.Índice

EDP Energias do Brasil elevará a capacidade em 102,3% e crescerá através da geração

.
14 de agosto de 2008
.

Há onze anos que a EDP Energias do Brasil começou a operar no Brasil. Em julho de 2005, a empresa integrada controlada pelo grupo português EDP abriu capital no Novo Mercado de Governança Corporativa da Bovespa. O objetivo desde então é ampliar a capacidade financeira para crescer em geração de energia e fazer parte da expansão da capacidade de energia nova que o país precisa. Com valor de mercado de R$ 5,3 bilhões, a companhia representa mais de 20% do total do cerca de € 13 bilhões (Euros) que gera de caixa os negócios do grupo português, através de investimentos em vários países. Pela primeira vez na ApimecSul, a EDP Energias do Brasil apresentou, através do Vice-Presidente de Finanças e Relações com Investidor Antonio Jose Sellare e da Gerente de Relações com Investidor Maytê Albuquerque, os projetos através do qual pretende crescer.

A estrutura atual da companhia é formada por nove geradoras. A entrada no Brasil, em 1997, aconteceu com a participação de 60% na construção da hidrelétrica (UHE) de Lajeado, no Rio Tocantins. Um ano depois, houve a aquisição da distribuidora Bandeirantes, na época em parceria com a integrada CPFL, através da qual atende a área industrializada de São Paulo e Rio de Janeiro. Depois adquiriu mais duas distribuidoras, a Escelsa (ES) e a Enersul (MT), a qual vai trocar por uma participação adicional na Usina de Lajeado. Agora são mais oito parques geradores, com capacidade de 1.043 MW. Através de nove projetos em carteira, a energia gerada deve crescer 102,3% e atingir 2.110 MW até 2012.

Entre eles está a termelétrica de Pecém (parceria de 50% com a MPX), sendo que 126 MW já foram vendidos, e um adicional de 360 MW pode ser leiloado no evento de energia nova adiado para o final de setembro. Outros 500MW podem vir do projeto da termelétrica de gás de Resende (RJ), e mais 500 MW, de uma termelétrica a gás do norte capixaba (ES), com compromisso com a Petrobrás até 2013 assinado, mas ainda sem licenciamento ambiental. Quanto aos projetos hidrelétricos, que são de médio porte, há estudos em parceria com a integrada Cemig (e outros parceiros) para o desenvolvimento de capacidade de 1.034 MW. Outro estudo ocorre com a Eletronorte, para a geração de 235 MW. E outro acordo é com a empresa de engenharia Engevix, para a geração de 170 MW. Os estudos serão finalizados ao longo de 2009, e caso a EDP não venha a participar dos leilões, os custos com os estudos serão reembolsados à companhia pelos parceiros.

A geração de energia renovável aparece entre as prioridades da empresa. Ela mantém 31 projetos de Pequenas Centrais Hidrétricas (PCHs). Cerca de 14 deles já foram entregues ao regulador (Aneel), e 13 serão até o final deste ano. Para esses projetos, não há necessidade de ir a leilão para a contratação de energia. Outros dois são um conjunto de 500MW de geração eólica, em parceria com a Cemig, e geração entre 100 e até 350MW a partir do bagaço de cana. A taxa de retorno com as PCHs normalmente são maiores, cerca de 14%. O custo até agora estimado com 100 MW gerado por térmicas é de US$ 130 milhões, e cerca de R$ 4 milhões por MW instalado.

O desempenho da geração contribui para o resultado da companhia, que apresentou crescimento de receita líquida e contabilizou R$ 1.203 bilhão no trimestre de R$ 2.488 bilhões no semestre. Os incrementos em relação há doze meses foram, respectivamente, de 3,9% e 9,6%. A geração de caixa (Ebitda) também cresceu mais de 3% no trimestre, contabilizando R$ 323 milhões, e 8,7% no semestre, com R$ 707milhões. O Ebitda com a geração cresceu 19% no trimestre. A capacidade de geração de energia aumentou em média 63%, e a energia vendida foi 9% maior. Os resultados também foram possíveis, de acordo com as relações com investidor, Maytê Albuquerque, através da busca pela eficiência operacional com redução de 26,4% nas despesas financeiras (decorrente do melhor resultado cambial) e com a queda de 15,9% nos gastos gerenciáveis (em que não se inclui energia comprada e encargos com a venda).

O volume de energia distribuída cresceu 2,8% no trimestre, e totalizou R$ 6.444 GWh, e 12.731 GWh no semestre. No segmento a companhia registrou redução de caixa, devido às revisões tarifárias ocorridas no primeiro semestre. O lucro líquido foi beneficiado pela redução de gastos gerenciáveis. Já o volume de energia comercializada, através da empresa Enertrade, caiu 6,5% no trimestre, e 1% no semestre. Apesar do lucro líquido do segmento ter apresentado forte redução entre os trimestres, cresceu 14% entre os semestres. No consolidado trimestral, a companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 4 milhões, devido a efeitos não-recorrentes da uma conversão da dívida da Energul e uma subvenção na controlada Enerpeixe referente à redução de um benefício fiscal. Por serem fatores contábeis, e o lucro ajustado ter sido de R$ 129,3 milhões no trimestre, apresentando crescimento de 14,5% na comparação com doze meses, a companhia vai pedir ao conselho que reconsidere e mantenha o pagamento de 50% do lucro líquido ajustado em forma de dividendos de juros sobre capitais. Esse percentual é pago normalmente após o IPO, apesar do percentual de 40% ser o determinado no estatuto. A companhia tem um free float de 38% do total de ações, com 58% de investidores internacionais.

 

Resultados 2T08


Apresentação Resultados Apimec-Sul
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

* Este artigo expressa a opinião do seu autor. O Acionista.com.br não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações dadas no artigo ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em conseqüência do uso destas informações.