.Índice

Retração impede expansão do crédito, que só volta com crescimento real da economia

.
20 de maio de 2009
.

         O crescimento de até 5% que pode chegar a economia brasileira no segundo semestre de 2009 prova a visão otimista do economista chefe global do banco Itaú/Unibanco, John H. Welch. A convite da Associação dos Profissionais de Mercado de Capitais da Região Sul (ApimecSul), o economista demonstrou, além do otimismo, segurança de que o Brasil pode se diferenciar dos seus pares internacionais.

A redução de 1,6% do PIB para este ano em relação a 2008 vem acompanhado de uma de suas causas: o déficit na balança comercial. A frouxidão fiscal, ou seja, os gastos ainda crescentes do Governo Federal é outra característica da política econômica brasileira que impede um desempenho melhor do país. É basicamente isso e uma considerável redução na carga tributária que contribuíram para resultados melhores. Outros aditivos a esse desempenho, como a redução da taxa de juro, que deve ficar em 9% este ano nos cálculos do banco Itaú/Unibanco, os estímulos dados pelo Governo Federal, como o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e o corte da carga tributária para alguns setores estratégicos, como o de máquinas e veículos, compõem o mix que contribuirá para a economia interna se destacar positivamente diante do cenário internacional.

A queda nas exportações foi lembrada pelo economista como um dos maiores efeitos da crise no Brasil. Segundo Welch, o tombo não foi tão forte por aqui, porque os industriais não estavam alavancados, e conseguiram subsidiar uma parada necessária na produção, desafogando os estoques. No entanto, a queda do preço das commodities, em torno de 35% até aqui desde a deflagração do chamado “olho do furacão” da crise não deixou de ter efeitos devastadores em alguns segmentos. Para este ano, o superávit comercial brasileiro deve ficar entre US$ 21 bilhões e US$ 29 bilhões. “Esse dado comprova que a nossa visão não é meramente positiva, mas representa a realidade brasileira”, destaca o economista, que considera o equilíbrio entre importação e exportação fundamental para um desempenho positivo diante do cenário atual.

A redução da Selic também é uma realidade e, para Welch, demonstra a credibilidade que o Banco Central Brasileiro ganhou ao longo dos anos. O economista não descarta que a taxa de juro esteja abaixo dos 9% até o mês de julho. Para ele isso reflete exatamente o risco do Brasil, que está cada vez mais baixo. Da mesma credibilidade compartilha o mercado financeiro nacional. A expectativa é que o Ibovespa alcance os 59 mil pontos em 2009, com destaque para os setores de agronegócio, bancos, farmacêuticos.

Esse é o cenário que deve caracterizar 2009, segundo o economista chefe global do Itaú/Unibanco, John Welch. No entanto, apesar de haver a pressão positiva de fatores como a redução dos juros e alguns incentivos governamentais, não há ainda iniciativas suficientes para alavancar o crescimento necessário. O crédito, por exemplo, só cresce após um considerável desempenho real da economia. Isso deve levar ainda alguns anos. Mas já em 2010, o crescimento esperado para o PIB é de 3,4%.



Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

* Este artigo expressa a opinião do seu autor. O Acionista.com.br não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações dadas no artigo ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em conseqüência do uso destas informações.