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Se enriquecer é uma questão de escolha, então como ser milionário?
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13 de junho de 2008
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Desde o início do século passado já se sabe que os movimentos do mercado financeiro são influenciados pelo homem. Vem de 1912 a primeira obra científica sobre a psicologia dos mercados de capitais, livro de mesmo título escrito por G.C. Selden, em Nova York, que iniciou uma série de estudos referentes à psicologia social e as decisões financeiras. Outra referência atual das finanças pessoais é o consultor e escritor Gustavo Cerbasi. Ambos, Cerbasi e as finanças pessoais, estavam presentes no primeiro dia da terceira edição da Expo Money – Edição Porto Alegre, considerada a maior feira do mercado financeiro do Brasil. O evento tem o propósito de educar e formar investidores.

É interessante pensar o porquê, mesmo depois de, literalmente, séculos de estudos comprovando que é a mente humana a responsável inclusive pelo preço que as ações alcançam, que ainda precisamos desses instrumentos para nos ensinar sobre os nossos próprios comportamentos. Cerbasi, em vias de lançar mais um livro “Investimento Inteligente”, reforçou a mensagem das outras obras de que ser milionário depende unicamente de nós mesmos. Além disso, ressaltou que após o primeiro milhão, é mais fácil criar as condições para os próximos milhões. Ele lembra que o cenário atual do Brasil é propício para isso, ou seja, para se construir renda, e com qualquer tipo de aplicação: imóveis, renda variável, negócios próprios, caderneta de poupança. Mas por que uns ganham com isso, e outros não, se o cenário pode ser considerado “o melhor dos mundos” – citação recorrente dos especialistas para caracterizar o atual cenário brasileiro: uma bolsa de valores nas alturas e um dos maiores juros reais do mundo.

A resposta está em nós. O gerente da área de private banking do Banco do Brasil, Antônio Cássio Segura, apresentou como as decisões de investimentos são condicionadas às emoções das pessoas. Por isso, principalmente os investidores com poucos recursos para aplicar e que não têm a atenção necessária de consultores, são aqueles que mais incorrem nos chamados vieses. O emocional é um limitador nas tomadas de decisões de investimentos que levam a erros. Saber que erramos quando tentamos ganhar acima da média do mercado, que tomamos atalhos nas nossas decisões, ou seja, agimos sem ter todas as informações nas mãos, temos autoconfiança excessiva, compramos e vendemos mais vezes papéis com fundamentos positivos, porque estão subindo, e seguramos mais aqueles que estão perdendo  valor, é importante para agirmos de forma adequada quando se trata dos nossos investimentos, pois só dessa forma, ganharemos um milhão, ou simplesmente, teremos uma organização financeira melhor.

Derrubar alguns mitos referentes à vedete do momento – a bolsa de valores – também faz parte desse aprendizado. Por isso, o analista da Spinelli Corretora e Invest Bolsa (plataforma de investimentos online da corretora), Marcio Rodrigues, estava na Expo Money. De acordo com demonstrações de Rodrigues, na bolsa não se ganha só no longo prazo, não é raro o chamado day trade – a operação mais curta de todas – ser mais rentável. É preciso saber que existe o mercado primário e secundário, e que é neste segundo que “o dinheiro não chega até à empresa”, pois as operações são entre investidores. É também bom ter consciência que nenhum grande investidor é capaz de conduzir os preços e o fluxo financeiro do mercado. E que a bolsa é especulativa sim, porque especular “do latim” significa ter expectativas. E é isso que move o preço das ações. Para o analista também é possível obter um retorno superior a carteiras diversificadas usando uma boa estratégia de stop, por exemplo, mecanismo de definição do momento da parada de perdas em uma operação.      

A estratégia é o segredo. Conforme o analista da Invest Bolsa, a bolsa de valores pode ser considerada um jogo, sim. Isso não é um mito. No entanto, ele não precisa ser um jogo de azar. Mas para isso, habilidade e estratégia são fundamentais. Por isso, Gustavo Cerbasi lembra que é o investidor não precisa correr riscos, e sim administrá-los. De acordo com o consultor, investir é diferente de colocar em prática a dica de um vizinho, e que os nossos investimentos não demandam agilidade ou pressa nas decisões. Investir exige informações de qualidade, a tomada de decisões com base em especialistas - porque um erro muito comum é pensar que sabemos mais que alguém que fica oito horas por dia vivendo o mercado. No entanto, Cerbasi acredita que precisamos pensar no longo prazo, rever nossas decisões, reinvestir os ganhos, e experimentar para saber qual é o melhor investimento para nós.

Cássio, do Bando do Brasil, compartilha de muitas das dicas de Cerbasi. O gerente acrescenta que é importante manter um histórico dos investimentos, dos papéis comprados e vendidos, ter foco nos objetivos e se guiar por benchmarks, ou seja, indicadores do mercado. Por isso, ele lembra que é preciso ter cuidado com recomendações de compra ou venda de papéis, pois deve ser levada em conta a qualificação e seriedade da instituição emissora. Da mesma forma, Cerbasi lembra que é importante utilizar veículos de informação e relatórios de analistas para se informar. Essa rotina de investidor é fundamental, mas o consultor lembra que deve ser à medida de cada um. Ou seja, um investimento inteligente é aquele que não “toma muito tempo, não tira o sono, e nem priva a pessoas de momentos de lazer”. E é importante nunca esquecer que enriquecer é uma questão de escolha.        


Evento: Expo Money

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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