Os resultados do primeiro
trimestre do Unibanco refletem a manutenção da estratégia focada em
operações de crédito de baixo risco e foco no Varejo. A evolução de
12% (em relação ao 4tr07) na carteira de crédito ao atacado não foi
normal, e reflete os efeitos provocados pelo dólar e pela ida e vinda
do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), conforme explicou o
vice-presidente corporativo da
holding,
Geraldo Travaglia, durante teleconferência de resultados. As maiores
expansões devem continuar nos segmentos de consignado, principalmente
no setor privado e para aposentados, e no financiamento a veículos.
Essas carteiras tiveram incremento, respectivamente, de 98,3% e 96,6%
entre os primeiros meses de 2008 em relação ao mesmo período de 2007.
Outro destaque foi o crescimento de 25% no volume ao crédito
imobiliário. Para este ano, o Unibanco espera manter esse ritmo de
expansão. Até março, os contratos para desembolso futuro em créditos
imobiliários totalizavam R$ 1,3 bilhões. Esse montante é 137,8%
superior a março de 2007, o que totaliza uma carteira de R$ 3 bilhões
no período de doze meses.
Outros indicadores também
mostram incremento significativo. Os ativos totais, a carteira de
crédito e o lucro por ação dobraram de tamanho em um ano. Os ativos
totalizam R$ 156 bilhões, a carteira de crédito, R$ 66 bilhões, e o
lucro líquido não atinge os R$ 750 milhões. No entanto, o Retorno
Sobre Patrimônio (ROE) acompanha as primeiras empresas do mercado, e
fica em 27% no trimestre, superior aos 25% do mesmo período de 2007.
O índice de eficiência (relação entre despesas e receitas) melhora, e
cai de 48% para 45,3%. Esse é um indicador chave para a estratégia da
companhia, que vem apostando na redução de despesas. O percentual
projetado para o crescimento dos gastos para 2008 é menor do que nos
concorrentes, e fica entre 7% e 10%. O aumento de despesas com
pessoal será evidência este ano, e será contabilizado a partir do
segundo semestre, quando a
holding
começa a entregar novas
unidades. Em 2008 serão construídas 180 unidades, entre elas 70
agências. Para os próximos 24 meses, a companhia quer entregar mais
200 unidades, com 100 agências.
A qualidade das carteiras de
crédito também melhorou. Para os atrasos de 60 dias, considerados
como inadimplentes, os atrasos em carteiras de maior risco, entre
D-H, a inadimplência caiu 4,5% em relação ao ano passado. O
vice-presidente do Unibanco destaca também a redução de provisões com
ações trabalhistas e cíveis, em linha com um dos objetivos de
qualificar as relações com os funcionários. Além das despesas, a
margem financeira do Unibanco, que cresceu 18%, teve impacto com o
incremento tímido do resultado das operações em tesouraria (0,3% em
doze meses), frente a expansão de 7,8% nos ganhos com intermediação
financeira. A tesouraria sofreu com a volatilidade dos mercados
internacionais, que colaborou para o aumento do custo de captação das
instituições financeiras, mas também refletiu a queda de juros, que
reduziram os
spreads dos
bancos, taxas, que Travaglia acredita se manterem nos atuais níveis
na maioria das operações, principalmente, nas modalidades de crédito.
Já a Selic, nas previsões do Unibanco, deve fechar o ano com dois
pontos percentuais a mais em relação a 2007, ou seja, 13,25%. A
inflação, medida pelo IPCA, ficará em 4,9%, frente aos 4,5% do ano
passado. O Câmbio deve fechar em R$/US$ 1,77 (versus R$ 1,75) e a
economia deve crescer 4,8% este ano.
Resultados do 1T08