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A ênfase dada ao
crescimento do Ebitda e da respectiva margem da Cemig em 2007 por seu
superintendente de relações com investidor, Agostinho Faria Cardoso,
durante a ApimecSul foi o recado deixado ao mercado de que a
companhia integrada de energia elétrica do estado de Minas Gerais
está pronta para as próximas aquisições e licitações previstas na
agenda do setor. O indicador que faz referência ao caixa da empresa
contabilizou mais de R$ 4 bilhões, acompanhado de uma margem Ebitda
de 40%.
A idéia de uma
posição de caixa forte foi reforçada com a apresentação do fluxo de
caixa positivo com mais de R$ 2 bilhões com o qual a Cemig encerrou o
ano, com o crescimento de 21% da receita líquida, que totalizou R$
10,246 bilhões, e com o perfil da dívida que foi alongado. Tudo isso
para repetir o discurso sucessivo da empresa que a companhia crescerá
através de novos projetos, sempre com visão de longo prazo, e via
aquisições, que tenham expansão acelerada e sinergias para agregar ao
grupo. Os negócios mais recentes foram as incorporações da
distribuidora Light e da TBE Transmissoras Brasileiras de Energias,
um conjunto de cinco linhas. Ambas foram adquiridas em 2006.
A meta da Cemig é
gerar 20% da energia do Brasil. Os seus ativos atuais cresceram 16%
através da capacidade de geração, que é de 6.678 Mw. Em linhas de
transmissão, aumentaram 10%, e 20%
em distribuição.
A
importância de aquisições é o salto que elas possibilitam na expansão
da companhia. A participação na licitação da usina de Santo Antônio,
primeira do Rio Madeira na Bacia Amazônica, deve ser uma de muitas
outras, e que trará retorno aos acionistas. “O futuro passa pela
Amazônia”, justificou Cardoso. A região tem 65% da potência
hidráulica do país e oferece 100 mil Mega Watts (Mw) de potência dos
243 mil Mw que ainda podem ser desenvolvidos e dos 170 mil Mw cujo
desenvolvimento ainda não foram iniciados. O superintendente lembrou
ainda que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem mais US$
50 bilhões previstos para o setor, e US$ 35 são para geração de
energia.
A Cemig se
prepara para 2011, quando o país precisará gerar mais energia. Por
isso, deve participar das próximas licitações, mas sempre visando uma
taxa de retorno (TIR). No caso da usina de Santo Antonio, a Cemig
estima que a TIR seja de 12%. A explicação de como isso é possível
após o preço aceito pelo consórcio do qual participou e saiu
vencedora ter vindo muito abaixo do teto e do esperado pelo mercado é
a expectativa do aumento do preço da energia, em razão da crescente
demanda do Brasil com o passar dos anos. E, mesmo não tendo sido
considerada pré-qualificada para concorrer no leilão da Cesp, com
data prevista para 26 de marco, sobre o qual a companhia entendeu que
o preço estava muito alto, ela não descarta participar de uma segunda
etapa desse processo. A participação deve estar estruturada como
em Santo
Antônio, assim como na possível privatização da Eletropaulo, que tem
como um dos ativos a AES Tietê, e na licitação da outra usina do Rio
Madeira, a de Jirau.
Enquanto isso, a
Cemig tem alguns desafios, com soluções apresentadas há alguns
exercícios ao mercado. Mas a percepção quanto ao esforço da companhia
para reduzir custos e despesas, por exemplo, não tem acompanhado as
saídas apresentadas pela empresa. As despesas da companhia aumentaram
17% no ano passado, e totalizaram R$ 6.951 bilhões. Mais de 65% desse
valor é devido ao incremento nas despesas operacionais com a energia
comprada. No entanto, o gasto com essa energia comprada pode ser toda
repassada à tarifa. Já as despesas com pessoal estão sendo reduzidas
com uma série de ações. Fazem parte dela a eliminação de anuênio e da
gratificação de 16,7% paga aos novos funcionários e ao Programa
Prêmio Desligamento.
A Cemig espera
obter uma TIR de cerca de 15% com essas medidas. Mas, por enquanto, a
empresa apenas gastou. O montante mais recente foi de R$ 358 milhões
para os empregados novos que não entram no novo regime de remuneração
extra no ano por meio de mérito e cumprimento de metas. Essas
despesas impactaram o lucro líquido da companhia, que em 2007 foi 1%
maior do que no ano anterior, e contabilizou R$ 1.735 bilhão.
Excluindo esses efeitos considerados não recorrentes, o lucro cresceu
6%. Quanto ao desempenho com o seu negócio, que é gerar, transmitir e
distribuir, a Cemig continua entregando resultados crescentes. As
vendas com energia foram 46% maiores em 2007. Os guindances
para 2008 serão informados a mercado no mês de maio, após a revisão
tarifária feita pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) que
será em abril. |