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A Tractebel Energia, do grupo GDF Suez, permanece responsável
pela geração de 6% da produção total de energia no Brasil e com o ímpeto de
ser consolidadora do setor. Para continuar mantendo essa posição, precisa
crescer cerca de 4% ao ano. A partir 2009, o incremento que terá na geração
de energia será através da Usina Hidrelétrica de Estreito, que será
transferida da GDF para a Tractebel e adicionará 435 MW (MegaWatts) à
capacidade instalada da companhia. Toda a energia que será produzida já foi
contratada no leilão de energia nova que aconteceu em outubro de 2007.
A partir de 2010, devem entrar para a conta da empresa parte
dos 33 MW gerados pela termelétrica de biomassa, a UTE Andrade, construída
em parceria com a empresa Açúcar Guarani. A produção de 340 MW ainda não
contratada é do projeto de da Usina de Seival, na Reserva de Candiota, no
Rio Grande do Sul. O início de produção depende da liberação da exportação
para Uruguai e Argentina pelo Governo brasileiro. De acordo com o Analista
de Relações com Investidor, Rafael Bósio, só é interessante para a companhia
a exportação dessa produção, pois os níveis de retorno oferecidos pelo
governo brasileiro não compensam o investimento.
A empresa relevou os próximos passos em reunião com
investidores na ApimecSul, em 20/03/09. No final de 2008, a companhia
integrou ao portfólio de 6.432 MW em 19 usinas (a maioria hidrelétrica) três
ativos de geração que tinham sido adquiridos pelo grupo GDF Suez. As usinas
de energia eólica em Beberibe (Ceará) e em Pedra do Sal (Piauí) vão agregar,
respectivamente, 25,6 MWe 18 MW, dos quais boa parte já está contratada com
a Eletrobrás, e mais quase 20 MW da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) em
Areia Branca, em Minas Gerais. A Tractebel investiu cerca de R$ 200 milhões
nos projetos.
A dívida contraída com essas compras será paga através das
emissões que deve fazer. Uma delas será de debêntures (não conversíveis em
ações) no valor de R$ 600 milhões, por 125% do CDI em um prazo de dois anos.
Outra é de notas promissórias no valor de R$ 300 milhões, com o objetivo de
liquidar parte da dívida gerada das debêntures. O endividamento da Tractebel
é considerado baixo, fica em cerca de 1,4x do Ebitda (índice que mede a
geração de caixa), um pouco maior do que há um semestre, quando a relação
era de 1,2x. A tranqüilidade para seguir os investimentos – fundamentais
para manter o marketshare e garantir o crescimento anual estipulado
em no mínimo de 4% - é o caixa de R$ 1.8 bilhão com o qual encerrou 2008.
O desafio, principalmente para 2009, é o patamar do preço da
energia, que deve ser maior do que nos últimos três anos. De acordo com
Rafael Bósio, a sobra gerada pela ligação das térmicas em períodos de
deficiência de chuvas e a estabilidade do volume que abastasse as
hidrelétricas neste ano, pressionarão o preço. Isso já elevou o custo de
produção das companhias instaladas no Brasil, o que deve ser um dos
agravantes. Frente a isso, a Tractebel permanecerá descontratada a partir do
ano que vem, ou seja, com a energia produzida ainda não vendida, com o
objetivo de tentar aproveitar preços mais baixos, que acredita que vão
predominar nos anos seguintes.
Confira os resultados 4T08 e consolidados de 2008
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