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Margaret Tse: Estudo sobre a crise global de alimentos
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20 de abril de 2009
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Os ministros da agricultura do Grupo dos Oito (G8, sete países mais desenvolvidos do mundo e a Rússia),  mais os ministros de economias emergentes, se reunirão do dia 18 a 20 de abril em Cison de Valmarino, no norte da Itália, para debater com instituições como o Banco Mundial, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a União Africana (UA) sobre os preocupantes efeitos da crise econômica mundial do setor agrícola.

 

Como colaboração ao evento, um estudo, chamado "Alimente o Mundo", ou em inglês "Feed the World", realizado pelo economista agrário Douglas Southgate (Ohio State University e autor do livro "The World Food Economy"), foi lançado esta semana mostrando que os governos foram os responsáveis primários pela crise mundial de alimentos, atráves das proibições de exportações de alimentos oriundos de  países emergentes, das restrições desnecessárias em biotecnologia agrária e do tratamento indulgente ao desenvolvimento dos biocombustíveis. De acordo com o relatório do Banco Mundial, 28 países ainda continuam com  proibições em exportações de alimentos agrícolas. O professor Southgate acrescenta que esta interferência pelos políticos torna os alimentos mais caros para milhões de pessoas no mundo, inviabilizando seu acesso, e cuja tragédia poderia ser evitada.

 

Este estudo foi publicado por mais de 20 organizações globais sendo uma delas, o Instituto Liberdade (Brasil), e argumenta que os políticos tanto de países ricos e pobres devem eliminar os subsídios, cotas e outros tipos de restrições ao comércio, e fazer outras mudanças em políticas públicas.  Eis algumas questões levantadas no estudo:

 

- Ao contrário das opiniões dos radicais, a Revolução Verde (que incentivou o uso de fertilizantes e outras tecnologias) impediu a expansão da fome em uma era de crescimento populacional sem precedentes. O aumento da produtividade das colheitas (output agrícola) resultou em maior quantidade de alimentos a preços acessíveis.

 

- Entre os anos de 1950 e 1985 houve um declínio de 75% no preço real do trigo, arroz e outros alimentos básicos.

 

- Mas durante esta era de alimento barato e de outros produtos primários, do meado dos anos 80 até o início desta década, muitos países ignoraram a necessidade de se adotar novas tecnologias agrícolas e de se adotar políticas de apoio à produção agrícola.

 

- A produção per capita na África foi 6% menor em 1981 do que foi em 1961. O declínio continuou durante os anos  80 e 90.

 

- Em países como a Ucrânia e a Argentina, que possuem ambientes naturais e altamente propícios para a agricultura, os fazendeiros foram prejudicados por políticas públicas, por décadas.

 

- A falta de reconhecimento da propriedade privada e sua posse limitou as exportações de grãos na Ucrânia, assim como os impostos sobre exportação na Argentina e outras políticas discriminatórias que tiveram efeitos negativos na produtividade agrícola.

 

- A reforma política poderia ter aumentado dramaticamente a produtividade agrícola: a Ucrânia poderia ter dobrado a sua produtividade de uma média de 2,3 toneladas por hectare para 4 a 5 toneladas por hectare, produzindo um total de 60 a 70 milhões de toneladas anualmente (comparado com seus 30 milhões atualmente).

 

- Os subsídios para converter os cultivos em combustíveis líquidos custam ao contribuinte norte-americano 7 bilhões de dólares anuais.

 

- Estimativas moderadas sugerem que entre 2000 a 2050, o crescimento da demanda de alimentos será de 60%. Com este crescimento acelerado, os preços reais dos alimentos subirão e deste modo prejudicando milhões de pessoas pobres no mundo.

 

- Os mercados agrícolas precisam de livre comércio, direitos de propriedade, respeito aos contratos e Estado de Direito para funcionarem.

 

- Deve-se aumentar o investimento em pesquisa agrícola, incluindo biotecnologia, e o dinheiro público usado para este propósito deve ser concedido com base competitiva e não por favorecimento político.

 

Este estudo está dísponível em inglês, formato pdf no link:

http://www.policynetwork.net/uploaded/pdf/feedtheworld_southgate_april2009.pdf

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