.Índice

Serviços de procuração on-line são encarados como ferramentas que elevam a transparência e como forma de inovar e estimular a participação do investidor nas decisões da companhia
.
   20 de agosto de 2009
.

A reduzida adesão de empresas ao serviço de envio de procuração de votos pela Internet, após um ano da declaração da Comissão de Valores Mobiliários sobre a viabilidade dele, pode ser justificada pela eclosão da crise internacional. Na visão de Roberto Gonzales, diretor da consultoria em comunicação corporativa e financeira, The Media Group, o cenário inibiu investidores pessoas físicas, para os quais esses serviços seriam destinados. Gonzales também atribui a tímida repercussão a alguns episódios envolvendo o próprio serviço prestado.


Outra razão para somente Bematech, Natura e TOTVS, além do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) terem utilizado, no caso, o sistema da MZ Consult, chamado de Assembléias Online, é, culturalmente, a pequena participação do acionista minoritário nas decisões das companhias. Nesse sentido, o mercado vem andando a passos lentos, apesar das regras brasileiras de Governança Corporativa serem referência mundial. Gonzales acredita que a tecnologia estimula o aumento da transparência das empresas. No caso da Bematech, a adesão ocorreu devido a três motivos: seguir inovando e utilizar mais uma ferramenta que contribua com a Governança Corporativa. De acordo com o presidente Marcel Malczewski, o receio anterior à adesão da procuração online era se ela era legalmente reconhecida ou não. Neste caso, como era a segurança do voto; quanto custaria para a empresa; e se traria realmente benefícios à companhia.


O fator chave para a Bematech era possibilitar que o seu investidor tivesse condições para participar da assembléia, que é o grande objetivo dos serviços disponibilizados pela MZ, e também pela FIRB, chamado de Assembléia na Web. As Lojas Renner não utilizou a ferramenta, mas disponibilizou um procurador de forma gratuita aos investidores para poderem encaminhar seus votos. A Equatorial utilizou um serviço semelhante da própria MZ, que na época foi divulgado como o Assembléias Online. No entanto, a companhia apenas se utilizou de um “hot site”, que hoje faz parte do pacote de serviços da MZ, mas que serviu para a Equatorial divulgar informações referentes a uma determinada assembléia.


No caso da Bematech, a adesão do serviço cumpriu o seu objetivo. E para as próximas assembléias, a companhia pensa em utilizar outras ferramentas disponíveis no mesmo pacote, como a transmissão da assembléia ao vivo aos acionistas votantes via procuração online e a utilização de um blog. De acordo com Marcel Malczewski, este serviço é encarado como um projeto de longo prazo, inclusive, para a atrair outros grupos de investidores. Devido aos serviços da Assembléia Online, a Bematech teve a participação via procuração online de 7,5% dos votantes, do total de 61% da base de acionistas que votaram. Hoje a empresa já tem 21% dos investidores cadastrados no sistema. Para atingir essa adesão, a Bematech não fez esforço adicional em relação a recursos humanos ou a própria equipe de relações com investidor, mas acredita que os para os próximos passos, como a adesão a um blog, será preciso reforçar o time.
 
Inovações legais estimulam assembléia online
Os desafios da utilização da votação online das assembleias

 

As empresas citadas na matéria, além de Bematech e Equatorial, foram convidadas a se posicionarem. As Lojas Renner e a TOTVS não participaram, devido à dificuldade de agenda dos seus porta-vozes. A Natura está em período de silêncio (quiet period), devido à emissão de ações em processo.



Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

* Este artigo expressa a opinião do seu autor. O Acionista.com.br não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações dadas no artigo ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em conseqüência do uso destas informações.