pelos credores, com apoio do FMI e do FEEF - Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, o governo grego decide submeter tal proposição à apreciação de um plebiscito nacional para surpresa geral dos mercados mundiais. A primeira consequência foi o excepcional aumento do descrédito na economia grega. A seguir, espera-se a inexorável queda do primeiro-ministro George Papandreou e a formação de um gabinete de coalizão nacional capaz de gerenciar com eficácia as medidas necessárias à reestruturação da economia grega pois, como se vê, tal situação não se resolve só com a renegociação da dívida. O governo grego tem que demonstrar não só austeridade, mas reaquecer a economia do país e criar condições favoráveis para atrair investimentos e desenvolver a indústria de exportação. Não basta só cobrar mais impostos e adotar medidas de austeridade fiscal, reduzir salários e benefícios fiscais, estimulando o desemprego e a queda de renda e poupança e causando a recessão. A zona do euro precisa de maior poder fiscal para auxiliar os países em dificuldades com mecanismos como emissão da dívida européia ou criação de taxas sobre cada país da zona, soluções complexas mas possíveis de gerar resultados positivos. O perigo maior da crise grega é a contaminação de países com alto endividamento como Itália, Espanha e Portugal. A Itália é a terceira economia da eurozona e a quarta da Europa que além do déficit público e o desemprego, enfrenta sérias dificuldades no setor bancário e uma crise política sem precedentes que pode agravar irremediavelmente sua situação econômica e abalar toda região. A reunião do G20, realizada recentemente em Cannes, não foi capaz de resolver o impasse da crise Grega e conseqüentemente, distender a crítica situação econômica européia. Os mercados internacionais se manterão voláteis, provavelmente, ainda por muito tempo induzidos pela crise do euro e pela estagnação da economia americana que pairam como nuvens ameaçadoras para as bolsas de valores. Neste cenário conturbado de crise o Brasil tem também oportunidades como diz o economista Paulo Guedes. “Temos o lado bom da herança européia, a inclusão social, mas precisamos nos livrar do lado ruim: o mercado de trabalho travado, o excesso de regras, o sindicalismo pesado. Temos totais condições de criar nosso ciclo de crescimento baseado no mercado interno. Temos energia, petróleo, comida, temos tudo. O Brasil pode se tornar a maior fronteira de crescimento do mundo”. |
| Tweet |
|
*Editado e Publicado em 08/11/2011 |
|
|
|
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Acionista.com.br |