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Mercado industrial impacta, mas perspectivas são de retomada a partir do 2tr09

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03 de abril de 2009
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A crise econômica impactou a CPFL Energia, assim como outras companhias do setor, através da queda de consumo industrial. Houve redução na venda de energia para metalúrgicas e empresas do segmento automobilístico e siderúrgico, cujas produções caíram, respectivamente, 14%, 14% e 10% em São Paulo. No Rio Grande do Sul, outro estado em que a empresa atua, a queda na produção industrial foi de 10%. Por isso, a receita da CPFL Energia para o segmento industrial, chamado de alta tensão, também veio menor. No entanto, o total de energia comercializada cresceu 4,6% e ficou em 46.227 GW em relação a 2007.

Um dos elementos que impactaram negativamente a receita foi a queda de 5% nas vendas para o mercado livre, que totalizaram 8.904 GW. Esse foi um dos principais fatores que puxou a receita líquida do último trimestre do ano para baixo - 4% menor que há doze meses, atingindo R$ 2.522 bilhões, apesar de no ano, ter crescido 3,1% e atingido R$ 9,410 bilhões. O faturamento com o mercado livre foi um dos responsáveis pela queda no trimestre, já que houve redução de 0,4% dos clientes livres no ano, 4,3% no 4tr08, e 0,5% dessas vendas, frente a um aumento de 3,4% dos negócios totais da companhia no trimestre.

No entanto, o cenário com que a empresa trabalha, de acordo com o diretor de relações com o mercado, Gustavo Estrella, que esteve em reunião na ApimecSul, é de uma tendência de recuperação dos setores industriais. “A divulgação de que em março o volume total de energia fechou 2,2% maior é um indicativo, assim como notícias positivas relativas a vendas de automóveis”, justificou. Além disso, o executivo argumentou que os riscos para o cancelamento de negócios ou para efeitos piores da crise no setor são menores do que se pensa. Os negócios de geração têm 100% dos contratos de longo prazo, nos quais o preço e o volume contratado são fixos em um prazo de 4 a 5 anos. “No pior dos cenários, temos uma exposição ao mercado livre de 4%. Além disso, boa parte dos clientes livres continua seguindo os montantes contratados”, detalha Estrella.

Com essa visão, a companhia integrada de energia elétrica permanece focada em se consolidar como líder nos mercados de distribuição e comercialização, e na produção através de fontes alternativas e mais rentáveis, como a biomassa e usinas hidrelétricas de pequeno porte (PCH). Isso deve ser possível a partir de aquisições e novos projetos. As aquisições, como as obras de crescimento, estão garantidas por um Capex 100% contratado pelo BNDES no valor de R$ 1,2 bilhão em 2009. Apesar de ter iniciado 2009 com um Ebitda (geração de caixa) 16% menor (R$ 2,808 bilhões), tem uma exposição à moeda estrangeira de 21%, protegida por operações de hedge. Além disso, a CPFL Energia acredita que o mercado de captações já está retomando o fôlego.

O ano também inicia com novos negócios. Em dezembro de 2008, a usina de 14 de Julho começou a operar, agregando 649 Gwh ao ano à capacidade total. Outro novo projeto é a criação da CPFL Bioenergia e de um empreendimento da Usina Baldin, que tiveram investimento de R$ 98 milhões. Mas duas apostas são as empresas de serviços Total – de arrecadação de contas – e Atende – de call center. De acordo com Estrella, esses negócios têm um potencial muito grande, através do atendimento a todo o setor de energia.

Outro efeito nos resultados do ano passado foi a revisão tarifária na maioria das empresas do grupo. Isso contribuiu para a redução do lucro líquido e do Ebitda na comparação com 2007. No primeiro semestre, devem passar por esse processo as últimas duas empresas do grupo. De acordo com o diretor, pouco efeito deve ter no balanço da companhia. Da mesma forma, foram encaradas as notícias da prisão temporária de executivos do grupo Camargo Correa investigados numa operação da Policia Federal. A empresa detém 28% das ações da CPFL Energia, através da VBC Energia.



Apresentaç
ão Resultados 4T08 - ApimecSul
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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