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Desde o início do
século passado já se sabe que os movimentos do mercado financeiro são
influenciados pelo homem. Vem de
1912 a primeira
obra científica sobre a psicologia dos mercados de capitais, livro de
mesmo título escrito por G.C. Selden,
em Nova York,
que iniciou uma série de estudos referentes à psicologia social e as
decisões financeiras. Outra referência atual das finanças pessoais é
o consultor e escritor Gustavo Cerbasi. Ambos, Cerbasi e as finanças
pessoais, estavam presentes no primeiro dia da terceira edição da
Expo Money – Edição Porto Alegre, considerada a maior feira do
mercado financeiro do Brasil. O evento tem o propósito de educar e
formar investidores.
É interessante
pensar o porquê, mesmo depois de, literalmente, séculos de estudos
comprovando que é a mente humana a responsável inclusive pelo preço
que as ações alcançam, que ainda precisamos desses instrumentos para
nos ensinar sobre os nossos próprios comportamentos. Cerbasi, em vias
de lançar mais um livro “Investimento Inteligente”, reforçou a
mensagem das outras obras de que ser milionário depende unicamente de
nós mesmos. Além disso, ressaltou que após o primeiro milhão, é mais
fácil criar as condições para os próximos milhões. Ele lembra que o
cenário atual do Brasil é propício para isso, ou seja, para se
construir renda, e com qualquer tipo de aplicação: imóveis, renda
variável, negócios próprios, caderneta de poupança. Mas por que uns
ganham com isso, e outros não, se o cenário pode ser considerado “o
melhor dos mundos” – citação recorrente dos especialistas para
caracterizar o atual cenário brasileiro: uma bolsa de valores nas
alturas e um dos maiores juros reais do mundo.
A resposta está
em nós. O
gerente da área de private banking do Banco do Brasil, Antônio Cássio
Segura, apresentou como as decisões de investimentos são
condicionadas às emoções das pessoas. Por isso, principalmente os
investidores com poucos recursos para aplicar e que não têm a atenção
necessária de consultores, são aqueles que mais incorrem nos chamados
vieses. O emocional é um limitador nas tomadas de decisões de
investimentos que levam a erros. Saber que erramos quando tentamos
ganhar acima da média do mercado, que tomamos atalhos nas nossas
decisões, ou seja, agimos sem ter todas as informações nas mãos,
temos autoconfiança excessiva, compramos e vendemos mais vezes papéis
com fundamentos positivos, porque estão subindo, e seguramos mais
aqueles que estão perdendo valor, é importante para agirmos de forma
adequada quando se trata dos nossos investimentos, pois só dessa
forma, ganharemos um milhão, ou simplesmente, teremos uma organização
financeira melhor.
Derrubar alguns
mitos referentes à vedete do momento – a bolsa de valores – também
faz parte desse aprendizado. Por isso, o analista da Spinelli
Corretora e Invest Bolsa (plataforma de investimentos online da
corretora), Marcio Rodrigues, estava na Expo Money. De acordo com
demonstrações de Rodrigues, na bolsa não se ganha só no longo prazo,
não é raro o chamado day trade – a operação mais curta de
todas – ser mais rentável. É preciso saber que existe o mercado
primário e secundário, e que é neste segundo que “o dinheiro não
chega até à empresa”, pois as operações são entre investidores. É
também bom ter consciência que nenhum grande investidor é capaz de
conduzir os preços e o fluxo financeiro do mercado. E que a bolsa é
especulativa sim, porque especular “do latim” significa ter
expectativas. E é isso que move o preço das ações. Para o analista
também é possível obter um retorno superior a carteiras
diversificadas usando uma boa estratégia de stop, por exemplo,
mecanismo de definição do momento da parada de perdas em uma
operação.
A estratégia é o
segredo. Conforme o analista da Invest Bolsa, a bolsa de valores pode
ser considerada um jogo, sim. Isso não é um mito. No entanto, ele não
precisa ser um jogo de azar. Mas para isso, habilidade e estratégia
são fundamentais. Por isso, Gustavo Cerbasi lembra que é o investidor
não precisa correr riscos, e sim administrá-los. De acordo com o
consultor, investir é diferente de colocar em prática a dica de um
vizinho, e que os nossos investimentos não demandam agilidade ou
pressa nas decisões. Investir exige informações de qualidade, a
tomada de decisões com base em especialistas - porque um erro muito
comum é pensar que sabemos mais que alguém que fica oito horas por
dia vivendo o mercado. No entanto, Cerbasi acredita que precisamos
pensar no longo prazo, rever nossas decisões, reinvestir os ganhos, e
experimentar para saber qual é o melhor investimento para nós.
Cássio, do Bando
do Brasil, compartilha de muitas das dicas de Cerbasi. O gerente
acrescenta que é importante manter um histórico dos investimentos,
dos papéis comprados e vendidos, ter foco nos objetivos e se guiar
por benchmarks, ou seja, indicadores do mercado. Por isso, ele
lembra que é preciso ter cuidado com recomendações de compra ou venda
de papéis, pois deve ser levada em conta a qualificação e seriedade
da instituição emissora. Da mesma forma, Cerbasi lembra que é
importante utilizar veículos de informação e relatórios de analistas
para se informar. Essa rotina de investidor é fundamental, mas o
consultor lembra que deve ser à medida de cada um. Ou seja, um
investimento inteligente é aquele que não “toma muito tempo, não tira
o sono, e nem priva a pessoas de momentos de lazer”. E é importante
nunca esquecer que enriquecer é uma questão de escolha. |