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Aracruz projeta dobrar a capacidade de produção de celulose até 2015 de olho na China
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08 de maio de 2008
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O ano de 2008 para a Aracruz Celulose é caracterizado pelos lançamentos de projetos que vão elevar sua capacidade de produção. Em quatro anos, a companhia vai adicionar mais 5,5 milhões de toneladas de celulose à capacidade atual de 3,3 milhões de toneladas. Os projetos anunciados são de expansão da unidade da Veracel (Bahia), em Barra do Riacho (Espírito Santo) e em Guaíba (Rio Grande do Sul). Um outro projeto será anunciado ainda este ano, com previsão de fabricar mais 1,4 milhões de toneladas até 2015. Incluído no aumento da fábrica de Guaíba está a construção de uma unidade portuária na cidade de São José do Norte, com capacidade de carga de 1,9 milhões de toneladas. Essa construção faz parte da estratégia competitiva da Aracruz de reduzir custos, e evitar que eventos como a greve dos funcionários da Receita Federal prejudique suas operações, caracterizadas pela exportação de cerca de 98% da produção.

Custos mais baixos de produção são características das produtoras de celulose brasileira, apesar do esforço em reduzi-los mais ainda. De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidor da companhia, Isac Zagury, durante apresentação na ApimecSul, o empenho em aumentar cada vez mais a produtividade é resultado de um trabalho de pesquisa e foco na produção sustentável. O investimento de 1,5% da receita líquida da companhia em pesquisa e desenvolvimento visa aumentar ainda mais a relação das 14 toneladas de celulose que são produzidas por hectare de eucalipto. Na década de 90, essa relação estava em 10. O objetivo é estar preparada para enfrentar a crescente demanda que vem da China, inclusive através da utilização de matérias-primas alternativas para a produção da celulose.

Mais de 30% da demanda mundial por papel e papelão está na Ásia. A China tem o menor consumo desses produtos per capita (50 kg). Ela importa 13% da celulose que consome, e somente 20% dessa matéria-prima, que vem do mercado interno, é de tipos de fibra virgem, como o eucalipto. Por isso, a tendência é de aumento da demanda, que este ano deve crescer mais que os 12% dos últimos doze meses. O ano tem sido marcado pelo fechamento de fábricas na América do Norte, e pelas dificuldades das produtoras européias com a elevação da taxa de exportação de celulose da Rússia e com a valorização do euro.

Como empresa exportadora e focada no mercado global, a Aracruz tem sido afetada, de forma contábil, pela valorização do real. Os resultados do primeiro trimestre mostram perda em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar dos números, Zagury reafirmou que a companhia tem mantido sua política de hedge da moeda. Através de operações com derivativos no mercado futuro da BM&F, a Aracruz embolsou US$ 200 milhões nos últimos três anos. Zagury mostrou preocupação com o câmbio, mas afirmou que a maior alta do Real já aconteceu. Além disso, ele não vê uma queda muito acentuada da moeda brasileira perante o dólar. Outra preocupação que chama a atenção de Zagury é a inflação. Ele acredita que o aumento das cotações das commodities metálicas já tem elevado o preço das máquinas e equipamentos. Isso pode ser demonstrado pelos Capex mais altos que estão sendo necessários para projetos de investimentos.

Na opinião do diretor financeiro da maior produtora de celulose de mercado do mundo, a consolidação do setor é uma saída para que a inflação não atinja o desempenho das companhias. Zagury acredita que a redução de competidores no setor ajudará a garantir que os preços e repasses sejam definidos cada vez mais pelos líderes do setor. Por enquanto, a Aracruz não vê nenhuma possibilidade de aquisição entre as produtoras de celulose latino-americana. Justamente, porque são empresas com bom desempenho, e bem capitalizadas. Apesar de nenhuma delas ter projetos de expansão anunciados. Conforme Zagury, isso demonstra a posição de liderança, inclusive no longo prazo, das brasileiras. Além da Aracruz, a Votorantim mantém projetos de crescimento. Por causa desse cenário, o setor vem sofrendo com oferta escassa, o que deve elevar o preço da celulose ainda este ano. 

Resultados do 1T08



Apresentação Resultados Apimec-Sul
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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