.Índice

11 de novembro de 2009
 

Crescimento de receita não acompanhou volumes recordes da BM&FBovespa

O desempenho da BM&FBovespa do terceiro trimestre são considerados bons, mas não surpreenderam, de acordo com o diretor financeiro e de relações com investidor, Carlos Kawall. “Os dados são bem previsíveis, essencialmente em termos de receitas e, principalmente, de despesas, pois a companhia vem mantendo suas metas de corte de gastos”, justificou em teleconferência com jornalistas. Entre esses números, estão: a queda de 6,5% da receita líquida em relação ao segundo trimestre do ano passado (2tr08), atingindo R$ 388 milhões, e a redução, quase na mesma proporção, do Ebitda, que totalizou R$ 262 milhões. Mesmo assim, o lucro líquido ajustado cresceu 6,8% em doze meses para R$ 337,3 milhões. O resultado foi beneficiado pela amortização do ágio – que começou a partir do quarto trimestre de 2008 – e pela redução das despesas operacionais ajustadas, que ficaram em R$ 109 milhões, 16,2% em comparação com o 3tr08. Baseado nesses resultados, a companhia pagou proventos, através de dividendos e juros sobre capital, de cerca de 75% do lucro líquido.

Neste período, os volumes negociados atingiram recordes em 2009. Na Bovespa a média diária foi de R$ 7,3 bilhões. No entanto, no trimestre em comparação a doze meses, o volume médio diário na BM&F foi menor em 8,3% e o da Bovespa, 2,1%. As ofertas iniciais, com destaque para a do Santander, são uma das razões para a recuperação dos volumes em relação ao início deste ano. Segundo o diretor financeiro, a expectativa é que até o final de 2009, o volume através das ofertas seja de R$ 50 bilhões.

O executivo também não deixou de destacar os negócios de estrangeiros através da parceria com a CME-Globex (Bolsa de Derivativos de Chicago). De acordo com Kawal, ainda há bastante espaço para crescimento dessas negociações através da plataforma direta de negociação, devido ao acordo com a Bolsa de Chicago. Em outubro, por exemplo, esses contratos representaram nos negócios da BM&F 4,7% do total. Outros 6% do total de negócios foram de investidores estrangeiros de alta freqüência. No ambiente Bovespa, essa participação é menor, e varia entre 5% e 10%.

A implementação da tributação em forma de IOF (Imposto sobre operações Financeiras) em operações de capital estrangeiro na bolsa, em princípio, não teve um efeito negativo considerável, na opinião de Kawall. De acordo com ele se pode observar um movimento positivo: a partir do cancelamento de ADRs, influenciada pela cobrança do imposto, o estrangeiro passou a comprar os mesmos papéis diretamente na Bovespa. Para os negócios de uma maneira geral, a perspectiva é que o mercado brasileiro terá um quarto trimestre positivo em termos de volumes e contratos (cujos números têm se mostrado crescentes ao longo dos meses). No entanto, no exterior e principalmente nos negócios de derivativos e futuros, os mercados ainda não recuperaram os níveis do ano anterior, antes da quebra do banco Leman Brothers.

Apesar do movimento ainda de retomada, a BM&FBovespa vem expandindo os esforços na conquista de clientes nos mercados internacionais. Neste trimestre, reforçou as equipes de vendas nos escritórios em Nova York e Londres, e mantém conversas com a Nasdaq. Na América Latina, o grupo provavelmente anunciará a consolidação de parcerias em 2010, através de protocolos de negociações que estão mais adiantados com países como Chile e Colômbia.

Confira os resultados completos do 3tr09

 

 


Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

* Este artigo expressa a opinião do seu autor. O Acionista.com.br não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações dadas no artigo ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em conseqüência do uso destas informações.