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“A economia brasileira ainda não sentiu os efeitos da
desaceleração dos Estados Unidos. O que continua sendo a nossa
preocupação é a inflação”, declarou o diretor de relações com
investidor da Grendene, Francisco Schmitt. O executivo admite que uma
queda da atividade doméstica é esperada. A expectativa de redução do
crescimento do PIB neste e no próximo ano terá impacto no consumo
doméstico, que deverá afetar a compra de bens secundários, como
calçados. Segundo o diretor, desconsiderando que o segundo e o
terceiro trimestres são mais fracos, o que foi possível sentir foi um
pouco de receio dos lojistas ao começar as compras para o verão no
mês de julho. No entanto, nem crise americana, nem inflação, mudam os
planos da companhia.
Neste mês, uma nova linha de produtos está chegando aos cerca
de 60 pontos de venda que a Grendene tem no país. A marca Zaxyteen é
mais uma opção entre as mais de 20 linhas próprias, terceirizadas e
licenciadas. Ela vai ocupar um nicho de calçados femininos para
adolescentes. Nesse segmento a empresa já encontrará produtos
concorrentes, mas a expectativa está na confiança da qualidade e
diferenciação do produto. O segredo para vencer a concorrência são
produtos diversificados. Mas ainda os maiores volumes e receitas vêem
de produtos considerados de massa, como chinelos e sandálias.
No primeiro semestre, a Grendene vendeu 64,8 milhões de
pares, cerca de 14% a mais que no mesmo período do ano passado. A
meta é elevar em 5% os volumes vendidos no segundo semestre. O
faturamento, que cresceu 6,6% no 1S08, deve crescer 10% até o final
do ano. No período, a receita líquida aumentou quase 6%, e foi
ajudada pelos volumes vendidos, já que o preço médio dos produtos
caiu 6,5% (o preço médio ficou em R$ 9,54). Para atingir os
guidances, a companhia vai trabalhar com preços maiores até o
final do ano.
No mercado externo, o incremento de receita foi maior, cerca
de 15,5%. O faturamento no exterior representou 13,21% da receita
total do primeiro semestre. A estratégia é elevar esse percentual a
partir de um esforço de fortalecimento da marca. Atualmente, a
companhia é responsável por cerca de 28% do volume de calçados
exportados do Brasil (em 2007 foram 40 milhões de pares exportados).
A desaceleração da economia norte-americana não representa risco às
vendas da Grendene. Cerca de um quarto da exportação vai para o bloco
do nafta, e entre 2008 e 2007, os volumes foram maiores cerca de 60%.
Conforme Schmitt, o que tranqüiliza a empresa é que ela está presente
em 85 países, com participações diversificadas.
A região da Ásia, incluindo a China, onde já vende,
representa cerca de 20% das receitas das vendas internacionais. A
expectativa é que esse percentual aumente. A companhia entende que o
potencial do mercado consumidor chinês é significativo, mesmo o país
sendo o maior exportador de calçados. O consumo é de 1,9 pares de
calçados por habitante ao ano, abaixo da média dos países
desenvolvidos de 7 a 8, e do Brasil, cuja média é de 3,1.
Para fazer frente às vendas, a companhia conta com uma
capacidade de produção de 190 milhões de pares, para uma produção que
no ano passado foi de 145 milhões. Eles estão agrupados em cerca de
500 a 600
produtos. A produção de 90% vem das plantas do Nordeste (além da
região, possui unidades no Rio Grande do Sul). A companhia não está
fazendo novos investimentos. Por enquanto, deve continuar com as doze
fábricas de calçados, sendo que uma delas é a produtora do PVC, a
resina utilizada nos calçados. A produção de parte da matéria-prima
utilizada foi uma das razões para que os custos não acompanhassem o
movimento de subida dos preços das matérias-primas como a nafta, o
gás e o carvão. Outra razão, que reduziu os impactos da valorização
do câmbio, é a operação de hedge com 100% da carteira de
pedidos.
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