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Mercados emergentes são as bases para manter a taxa anual de 20% de expansão

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26 de agosto de 2008
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A entrada na China é a recente empreitada anunciada pelo grupo Randon. A expansão das atividades para mais um país faz parte da estratégia em que o mercado internacional é o caminho para crescer mais que o mercado interno e as sete unidades operantes atualmente permitem. No entanto, esse passo não significa apenas o décimo segundo país, excluindo o Brasil, em que o grupo firma bases, mas a entrada no maior consumidor e competidor mundial. A produtora e líder mundial de freios e fricção, a Fras-le, deu início à instalação de uma planta no sudoeste chinês, a fim de vender aos países asiáticos e comprar alguns equipamentos de fornecedores locais. Sem mais detalhes divulgados, a informação mais precisa é que a unidade deve começar a operar no início de 2009.

O diretor de relações com investidor, Astor Milton Schmitt caracterizou a entrada na China como uma maneira de conhecer como funciona esse mercado. Em reunião na ApimecSul, contou que há mais de 30 anos vai a China, e ainda não conhece nada. Por estar do outro lado do mundo e ser uma realidade totalmente oposta da brasileira, Schmitt caracteriza a operação, inicialmente, como uma experiência, no entanto, fundamental diante do atual processo de globalização. “Se o nosso negócio é produzir e vender reboques, temos que fazer o melhor em qualquer lugar que estivermos”, afirmou o diretor, ilustrando a presença mundial da Randon e a entrada no país, que vem assuntando mercados e ditando o ritmo dos preços mundiais. Por isso, apesar da dimensão e importância do início das operações na China, o grupo está focado em crescer onde estiver. O que justifica isso são as atuais previsões para o mercado brasileiro, mas também a necessidade de explorar outros compradores potenciais, que para a companhia estão todos no cenário emergente mundial.

No Brasil, a Randon detém mais de 37% do segmento de implementos rodoviários e agrícolas em um mercado dominado por cerca de cinco grupos. A produção de 25 mil unidades o coloca entre os dez maiores do mundo, onde se produzem 700 mil reboques e semi. Esse segmento, que conta também com a participação do mercado de caminhões e veículos especiais, cresce com o bom momento das indústrias domésticas, como a agrícola, a mineradora, a de papel e celulose e a de bioenergia, e foi responsável por 48,57% do faturamento de R$ 2,12 bilhões no primeiro semestre, e da manutenção da taxa de crescimento anual em 25%. Projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) estimam que a produção anual de caminhões passe de 150 mil unidades para 210 mil em cinco anos. Os semi e reboque, de 60 mil para 85 mil. E a de ônibus, dos atuais 45 mil para 60 mil. Isso significa, nas contas da Randon, um crescimento de pouco mais de 40% nos próximos cinco anos. Ou seja, menos de 10% ao ano. O raciocínio da companhia, transmitido pelo vice-presidente David Randon, é que, apesar das bases do crescimento do grupo estarem na expansão do mercado interno, é preciso do mercado externo para incrementar o crescimento e continuar seguindo a taxa de 25% ao ano.

O potencial visto para as vendas de reboques acontece na América Latina e no Nafta, em países como Venezuela, Colômbia, Chile e México (onde o grupo tem escritórios). Na Argentina e nos Estados Unidos, a companhia tem unidades produtivas, e recentemente a Fras-Le também se instalou no Alabama (EUA). Outros potenciais são a África do Sul, o Marrocos, Dubai, na Índia, também  onde a Randon tem sedes comerciais, e em países como Angola e a Argélia. Na Alemanha a companhia tem a joint-venture Jost, através da Fras-Le. Da produção brasileira 20% é exportado para esses mercados. O momento é considerado muito bom, principalmente nas relações com o Mercosul e Chile, que compraram mais de um terço do volume exportado no primeiro semestre, que foi da US$ 138,5 milhões, ou seja, incremento de 37% sobre o mesmo período de 2007. Isso resultou na revisão de guindance das vendas externas de US$ 250 milhões para US$ 270 milhões neste ano. As importações também têm aumentado, a fim de fugir um pouco da valorização do real, mas no consolidado do ano devem ficar em US$ 90 milhões, conforme previsto.

Para suportar a demanda e os objetivos de expansão do grupo, o plano-plurianual, iniciado em 2005 com data final para 2009, está sendo posto em prática. Dos R$ 800 milhões previstos, 68,7% já foram aplicados. Neste ano, a intenção é atingir um faturamento de R$ 4,2 bilhões, e uma receita líquida consolidada de R$ 3 bilhões, com a ajuda do montante de R$ 250 milhões investidos. O foco da aplicação desses recursos é a contratação e qualificação de mão-de-obra e promoção de inovação tecnológica. No primeiro semestre, 1.365 novos postos de trabalho foram criados, totalizando 9.465 funcionários, um acréscimo de quase 17% em relação a 2007. O valor de R$ 50 milhões foi destinado para benefícios, e R$ 16 milhões para ações do meio ambiente, principalmente para uma das novidades do grupo, a unidade de fundição, na Castertech, na planta de Caixas do Sul (RS).   

De acordo com o diretor financeiro da holding Geraldo Santa Catharina, 2,5% da receita da companhia é destinada ao desenvolvimento de produtos. Entre os investimentos deste ano, o destaque é para a pintura e-coat, com que já foram gastos mais de R$ 70 milhões, e que deve operar a partir de outubro deste ano. Uma nova caldeira custou R$ 20 milhões e será responsável pela integração da cadeia de suprimentos. No projeto do freio Quadraulic foram mais R$ 20 milhões, e é um exemplo de diversificação de produtos, que o grupo inclui na lista de estratégias. O campo de provas, que permitirá reforçar os serviços para clientes nacionais e internacionais, será aberto em janeiro de 2009 e precisou de R$ 20 milhões. E a planta Castertech, 100% do grupo, através da qual a Randon vai começar a fazer fundidos, recebeu mais de R$ 100 milhões. A capacidade inicial é de 30 mil toneladas, sendo que um terço será utilizado para o consumo do grupo. No entanto, é uma unidade construída com a possibilidade de ser duplicada. Ela começa a operar também no início do ano que vem e tem um custo de capital estimado em 12% e um retorno de oito anos.     



Apresentação  Apimec-Sul
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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