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A partir deste ano, CPFL
Energia, empresa integrada de distribuição, comercialização e geração
de energia, investirá R$ 5 bilhões. Em 2008, o valor de Capex está
estimado em R$ 1,196 bilhões. Mais de R$ 500 milhões irá para
projetos em andamento, como as obras da usina Foz de Chapecó, que
começa a operar em 2010 com 436,1 Mw. A UHE Campos Novos funciona a
mais de um ano, e representou um aumento de 40% na capacidade de
geração do grupo. As atividades da usina de Castro Alves começaram em
fevereiro deste ano, e representaram uma adição de 84,5 Mw de
potência. A UHE 14 de Julho estará funcionando no 4T08 e elevará a
força da CPFL em 9,4%, através da geração de 65 MW. As três usinas,
que operam a partir deste ano, fazem parte de um projeto que ampliará
em 25% a força instalada, que cresceu 9,4% em 2007, totalizando 1.738
Mw.
Esse incremento eleva o
mercado de geração da CPFL para 2%. Agora, o grupo opera com seis UHE
e 33 PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas). Durante ApimecSul, o
diretor de relações com investidor da CPFL Energia, Gustavo Estrella,
destacou que 100% das usinas do grupo têm contratos de 30 anos já
firmados, e que com esses projetos a empresa espera uma potência
gerada de 135 Mw/h. Essas concessões vencem somente em 2028, e existe
a possibilidade de renovação automática por mais vinte anos. Além
desses seis projetos de geração hídrica, as PCHs estão passando por
um processo de repotenciação, ou seja, por um tipo de reforma, por
serem construções antigas. Onze delas já estão remodeladas, a
expectativa é contar com mais 15 Mw médios para os próximos 15 anos.
De acordo com Estrella, as PCHs têm taxas de retorno muito atrativas.
Apesar dos projetos em
geração, é no mercado de distribuição que a CPFL Energia mais tem
focado. A empresa protagoniza um movimento de consolidação que
acontece neste segmento do setor elétrico. A distribuição representou
73% dos R$ 3,345 bilhões contabilizados de Ebitda (lucros antes de
impostos, taxas e amortizações) em 2007. A empresa detém o maior
mercado deste segmento no Brasil, um 14% do
marketshare.
A liderança também é ocupada na comercialização de energia, da qual o
grupo detém 23% do mercado e 91 clientes. Na sua área de concessão
(Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul), o volume de
vendas cresceu 12,4% no ano passado, frente os 5,4% do setor no mesmo
período. Os clientes que mais consumiram foram os residenciais
(13,5%) e comerciais (12,5%), de quem são cobradas as maiores taxas.
As vendas totais da CPFL Energia cresceram 7,5% no ano, e totalizaram
44.196 Gwh, potência que atendeu 6,8 milhões de clientes, em 586
municípios.
Essa é uma das razões para a
expansão do Ebitda, da receita e do lucro líquido. A receita líquida
ajustada foi de R$ 9,410 bilhões, um aumento de 16,5% em comparação
com 2006. O Lucro Líquido cresceu 17% e contabilizou R$ 1,643
bilhões. Através desses indicadores, a CPFL Energia bateu todos os
seus recordes, ressaltou o diretor de relações com investidor. A
distribuição foi o único segmento que contribuiu para um efeito
negativo na conta do Ebitda. A elevação de 15% no custo com energia e
encargos só não surtiu impacto no resultado final, porque a expansão
do mercado brasileiro foi menor do que o da CPFL Energia, justificou
Estrella. O executivo esclareceu que os custos não-gerenciais estão
incluídos nas tarifas, ou seja, já são automaticamente incluídos na
conta do caixa. As distribuidoras da companhia passam por revisão
tarifária desde o ano passado, a mais recente, foi a CPFL Paulista,
que, assim como as outras, teve sua tarifa reduzida, neste caso, um
decréscimo 17,21%. De acordo com analistas, as empresas terão que
prestar atenção nos seus custos, para não serem prejudicadas.
A empresa segue confiante nos
pilares adotados para o crescimento: geração de valor através dos
atuais ativos, e expansão por meio de aquisições. A companhia é vista
pelo mercado como um participante dos próximos leilões, como o da
Usina de Jirau (Rio Madeira/RO), com data para maio, e para a
participação no processo de venda dos ativos da Brasiliana. Esse
evento é considerado o principal item na avaliação dos preços-alvos
dos papéis da CPFL Energia no curto prazo. Durante ApimecSul, a
empresa confirmou o interesse em participar dos dois leilões, como
aconteceu no leilão da usina de Santo Antonio (a primeira do Rio
Madeira a ser leiloada), e na etapa antecessora ao da Cesp. A
companhia reafirma que vai continuar como um dos consolidadores do
setor, porque as aquisições elevam seus ganhos, como demonstrado nos
indicadores de desempenho de 2007, que sem as aquisições teriam
apresentado crescimentos menores. Para continuar como uma ativa
compradora – desde a IPO, a CPFL Energia aplicou mais de R$ 20
bilhões nas quatro principais aquisições -, a companhia informou que
a relação Dívida Líquida e Ebitda caiu para 1,53%. “Isso demonstra um
perfil pouco alavancado, ou seja, com potencial de financiamento para
futuras aquisições”, afirmou Estrella. Além disso, a empresa alongou
o perfil da dívida para mais de quatro anos. Em caixa, o grupo
contabiliza um pouco mais de R$ 1 bilhão. |