O ano de 2008 deve ser mais
intenso para a Porto Seguro. De acordo com o Gerente de Relações com
Investidor, Alexandre Peev, o mercado está mais competitivo, apesar
das perspectivas positivas de indicadores relacionados ao crescimento
do consumo no Brasil. Esse cenário de maior competitividade já
refletiu nos números do primeiro trimestre da seguradora. Durante
teleconferência de resultados, a companhia afirmou que será
necessário rever as ferramentas de estratégias e as tarifas
praticadas, a fim de não comprometer as margens dos negócios, como
ocorreu nos primeiros meses do ano. Além desses fatores, a empresa
foi impactada também pela volatilidade dos mercados internacionais.
O Diretor de Relações com
Investidor, Marcelo Picanço explicou que o resultado das aplicações
financeiras foi atípico neste período. Apesar da manutenção dos
níveis de rentabilidade, o retorno das operações foi apenas de 2,2%.
O aumento dos juros futuros e queda nas operações em renda variável
influenciaram negativamente. No entanto, foram compensadas por um
IGPM (índice Geral de Preços do Mercado) maior no período. Mesmo
esperando que os mercados financeiros permaneçam sem uma tendência
definida, o que dificulta a gestão financeira – fundamental para o
negócio de uma seguradora – a estratégia da Porto Seguro permanece a
mesma. O foco continua sendo com o ganho superior ao CDI (taxas
interbancárias) no longo prazo, mesmo que isso signifique a redução
de retorno no curto prazo. Além disso, a intenção não é ganhar a
concorrência através de
market share.
A Porto Seguro continua sendo
líder no seguro de automóveis, com 34,1% do mercado do Estado de São
Paulo, onde está 50% da frota nacional, que aumentou 20% no 1tr08.
Nesse segmento, a companhia viu pressionadas suas margens. O
incremento na sinistralidade (realização de riscos previstos nos
contratos) ocorreu em função de eventos considerados não-recorrentes
pela companhia, como os alagamentos, principalmente, na região do ABC
Paulista. A sinistralidade total da companhia subiu 3,5 pontos
percentuais (p.p.), e o Índice Combinado (Relação entre custo e
receita operacional) aumentou 3,99 pp. Mesmo assim, o prêmio total
auferido (ágio pago acima do valor nomimal do contrato) foi 15,7%
maior do que no ano passado, e contribuíram para uma receita 12,6%
superior, o que contabilizou R$ 1,292 bilhão. No entanto, devido às
perdas financeiras, o lucro líquido reduziu 54,6% em relação a doze
meses, totalizando R$ 44,209 milhões.
Os prêmios no negócio de
automóveis (Porto Seguro e Azul Seguro) subiram 66,2%, segmento que a
companhia também teve ganho de mercado nas regiões onde atua. A
empresa tem 362 mil veículos assegurados, montante que cresceu 42,1%
entre o 1tr08 e 1tr07 O prêmio auferido com seguro de pessoas
aumentou 14,3%, resultado do incremento de 55% no número de vidas
asseguradas para 2,477 milhões de pessoas. No segmento de saúde a
Porto Seguro passa a focar no segmento empresarial, com menor risco.
Nele o número de vidas cresceu 28%, e somou 425 mil vidas. Nesse
negócio, a sinistralidade caiu 4,5 p.p. No seguro de patrimônio os
primeiros aumentaram 24,1%, devido ao incremento de 14,5% no número
de itens assegurados, 57 mil itens. No entanto, a sinistralidade
subiu 9,8%, e também contribuiu para a redução do índice total da
companhia. A venda de consórcio ampliou as receitas em 24%, e atingiu
47 mil cotas consorciadas (expansão de 18% em relação ao 1Tr07),
impulsionado pelo desenvolvimento do mercado imobiliário, com a
elevação dos prazos de financiamento para 180 meses e a queda dos
juros.
Apresentação teleconferência 1T08