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A 9ª edição do Fórum de
Gestão de Pessoas organizado pela Associação Brasileira de Recursos
Humanos do Rio Grande do Sul (ABRH-RS) aconteceu ontem em Porto
Alegre com o objetivo de pensar por quê o capital humano do Rio
Grande do Sul poderia ser um diferencial para empresas que nasceram e
se instalaram no estado. Saber em que medida e como profissionais
valorizados contribuem para a valorização de uma companhia é tão
complexo quanto à conclusão sobre quais são as práticas empresariais
que tornam uma empresa vencedora e sustentável. Para mostrar como as
companhias valorizam seus colaboradores e quanto isso representa para
o bom desempenho delas, foram convidadas empresas de atuação global e
de mais de um século de história.
A escolha dos cases tornou
ainda mais difícil chegar a conclusão de até que ponto a valorização
dos colaboradores é significativa para tornar essas empresas de
sucesso ou em que medida essas pessoas são tão valorizadas porque
fazem parte de empresas vencedoras. Entre os palestrantes estavam as
gaúchas e familiares Gerdau, com presença em 14 países, com 45 mil
pessoas e 107 anos de vida, e a Randon, com quase 60 anos de história
e nove mil funcionários. Entre os grupos que vieram de fora, a
Votorantim, holding brasileira formada por nove negócios, com mais de
60 mil empregados, e que iniciou um projeto da Votorantim Papel e
Celulose (VCP) no Estado; a multinacional e atuante em 15 países, a
Wall Mart, maior varejista do mundo, com dois milhões de
funcionários; e a John Deere, com 50 milhões de funcionários.
O que ficou claro é que todas
essas companhias seguem práticas de recursos humanos semelhantes. A
gestão dos funcionários baseada em equipe fez da palavra “time” uma
das mais citadas entre os palestrantes. O foco no papel de líderes
como propulsor da cultura empresarial e a idéia de que os
funcionários fazem parte de uma família é bastante forte,
principalmente, nas companhias familiares. E a certeza de que a
sustentabilidade da companhia só é viável se as pessoas forem
desenvolvidas e reconhecidas, ou seja, capacitadas e estimuladas, é a
conclusão evidente a que chegou o Fórum.
Como fazer isso começa pela
necessidade de qualificar as pessoas. Todos os cases investem em
qualificação. O presidente da VCP, José Luciano Penido, lembrou que o
negócio da empresa por si só já demanda especialização, assim como
acontece com a John Deere, altamente dependente da renovação técnica
do seu pessoal para que a tecnologia também possa ser atualizada.
Assim como as demais participantes do fórum, a VCP tem parcerias com
instituições de ensino superior, projetos de formação das lideranças
e dos sucessores, e
coaching para
executivos. Apesar dessa necessidade do mercado de papel e celulose,
Penido destaca que mais de 50% dos investimentos não vão para a
qualificação técnica, e sim para a comportamental. A empresa tem o
objetivo de imprimir aos colaboradores o “estilo Votorantim” de
trabalhar.
Da mesma forma acontece na
Gerdau, que tem como desafio o engajamento do colaborador com a
empresa. De acordo com o diretor de recursos humanos Francisco
Fortes, é isso que garante o futuro da companhia. Fortes conta o
segredo de manter pessoas apaixonadas pela Gerdau, finalidade da área
de recursos humanos do grupo: focar no operador. Apesar de ser
relevante o investimento de todas essas empresas nos escalões mais
altos, a capacitação, o envolvimento dos funcionários de todas as
bases nas decisões setoriais é apontado como decisivo pelos
palestrantes. Reuniões e avaliações periódicas, através das
lideranças, a capacitação técnica, e a assistência à qualidade de
vida do funcionário e da sua família estão presentes em todas as
empresas.
A Randon já é reconhecida
pelos programas sociais, acompanhados de perto pelo seu fundador e
presidente. Neles os filhos dos colaboradores são envolvidos em
atividades no turno oposto ao escolar, e em idade adolescente, passam
por uma escola técnica. Conforme Alexandre Randon, para os
funcionários, a empresa desenvolveu um fundo de previdência privada.
Além disso, há um programa de acompanhamento ao colaborador em vias
de se aposentar e há uma remuneração variável, além do salário, de
15% do lucro líquido anual da empresa para todos os escalões da
companhia.
Os valores e os percentuais
investidos pelas empresas no seu pessoal varia e não é um dado
divulgado facilmente como os resultados financeiros. Segundo o
diretor de vendas da John Deere no Brasil, Werner Santos, o grupo
investe US$ 1,5 milhão por dia em pesquisa e desenvolvimento de novos
produtos e processos de engenharia: “completamente relacionado ao
desenvolvimento dos funcionários”. A Wall Mart Brasil investiu R$ 9,6
milhões em treinamentos em 2007, 50% a mais do que no ano anterior.
Além desse montante ser essencial para a busca da companhia por
excelência, a multinacional segue o Programa de Inovação e Idéia. A
finalidade é pensar produtos sustentáveis desafiando os colaboradores
de todos os níveis a ter idéias. Com esta brincadeira, nos cerca de
13 anos que a companhia está no país, já deu para formar um arquivo
com mais de quatro mil idéias. |