Expansão da receita com o aumento dos preços dos grãos não reflete os indicadores
O crescimento de 30,1% da receita líquida da SLC Agrícola em doze meses não foi acompanhado por outros indicadores do desempenho operacional, como lucro, Ebtida e margens. No entanto, esse incremento reflete um cenário de retomada das vendas de algodão – responsável por quase metade do faturamento da companhia -, da soja – que representa cerca de um terço da receita – e do milho. No terceiro trimestre, em relação aos três meses anteriores em 2009, os preços do algodão subiram 10,8%, influenciados pela expectativa de queda na produção da safra mundial 2009/2010. A perspectiva é que o consumo da oleaginosa aumente 2,8% neste ano, totalizando 113 milhões de toneladas no mundo.
As vendas maiores compensaram, por outro lado, a redução das cotações da soja em 6,8% entre o segundo trimestre e o terceiro. A previsão de aumento na produção norte-americana, no Brasil e na Argentina empurrou os preços para baixo. No entanto, para 2010, o consumo do grão deve ser 5,4% maior, significando uma demanda de 233,4 milhões de toneladas. A produção de soja da SLC caiu 10% em relação à safra 2007/2008. Isso contribuiu para os resultados negativos no Ebitda e no lucro do Grupo, conforme o diretor financeiro e de relações com investidor, Laurence Gomes, em teleconferência com analistas.
A operacionalização com estoques mais caros, característica de 2009, não deve ser uma realidade a partir do início do segundo trimestre do ano que vem. As perspectivas para o mercado de algodão contribuem para o cumprimento da meta. Outro fator que deve ajudar é a queda nos preços dos fertilizantes. Esse é um dos argumentos da SLC para garantir, inclusive, a continuidade do plano de expansão, oportunizado através da aquisição de terras. A meta estipulada pela empresa é ter 320 mil hectares (ha) de terras próprias até 2011, através de investimentos da ordem de R$ 200 milhões. Neste trimestre, a companhia comprou 4.400 ha cultiváveis. Também devido à continuidade deste plano, a empresa deve elevar o endividamento atual até o final de 2009. A Dívida Líquida aumentou em mais de 23% em um trimestre, totalizando R$ 236,998 milhões. O endividamento total supera os R$ 400 milhões.
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