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Há onze anos que a EDP
Energias do Brasil começou a operar no Brasil. Em julho de 2005, a
empresa integrada controlada pelo grupo português EDP abriu capital
no Novo Mercado de Governança Corporativa da Bovespa. O objetivo
desde então é ampliar a capacidade financeira para crescer em geração
de energia e fazer parte da expansão da capacidade de energia nova
que o país precisa. Com valor de mercado de R$ 5,3 bilhões, a
companhia representa mais de 20% do total do cerca de € 13 bilhões
(Euros) que gera de caixa os negócios do grupo português, através de
investimentos em vários países. Pela primeira vez na ApimecSul, a EDP
Energias do Brasil apresentou, através do Vice-Presidente de Finanças
e Relações com Investidor Antonio Jose Sellare e da Gerente de
Relações com Investidor Maytê Albuquerque, os projetos através do
qual pretende crescer.
A estrutura atual da
companhia é formada por nove geradoras. A entrada no Brasil, em 1997,
aconteceu com a participação de 60% na construção da hidrelétrica
(UHE) de Lajeado, no Rio Tocantins. Um ano depois, houve a aquisição
da distribuidora Bandeirantes, na época em parceria com a integrada
CPFL, através da qual atende a área industrializada de São Paulo e
Rio de Janeiro. Depois adquiriu mais duas distribuidoras, a Escelsa
(ES) e a Enersul (MT), a qual vai trocar por uma participação
adicional na Usina de Lajeado. Agora são mais oito parques geradores,
com capacidade de 1.043 MW. Através de nove projetos em carteira, a
energia gerada deve crescer 102,3% e atingir 2.110 MW até 2012.
Entre eles está a
termelétrica de Pecém (parceria de 50% com a MPX), sendo que 126 MW
já foram vendidos, e um adicional de 360 MW pode ser leiloado no
evento de energia nova adiado para o final de setembro. Outros 500MW
podem vir do projeto da termelétrica de gás de Resende (RJ), e mais
500 MW, de uma termelétrica a gás do norte capixaba (ES), com
compromisso com a Petrobrás até 2013 assinado, mas ainda sem
licenciamento ambiental. Quanto aos projetos hidrelétricos, que são
de médio porte, há estudos em parceria com a integrada Cemig (e
outros parceiros) para o desenvolvimento de capacidade de 1.034 MW.
Outro estudo ocorre com a Eletronorte, para a geração de 235 MW. E
outro acordo é com a empresa de engenharia Engevix, para a geração de
170 MW. Os estudos serão finalizados ao longo de 2009, e caso a EDP
não venha a participar dos leilões, os custos com os estudos serão
reembolsados à companhia pelos parceiros.
A geração de energia
renovável aparece entre as prioridades da empresa. Ela mantém 31
projetos de Pequenas Centrais Hidrétricas (PCHs). Cerca de 14 deles
já foram entregues ao regulador (Aneel), e 13 serão até o final deste
ano. Para esses projetos, não há necessidade de ir a leilão para a
contratação de energia. Outros dois são um conjunto de 500MW de
geração eólica, em parceria com a Cemig, e geração entre 100 e até
350MW a partir do bagaço de cana. A taxa de retorno com as PCHs
normalmente são maiores, cerca de 14%. O custo até agora estimado com
100 MW gerado por térmicas é de US$ 130 milhões, e cerca de R$ 4
milhões por MW instalado.
O desempenho da geração
contribui para o resultado da companhia, que apresentou crescimento
de receita líquida e contabilizou R$ 1.203 bilhão no trimestre de R$
2.488 bilhões no semestre. Os incrementos em relação há doze meses
foram, respectivamente, de 3,9% e 9,6%. A geração de caixa (Ebitda)
também cresceu mais de 3% no trimestre, contabilizando R$ 323
milhões, e 8,7% no semestre, com R$ 707milhões. O Ebitda com a
geração cresceu 19% no trimestre. A capacidade de geração de energia
aumentou em média 63%, e a energia vendida foi 9% maior. Os
resultados também foram possíveis, de acordo com as relações com
investidor, Maytê Albuquerque, através da busca pela eficiência
operacional com redução de 26,4% nas despesas financeiras (decorrente
do melhor resultado cambial) e com a queda de 15,9% nos gastos
gerenciáveis (em que não se inclui energia comprada e encargos com a
venda).
O volume de energia
distribuída cresceu 2,8% no trimestre, e totalizou R$ 6.444 GWh, e
12.731 GWh no semestre. No segmento a companhia registrou redução de
caixa, devido às revisões tarifárias ocorridas no primeiro semestre.
O lucro líquido foi beneficiado pela redução de gastos gerenciáveis.
Já o volume de energia comercializada, através da empresa Enertrade,
caiu 6,5% no trimestre, e 1% no semestre. Apesar do lucro líquido do
segmento ter apresentado forte redução entre os trimestres, cresceu
14% entre os semestres. No consolidado trimestral, a companhia
apresentou prejuízo líquido de R$ 4 milhões, devido a efeitos
não-recorrentes da uma conversão da dívida da Energul e uma subvenção
na controlada Enerpeixe referente à redução de um benefício fiscal.
Por serem fatores contábeis, e o lucro ajustado ter sido de R$ 129,3
milhões no trimestre, apresentando crescimento de 14,5% na comparação
com doze meses, a companhia vai pedir ao conselho que reconsidere e
mantenha o pagamento de 50% do lucro líquido ajustado em forma de
dividendos de juros sobre capitais. Esse percentual é pago
normalmente após o IPO, apesar do percentual de 40% ser o determinado
no estatuto. A companhia tem um
free float
de 38% do total de ações, com 58% de investidores internacionais.
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