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O crescimento de até 5% que pode chegar a economia brasileira no
segundo semestre de 2009 prova a visão otimista do economista chefe global
do banco Itaú/Unibanco, John H. Welch. A convite da Associação dos
Profissionais de Mercado de Capitais da Região Sul (ApimecSul), o economista
demonstrou, além do otimismo, segurança de que o Brasil pode se diferenciar
dos seus pares internacionais.
A redução de 1,6% do PIB para este
ano em relação a 2008 vem acompanhado de uma de suas causas: o déficit na
balança comercial. A frouxidão fiscal, ou seja, os gastos ainda crescentes
do Governo Federal é outra característica da política econômica brasileira
que impede um desempenho melhor do país. É basicamente isso e uma
considerável redução na carga tributária que contribuíram para resultados
melhores. Outros aditivos a esse desempenho, como a redução da taxa de juro,
que deve ficar em 9% este ano nos cálculos do banco Itaú/Unibanco, os
estímulos dados pelo Governo Federal, como o Programa de Aceleração de
Crescimento (PAC) e o corte da carga tributária para alguns setores
estratégicos, como o de máquinas e veículos, compõem o mix que contribuirá
para a economia interna se destacar positivamente diante do cenário
internacional.
A queda nas exportações foi lembrada
pelo economista como um dos maiores efeitos da crise no Brasil. Segundo
Welch, o tombo não foi tão forte por aqui, porque os industriais não estavam
alavancados, e conseguiram subsidiar uma parada necessária na produção,
desafogando os estoques. No entanto, a queda do preço das commodities, em
torno de 35% até aqui desde a deflagração do chamado “olho do furacão” da
crise não deixou de ter efeitos devastadores em alguns segmentos. Para este
ano, o superávit comercial brasileiro deve ficar entre US$ 21 bilhões e US$
29 bilhões. “Esse dado comprova que a nossa visão não é meramente positiva,
mas representa a realidade brasileira”, destaca o economista, que considera
o equilíbrio entre importação e exportação fundamental para um desempenho
positivo diante do cenário atual.
A redução da Selic também é uma
realidade e, para Welch, demonstra a credibilidade que o Banco Central
Brasileiro ganhou ao longo dos anos. O economista não descarta que a taxa de
juro esteja abaixo dos 9% até o mês de julho. Para ele isso reflete
exatamente o risco do Brasil, que está cada vez mais baixo. Da mesma
credibilidade compartilha o mercado financeiro nacional. A expectativa é que
o Ibovespa alcance os 59 mil pontos em 2009, com destaque para os setores de
agronegócio, bancos, farmacêuticos.
Esse é o cenário que deve
caracterizar 2009, segundo o economista chefe global do Itaú/Unibanco, John
Welch. No entanto, apesar de haver a pressão positiva de fatores como a
redução dos juros e alguns incentivos governamentais, não há ainda
iniciativas suficientes para alavancar o crescimento necessário. O crédito,
por exemplo, só cresce após um considerável desempenho real da economia.
Isso deve levar ainda alguns anos. Mas já em 2010, o crescimento esperado
para o PIB é de 3,4%. |